Twittando

Minhas primeiras horas no Twitter foram proveitosas.

Além de já ter o Nepô ‘na minha cola’ (e eu na dele), procurei o Pierre Lévy, ainda que sem muita convicção.

Mas ele estava lá! E agora eu estou ‘na cola dele’.

O mais interessante foi descobrir, nas mensagens do Pierre, uma dica de texto bem interessante sobre o Twitter. Esse texto me fez pensar se é válido chamar a ferramenta de microblog.

Do tal texto, destaco alguns pontos importantes:

(1) O Twitter é uma ferramenta para escutar e ser escutado. ‘Escutar’ aqui quer dizer seguir alguém. Na balbúrdia gerada pelo incrível e crescente número de usuários, é difícil conseguir ouvir alguma voz realmente interessante.

Por outro lado, ser escolhido como uma voz que vale a pena ser escutada também é difícil, pois é necessário ter algo a dizer que seja relevante para alguém.

Nos dois casos, os processos são muito longos e constituem uma barreira de entrada que acaba por desencorajar muitos usuários. Por esse motivo, o Twitter acaba se diferenciando das outras redes sociais, pois não oferece nenhuma aparente vantagem aos novos entrantes.

(2) A rede do Twitter é assimétrica.

Isso ocorre porque nem sempre os usuários que escolhemos escutar também nos escolherão e vice-versa. Isso não ocorre nas demais redes sociais.

(3) A disseminação de informações é imprevisível.

Pela prática do ‘retweet’, a republicação de uma mensagem escutada por um usuário para outros que o escutam, gera-se uma propagação rápida e imprevisível de informações que podem, inclusive, ter sido originadas de fontes absolutamente desconhecidas. Nenhuma rede social até então permitia esse tipo de propagação.

(4) O Twitter permite a comunicação por sinais.

Uma vez que a ferramenta restringe a extensão das mensagens a 140 caracteres, os usuários experientes que têm mais a dizer não publicam textos, mas links para outros lugares onde as informações completas podem ser encontradas.

Enquanto lia o texto, lembrei-me de uma resposta de Rosana Hermann na entrevista que me concedeu:

EU: O Twitter é o novo blog?
RH: O Twitter não tem nada a ver com o blog. O Twitter é um  espaço de broadcasting, de marketing, de relacionamento. É muito mais neurótico que o blog, mais veloz, mais perigoso, mais confuso e impreciso.

Se, de fato, estamos diante de um fenômeno totalmente diverso, o desafio está em explicá-lo.

Aqui vai minha tentativa:

(a) O blog é uma ferramenta para publicação mediada por computador (PMC), permitindo (mas não determinando) a produção discursiva mais extensa, resultante de algum aprofundamento reflexivo. Esse aprofundamento pode se dar também em função de   discussões (comentários) a respeito dos conteúdos publicados.

(b) O Twitter é uma ferramenta para comunicação mediada por computador (CMC) que permite a manutenção de registros das díades dialógicas, mesmo que elas sejam constituídas apenas de sinais para outras fontes de informação. Nestes casos, seriam equivalentes à sugestão “Leia isto!”.

Minhas primeiras horas no Twitter foram proveitosas.
Além de já ter o Nepô ‘na minha cola’ (e eu na dele), procurei o Pierre Lévy, ainda que sem muita convicção.
Mas ele estava lá! E agora eu estou ‘na cola dele’.
O mais interessante foi descobrir, nas mensagens do Pierre, uma dica de texto bem interessante sobre o Twitter. Esse texto me
fez pensar se é válido chamar a ferramenta de microblogging.
Do tal texto, destaco alguns pontos importantes:
(1) O Twitter é uma ferramenta para escutar e ser escutado. ‘Escutar’ aqui quer dizer seguir alguém. Na balbúrdia gerada pelo
incrível e crescente número de usuários, é difícil conseguir ouvir alguma voz realmente interessante.
Por outro lado, ser escolhido como uma voz que vale a pena ser escutada também é difícil, pois é necessário ter algo a dizer
que seja relevante para alguém.
Nos dois casos, os processos são muito longos e constituem uma barreira de entrada que acaba por desencorajar muitos
usuários. Por esse motivo, o Twitter acaba se diferenciando das outras redes sociais, pois não oferece nenhuma aparente
vantagem aos novos entrantes.
(2) A rede do Twitter é assimétrica.
Isso ocorre porque nem sempre os usuários que escolhemos escutar também nos escolherão e vice-versa. Isso não ocorre nas
demais redes sociais.
(3) A disseminação de informações é imprevisível.
Pela prática do ‘retweet’, a republicação de uma mensagem escutada por um usuário para outros que o escutam, gera-se uma
propagação rápida e imprevisível de informações que podem, inclusive, ter sido originadas de fontes absolutamente
desconhecidas. Nenhuma rede social até então permitia esse tipo de propagação.
(4) O Twitter permite a comunicação por sinais.
Uma vez que a ferramenta restringe a extensão das mensagens a 140 caracteres, os usuários experientes que têm mais a dizer
não publicam textos, mas links para outros lugares onde as informações completas podem ser encontradas.
Enquanto lia o texto, lembrei-me de uma resposta de Rosana Hermann na entrevista que me concedeu:
EU: O Twitter é o novo blog?
RH: O Twitter não tem nada a ver com o blog. O Twitter é um  espaço de broadcasting, de marketing, de relacionamento. É muito
mais neurótico que o blog, mais veloz, mais perigoso, mais confuso e impreciso.
Se, de fato, estamos diante de um fenômeno totalmente diverso, o desafio está em explicá-lo.
Aqui vai minha tentativa:
(a) O blog é uma ferramenta para publicação mediada por computador (PMC), permitindo (mas não determinando) a produção
discursiva mais extensa, resultante de algum aprofundamento reflexivo. Esse aprofundamento pode se dar também em função de
discussões (comentários) a respeito dos conteúdos publicados.
(b) O Twitter é uma ferramenta para comunicação mediada por computador (CMC) que permite a manutenção de registros das díades dialógicas, mesmo que elas sejam constituídas apenas de sinais para outras fontes de informação. Nestes casos, seriam equivalentes à sugestão “Leia isto!”
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6 Comentários

  • By Carlos Nepomuceno, 25 de Julho de 2009 @ 11:22

    JPaulo,

    no que eu tenho visto de Twitter, diria hoje que é a mala direta bi-direcional.

    Veja que eu tenho 8 mil seguidores na minha mala direta, desde que comecei a publicar artigos na rede disperos, fazer palestras, etc..

    Eu atualizo esse pessoal, digamos na era Pre-Twitter, via e-mail, uma vez por semana.

    E os meus seguidores do Twitter uns 700, eu coloco as coisas diariamente, não só meus textos, mas agora também dicas do que vou vendo.

    Começo a ficar mais solto com a ferramenta.

    Ao mesmo tempo, que tenho a mala direta dos que me seguem, entre estes, não todos, vou criando uma mala direta dos outros que passo a seguir.

    É nesse buraco de malas diretas dinâmicas que vejo hoje o Twitter com seu maior potencial.

    É um sucessor das listas de discussão de baixa intensidade para troca de novidades, com muito mais dinâmica para estar dentro e fora.

    E ainda entra também na idéia do MSN, com a lista dos amigos.

    Ou seja, entra de forma mais dinâmica em uma série de ações que eu já fazia e faço melhor agora.

    Tem gente que não tinha mala direta e não se dá conta desse fenômeno, mas ele abre isso.

    O @Ninocarvalho, na sexta passada, comentou numa reunião de trabalho que ele considerava que o Twitter criava as micro-celebridades dos seguidos e seguidores.

    Ainda tem muita nuvem como a Rosana disse na entrevista no seu blog, mas depois que a poeira baixar, ficará a informação relevante e útil para cada um, pois ninguém tem tempo a perder.

    (relacionamento é informação útil.)

    Sâo essas as minhas últimas reflexões sobre Twitter.

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  • By José Paulo, 25 de Julho de 2009 @ 15:52

    Oi, Nepô.

    Se o Twitter é mala-direta, é ponto pra minha interpretação de que a ferramenta é CMC e não PMC.

    A vantagem é que se trata de uma mala-direta por adesão, não é? Você não é obrigado a receber nada de quem não conhece, pois escolhe quem quer seguir.

    Só que estou descobrindo que, às vezes, podemos ser seguidos por perfis indesejáveis. :-(

    É o SPAM inverso do Twitter.

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  • By Carlos Nepomuceno, 27 de Julho de 2009 @ 8:20

    Mas vc pode bloquear a pessoa, basta entrar lá e detonar…e a vida continua…

    Acredito que os conceitos de cmc e pmc podem mais atrapalhar do que ajudar…

    Uma publicação é uma comunicação e vice versa.

    Acredito em canais de divulgação de idéias.

    Uma com mais espaço para desenvolver o assunto e outra com menos.

    O que leva o primeiro a mais reflexão e o segundo a mais indicação.

    Que dizes?

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  • By WILIAM, 27 de Julho de 2009 @ 11:29

    Cumpriria uma ótima função didática, se cada argumento aqui publicado (pró ou contra) alguma ferramenta/funcionalidade/recurso viessem com detalhamento de COMO? ONDE? POR QUÊ? inclusive com seu antídoto:
    1 P.e. como evitar os seguidores anônimos/indesejáveis no twitter?
    2 Quais papéis e ações relevantes e úteis podemos exercer neste site?
    3 Quais seus principais riscos?

    Obrigado
    prof. Wiliam

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  • By José Paulo, 27 de Julho de 2009 @ 13:48

    Nepô,

    Classificar o Twitter/blog como CMC/PMC não faz diferença para a maioria dos usuários, mas faz todo sentido para mim, pois meu foco é buscar a compreensão dessas ferramentas.

    Mesmo a interpretação que fiz de CMC/PMC não é fechada, pronta, mas apenas uma proposta para análise.

    Abração

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  • By José Paulo, 27 de Julho de 2009 @ 13:52

    Olá, Prof. William.

    Não tenho a intenção (pelo menos não agora) de apresentar propostas de (melhor) uso das ferramentas descritas.

    Quero apenas compreender como vêm sendo em práticas sociais diversas: educação, jornalismo, trabalho coletivo etc.

    Mas se, em minhas buscas, encontrar dicas interessantes, indicarei aqui ou, mais provavelmente, no meu Twitter (Tudo2ponto0).

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