Um filósofo e os blogs
Em um post anterior, narrei de forma pouco detalhada a história que me contou um blogueiro amigo sobre a entrevista que fizera com um filósofo.
A questão era que esse filósofo, um reconhecido estudioso das novas tecnologias, revelou não ter um blog porque não queria investir tempo e esforço em textos efêmeros. Eu busquei entender o porquê dessa decisão mesmo antes de ler a entrevista.
Pois a entrevista foi publicada no blog do amigo e agora posso revelar os nomes dos personagens - o amigo é o Nepomuceno e o filósofo é Pierre Lévy. E posso, enfim, ter a justificativa do próprio filósofo, que, como eu esperava, não confirma minhas ‘hipóteses’, pelo menos não totalmente:
Ele prefere se dedicar ao aprofundamento de ideias relativas a assuntos ‘inéditos’ e que o resultado desse aprofundamento seja publicado como livro. Isso confirma o que eu havia previsto ao supor que, por ele viver em uma cultura altamente letrada, deveria esperar que as ideias fossem depuradas, aprofundadas antes de adquirir a forma final, que seria registrada pela escrita e impressa.
Mas não houve nenhuma palavra a respeito do medo do plágio, que foi minha segunda hipótese.
Talvez esteja lá, inconsciente, mas não foi declarado.
Obrigado por partilhar esse evento conosco, Nepô!
2 Comentários
Other Links to this Post
RSS feed para comentários a este post.
By Ale Carvalho, 21 de Julho de 2009 @ 18:01
Eu também achei algo estranho nesta declaração. Por que ele se preocupa tanto com a informação efêmera? Depois, qdo for publicar, já está tudo velho…ou não?
By José Paulo, 21 de Julho de 2009 @ 18:55
Olá, Ale.
Não digo ‘velho’, mas, talvez, parcialmente verdadeiro. Um conhecido pesquisador da minha área organizou uma obra intitulada Hipertexto e Gêneros Digitais, publicada em 2004, na qual fazia analogia entre blog e diário pessoal, anotação e agenda. Apenas cinco anos depois, esse texto já não faz justiça à multiplicidade de funções que um blog pode exercer: denúncia, noticiário, diversão, apoio cognitivo… Na velocidade de apropriações dessa tecnologia, foi a ‘verdade’ impressa que se tornou efêmera, mas (que ironia!) ficará permanentemente registrada.