Twitter + blog

Raquel Recuero e Gabriela Zago descobriram que 77% dos participantes de sua pesquisa sobre o Twitter no Brasil também tinham blog.

Raquel sugeriu três razões para esse comportamento:

  1. O Twitter fornece a um blogueiro informações previamente coletadas e filtradas que podem alimentar novos posts de seu blog;
  2. O blogueiro pode usar o Twitter para divulgar esses novos posts para sua relação de leitores (ou seguidos);
  3. O Twitter permite ao blogueiro medir o impacto desses novos posts sobre os leitores do blog a partir dos comentários e críticas que os mesmos leitores postem no Twitter.

A pesquisadora conclui, portanto, que blogs e Twitter são, de alguma forma, complementares.

Eu me arrisco a fazer uma análise adicional: blogueiros que têm perfil no Twitter e seguem os comportamentos 2 e 3 demonstram conhecimento, mesmo que de forma incidental, de uma prática de usabilidade ao apresentar aos seus leitores níveis de aprofundamento distintos na leitura.

Assim, um leitor pode se contentar com a leitura de um post que o usuário do Twitter @fulanodetal publicou sobre o assunto assunto X e não clicar no link que direciona para o texto integral no blog desse mesmo usuário. Já outro leitor pode buscar um aprofundamento que só o blog, não limitado pela quantidade de caracteres, permite e clicar no tal link.

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Twitter é o novo Google?

Google e Twitter são coisas muito distintas!

Mas será mesmo?

Vejamos duas situações:

1 – Você acaba de se mudar para um novo bairro e não conhece os bons restaurantes do local, mas observa que pessoas semelhantes a você em idade, perfil socioeconômico e cultural frequentam uma cantina italiana numa rua residencial a duas quadras de seu prédio. Você passa a frequentar esse restaurante e descobre ter feito uma excelente escolha. Isso é ‘a abordagem Google’ à escolha de restaurantes.

O Google é uma ferramenta de busca alimentada por um algoritmo, uma programação inteligente, que segue a seguinte lógica: se há muitos sites importantes apontando links para o site A, este site deve ser relevante, portanto receberá nota alta. É a lógica da academia, segundo a qual o pesquisador mais importante é aquele cujos artigos têm mais citações de outros pesquisadores.

2 – Você consegue um novo empregado em outra cidade e não conhece bem o bairro para onde se mudou. Para sua sorte, vários de seus novos amigos de empresa, pessoas muito legais, moram na sua vizinhança e recomendam dois restaurantes ótimos: um de comida japonesa e outro de comida mexicana. Você passa a frequentar esses restaurantes e descobre que seus amigos têm ótimo gosto. Isso é a ‘abordagem Twitter’ à escolha de restaurantes.

O Twitter não é (ainda) uma ferramenta de busca, mas poderá se tornar uma, pois seu recurso de pesquisa pode ser usado para buscar mensagens de usuários sobre determinado tema a partir de palavras-chave (como se faz no Google). O interessante é que as mensagens encontradas podem ser de natureza variada: comentários de usuários leigos ou especialistas, críticas de consumidores, links para sites contendo matérias ou resenhas etc.

O grande diferencial é que as pesquisas feitas no Twitter apresentam resultados que são gerados (produzidos ou filtrados e recomendados) pelos próprios usuários da ferramenta. E são geralmente fresquíssimos, podendo conter posts produzidos há alguns minutos.

Isso o Google ainda não consegue fazer.

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Twitter e o futuro da inovação

A matéria de Steven Johnson na Time traz uma análise interessante sobre o movimento de inovação desencadeado pelo Twitter, um movimento que vem ajudando a transformar a própria ferramenta.

O autor explica que o Twitter representa uma nova forma de mídia pelo fato de o perfil de cada usuário poder agregar conteúdos (os posts) de usuários que por ele são seguidos, o que pode incluir tanto conhecidos quanto desconhecidos e até celebridades.

Essa possibilidade de fusão de conteúdos tem consequências até então inéditas nas redes sociais:

  • Torna públicas conversas privadas de seguidos cujos perfis são do interesse do usuário, mesmo que não sejam de pessoas em seu círculo de relacionamento;
  • Cria a ilusão de que ‘pessoas comuns’ e celebridades circulam no mesmo ambiente e estão submetidas às mesmas regras de relacionamento/interação.

Johnson também descreve as inovações desenvolvidas pelos próprios usuários da ferramenta:

  • Superação do limite de 140 caracteres pela transformação do serviço de comunicação em serviço de conexão pela inclusão de links para outros locais da Web onde um conteúdo mais extenso poderá ser encontrado;
  • Envio de mensagens para destinatários com uso do @;
  • Agrupamento de tópicos ou eventos por meio de # (hashtag).

Essa forma de inovação (incremental, que aperfeiçoa as funções de um produto) pelo usuário é, para o autor, indicativa da forma como se inovará a partir de agora, visto que as inovações radicais (invenções, quebras de paradigma), propostas por PhDs, vêm-se tornando cada vez mais raras.

Outro ponto interessante, que ressalto, é a possibilidade de que o Twitter venha um dia a desbancar o gigante das buscas.

Desenvolverei essa ideia no próximo post.

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Culto do amador

Depois de ler o livro do Hewitt, tive de ler o do Keen para ter os dois pontos vista sobre as tecnologias 2.0.

Dito assim, até parece que os pontos de vista são radicalmente opostos. E quase que são mesmo.

Keen investe sete capítulos de oito para descrever, com dados e referências, por que “blogs, MySpace, YouTube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, culturas e valores” (são palavras dele, não minhas, fique claro).

Mas Keen não é um neoludita, como deixa claro (apenas) no último capítulo, quando enxerga saídas para que as novas tecnologias convivam de forma saudável com as mídias tradicionais.

Ainda que sob o risco de simplificar excessivamente a interpretação da obra de Keen, diria que ele parece pôr toda a culpa nas tecnologias, demonizando-as como se tivessem um poder oculto de despertar os nossos piores instintos/pecados: mentira, luxúria, cobiça.

Mas nós sabemos que os vícios supostamente estimulados pelas tecnologias 2.0 sempre estiveram aí, muito antes mesmo de a Internet se tornar popular. Afinal, antes que se pudesse copiar ilegalmente os CDs para distribuição nas redes P2P, já se copiavam ilegalmente os LPs por meio de fitas magnéticas, não é verdade?

O que ocorreu de fato foi um aumento de volume das práticas ilegais, mas, se elas sempre estiveram presentes de alguma forma e não conseguiram destruir nossa economia, cultura e valores, por que as tecnologias atuais conseguiriam fazê-lo?

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Redes sociais e aprendizagem 2

Agora, sim, para refletir sobre o post que aborda o uso de redes
sociais na aprendizagem.
E vou fazê-lo citando uma ferramenta de rede social pouco falada
nestes tempos de blogs, Twitter e wikis: o Yahoo Groups!,
serviço gratuito de listas de distribuição de e-mails.
Participo de vários desses grupos e já explorei a tecnologia
durante bastante tempo para oferecer cursos quando os LMSs ainda
não eram populares.
De certa forma, minha experiência atual no Twitter faz lembrar o
que ocorria nas listas de distribuição dos meus cursos: muitas
mensagens enviadas, não raro dezenas por minuto – uma loucura
viciante.
Quando li o texto do Don Taylor, e mais especificamente um dos 3 passos propostos por Armano (Adubar), a lembrança dos cursos oferecidos com listas foi inevitável. Como também foi inevitável a lembrança da principal lição daqueles tempos:
O padrão de interação esperado na comunidade, seja ela voltada a fins educacionais ou profissionais, deve ser modelado desde o
início pelo moderador da lista. Isso quer dizer que cabe a ele
determinar, por exemplo, com que frequência as contribuições dos
participantes serão comentadas ou avaliadas – semanalmente,
diariamente, em cada hora etc.
O moderador também precisa deixar claro se os participantes poderão interagir livremente entre si ou se precisarão seguir um roteiro determinado.
Quaisquer que sejam as regras do jogo, entretanto, não bastará apenas declará-las. Será preciso demonstrá-las na prática.
Um bom resumo: em lugar de “se quer alguma coisa bem-feita, faça você mesmo”, diga “se quer alguma coisa feita à sua maneira, faça você primeiro”.

Agora, sim, para refletir sobre o post que aborda o uso de redes sociais na aprendizagem.

E vou fazê-lo citando uma ferramenta de rede social pouco falada nestes tempos de blogs, Twitter e wikis: o Yahoo Groups!, serviço gratuito de listas de distribuição de e-mails.

Participo de vários desses grupos e já explorei a tecnologia durante bastante tempo para oferecer cursos quando os LMSs ainda não eram populares.

De certa forma, minha experiência atual no Twitter faz lembrar o que ocorria nas listas de distribuição dos meus cursos: muitas mensagens enviadas, não raro dezenas por minuto – uma loucura viciante.

Quando li o texto do Don Taylor, e mais especificamente um dos 3 passos propostos por Armano (Adubar), a lembrança dos cursos oferecidos com listas foi inevitável. Como também foi inevitável a lembrança da principal lição daqueles tempos:

O padrão de interação esperado na comunidade, seja ela voltada a fins educacionais ou profissionais, deve ser modelado desde o início pelo moderador da lista. Isso quer dizer que cabe a ele determinar, por exemplo, com que frequência as contribuições dos participantes serão comentadas ou avaliadas – semanalmente, diariamente, em cada hora etc.

O moderador também precisa deixar claro se os participantes poderão interagir livremente entre si ou se precisarão seguir um roteiro determinado.

Quaisquer que sejam as regras do jogo, entretanto, não bastará apenas declará-las. Será preciso demonstrá-las na prática.

Um bom resumo: em lugar de “se quer alguma coisa bem-feita, faça você mesmo”, diga “se quer alguma coisa feita à sua maneira, faça você primeiro”.

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