Culto do amador
Depois de ler o livro do Hewitt, tive de ler o do Keen para ter os dois pontos vista sobre as tecnologias 2.0.
Dito assim, até parece que os pontos de vista são radicalmente opostos. E quase que são mesmo.
Keen investe sete capítulos de oito para descrever, com dados e referências, por que “blogs, MySpace, YouTube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, culturas e valores” (são palavras dele, não minhas, fique claro).
Mas Keen não é um neoludita, como deixa claro (apenas) no último capítulo, quando enxerga saídas para que as novas tecnologias convivam de forma saudável com as mídias tradicionais.
Ainda que sob o risco de simplificar excessivamente a interpretação da obra de Keen, diria que ele parece pôr toda a culpa nas tecnologias, demonizando-as como se tivessem um poder oculto de despertar os nossos piores instintos/pecados: mentira, luxúria, cobiça.
Mas nós sabemos que os vícios supostamente estimulados pelas tecnologias 2.0 sempre estiveram aí, muito antes mesmo de a Internet se tornar popular. Afinal, antes que se pudesse copiar ilegalmente os CDs para distribuição nas redes P2P, já se copiavam ilegalmente os LPs por meio de fitas magnéticas, não é verdade?
O que ocorreu de fato foi um aumento de volume das práticas ilegais, mas, se elas sempre estiveram presentes de alguma forma e não conseguiram destruir nossa economia, cultura e valores, por que as tecnologias atuais conseguiriam fazê-lo?
Sem Comentários
Ainda sem comentários.
RSS feed para comentários a este post.