Entrevista com Rosana Hermann

Rosana é mestre em Física Nuclear (USP), mas é mais conhecida por atuar como roteirista, jornalista e radialista. Está entre os blogueiros brasileiros veteranos, pois publica desde 2000. Seu blog Querido Leitor está entre os mais populares da blogosfera brasileira.

No melhor espírito da Internet, ela concordou em responder várias perguntas que lhe enviei. O resultado é a entrevista que publico aqui.

1. Por que você ‘bloga’?

Antes de ter um blog eu tinha um site, o farofa.com.br  Fiz parte da “bolha” da Internet e, três meses depois de registrar o domínio, tive propostas de trabalho de 3 grandes portais. Durante dois anos fui patrocinada para fazer o Farofa. No ano 2000 conheci a ferramenta blog. Achei muito mais prático, porque era baseado na web e não exigia programas para fazer páginas nem FTP para upload etc. Passei a blogar e, desde então, escrevo no blog diariamente. Blogar é um exercício para o escritor como o treino o é para um atleta. Além de todas as outras vantagens.

2. O blog representa a ‘filosofia’ original da Internet?

O blog é um espaço autoral, público e aberto. É também um espaço de relacionamento e compartilhamento. Nesse sentido, acho que a resposta é ‘sim’.

3. Blogs são formadores de opinião?

Blogs são influenciadores de opinião e geradores de discussão, na minha opinião.

4. O blog ocupou o lugar das mídias tradicionais?

O blog é um adendo para as mídias tradicionais, um complemento.

5.O blog desequilibrou as instâncias de poder que eram ‘sustentadas’ pelas mídias tradicionais?

O blog tem uma vantagem óbvia sobre as mídias tradicionais: não tem intermediários. O autor fala direto com o leitor, sem passar pelo crivo editorial, político, ideológico, comercial de um veículo/ empresa.

6. O que buscam os leitores de blogs?

Os leitores buscam informação filtrada pelo olhar do blogueiro, convivência com outros leitores, informação relevante.

7. Como os leitores de blogs resolvem a questão da credibilidade da informação?

Os leitores de um blog leem muitas outras coisas na Internet, pesquisam, confrontam informações. Isso é ótimo, porque ninguém fica preso a uma fonte só.

8. Sua experiência mostra que os blogs (a) agregam comunidades reais ou (b) estimulam uma audiência circunstancial?

Sim, os blogs formam comunidade reais.

9. A que você atribui o sucesso dos blogs?

O blog foi o primeiro passo para a interação direta entre produtores de informação e consumidores de informação.

10. O blog corporativo representa a ‘domesticação’ de uma ferramenta que deu poder ao consumidor ou o reconhecimento autêntico pelas corporações da necessidade de se relacionar com a sociedade de forma mais espontânea?

A segunda opção. As empresas perceberam que é mais adequado ter um canal direto com o público.

11. Você bloga há muito tempo. Que inovações observou na tecnologia e na linguagem dos blogs durante esse tempo?

Muita coisa. Hoje é possível postar pelo celular, enviar vídeos, fazer streaming ao vivo, colocar widgets do Twitter. Mudou muito.

12. Você diria que o blog já é uma mídia madura?

Sim, eu diria que os blogs já amadureceram. Passaram da fase de boom e ficaram estáveis.

13. Aonde o blog ainda poderá chegar?

Os blogs ainda têm muito a oferecer. Provavelmente vão entrar numa fase de grande profissionalização.

14. O Twitter é o novo blog?

O Twitter não tem nada a ver com o blog. O Twitter é um  espaço de broadcasting, de marketing, de relacionamento. É muito mais neurótico que o blog, mais veloz, mais perigoso, mais confuso e impreciso.

15. O que faria você deixar de blogar?

Eu só deixaria de blogar se eu parasse de escrever.

16. Tem alguma dica ou orientação para quem deseja se tornar um blogueiro respeitado?

Nesses anos todos escrevendo um blog descobri que assim como “uma corrente é tão forte quanto seu elo mais fraco” o julgamento de um blog é sempre feito pelo seu pior post. Você pode blogar a vida inteira, mas se fizer um post que contraria o leitor, ele reclama e diz que não vai mais voltar… O respeito é o acúmulo de uma maioria esmagadora de acertos.

VN:F [1.9.5_1105]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.5_1105]
Rating: 0 (from 0 votes)

Twitter é CMC!

Depois que publiquei o post anterior, fiquei pensando durante um bom tempo sobre a proposta de distinguir blog de Twitter em termos de PMC e CMC, respectivamente.

Algo começou a sugerir que uma relida do livro do Ong (Oralidade e cultura escrita) poderia trazer mais luz sobre o caso.

E trouxe mesmo.

Ainda que Ong tenha escrito muito antes de a Internet tornar-se popular, sua exposição sobre cultura oral primária, cultura escrita e cultura oral secundária tem muito a ver com o entendimento do que o Twitter representa enquanto ferramenta de CMC.

A oralidade primária de que fala o autor só é encontrada em culturas que não desenvolveram a escrita, algo cada vez mais raro no mundo contemporâneo, onde a oralidade é necessariamente secundária, isto é, fortemente influenciada pela escrita. Nos contextos de oralidade primária, as palavras, que são apenas faladas, correspondem a verdadeiros eventos, ocorrências que se perdem no tempo porque não podem ser fixadas por meio visual (p. 42). Elas podem até ser reevocadas, mas nunca adquirem status de objetos tal como ocorre em culturas de oralidade secundária.

O Twitter é obviamente uma ferramenta criada dentro da (e para a) cultura escrita, mas as condições de produção e recepção por ela oferecidas (restrição de extensão, sequências de posts de origem diversa e em ordem aleatória) praticamente determinam as características formais dessa produção: textos curtos, provavelmente referenciadores das atividades realizadas pelo autor, e com forte tendência à um registro de oralidade secundária.

É interessante dizer que Ong foi quase profético ao afirmar que “[...] a tecnologia eletrônica levou-nos à era da ‘oralidade secundária’. Essa nova oralidade tem semelhanças notáveis com a antiga em sua mística participatória, em seu favorecimento de um sentido comunal, em sua concentração no momento presente e até mesmo em seu uso de fórmulas.” (p. 155)

Uma rede social como o Twitter, mais do que qualquer outra rede (como dito no texto recomendado por Pierre Lévy), permite interlocuções mesmo de participantes que não mantêm vínculos de relacionamento direto.

Minha interpretação de que o Twitter se aproxima da oralidade secundária é reforçada quando relaciono esse potencial de interlocuções com o seguinte trecho de Ong:

“[...] a oralidade secundária gerou um forte sentimento de grupo, um verdadeiro público, exatamente como a leitura de textos escritos ou impressos os transforma em indivíduos, faz com que eles se voltem para dentro de si. Porém, a oralidade secundária dá sentido a grupos incomensuravelmente mais amplos do que os da cultura oral primária.” (ibid.)

Supreendentemente, é também possível que o Twitter resgate traços de cultura oral primária, na qual a existência de um interlocutor é essencial e o pensamento fica ‘preso’ à comunicação. Vale lembrar o que eu mencionei no post anterior sobre o reconhecimento da dificuldade dos novos entrantes para constituir suas redes sociais no Twitter: quem publica posts sem relevância não é seguido, não forma sua rede social e acaba abandonando a ferramenta, o que reforça a interpretação da primazia da comunicação.

VN:F [1.9.5_1105]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.5_1105]
Rating: +1 (from 1 vote)

Twittando

Minhas primeiras horas no Twitter foram proveitosas.

Além de já ter o Nepô ‘na minha cola’ (e eu na dele), procurei o Pierre Lévy, ainda que sem muita convicção.

Mas ele estava lá! E agora eu estou ‘na cola dele’.

O mais interessante foi descobrir, nas mensagens do Pierre, uma dica de texto bem interessante sobre o Twitter. Esse texto me fez pensar se é válido chamar a ferramenta de microblog.

Do tal texto, destaco alguns pontos importantes:

(1) O Twitter é uma ferramenta para escutar e ser escutado. ‘Escutar’ aqui quer dizer seguir alguém. Na balbúrdia gerada pelo incrível e crescente número de usuários, é difícil conseguir ouvir alguma voz realmente interessante.

Por outro lado, ser escolhido como uma voz que vale a pena ser escutada também é difícil, pois é necessário ter algo a dizer que seja relevante para alguém.

Nos dois casos, os processos são muito longos e constituem uma barreira de entrada que acaba por desencorajar muitos usuários. Por esse motivo, o Twitter acaba se diferenciando das outras redes sociais, pois não oferece nenhuma aparente vantagem aos novos entrantes.

(2) A rede do Twitter é assimétrica.

Isso ocorre porque nem sempre os usuários que escolhemos escutar também nos escolherão e vice-versa. Isso não ocorre nas demais redes sociais.

(3) A disseminação de informações é imprevisível.

Pela prática do ‘retweet’, a republicação de uma mensagem escutada por um usuário para outros que o escutam, gera-se uma propagação rápida e imprevisível de informações que podem, inclusive, ter sido originadas de fontes absolutamente desconhecidas. Nenhuma rede social até então permitia esse tipo de propagação.

(4) O Twitter permite a comunicação por sinais.

Uma vez que a ferramenta restringe a extensão das mensagens a 140 caracteres, os usuários experientes que têm mais a dizer não publicam textos, mas links para outros lugares onde as informações completas podem ser encontradas.

Enquanto lia o texto, lembrei-me de uma resposta de Rosana Hermann na entrevista que me concedeu:

EU: O Twitter é o novo blog?
RH: O Twitter não tem nada a ver com o blog. O Twitter é um  espaço de broadcasting, de marketing, de relacionamento. É muito mais neurótico que o blog, mais veloz, mais perigoso, mais confuso e impreciso.

Se, de fato, estamos diante de um fenômeno totalmente diverso, o desafio está em explicá-lo.

Aqui vai minha tentativa:

(a) O blog é uma ferramenta para publicação mediada por computador (PMC), permitindo (mas não determinando) a produção discursiva mais extensa, resultante de algum aprofundamento reflexivo. Esse aprofundamento pode se dar também em função de   discussões (comentários) a respeito dos conteúdos publicados.

(b) O Twitter é uma ferramenta para comunicação mediada por computador (CMC) que permite a manutenção de registros das díades dialógicas, mesmo que elas sejam constituídas apenas de sinais para outras fontes de informação. Nestes casos, seriam equivalentes à sugestão “Leia isto!”.

Minhas primeiras horas no Twitter foram proveitosas.
Além de já ter o Nepô ‘na minha cola’ (e eu na dele), procurei o Pierre Lévy, ainda que sem muita convicção.
Mas ele estava lá! E agora eu estou ‘na cola dele’.
O mais interessante foi descobrir, nas mensagens do Pierre, uma dica de texto bem interessante sobre o Twitter. Esse texto me
fez pensar se é válido chamar a ferramenta de microblogging.
Do tal texto, destaco alguns pontos importantes:
(1) O Twitter é uma ferramenta para escutar e ser escutado. ‘Escutar’ aqui quer dizer seguir alguém. Na balbúrdia gerada pelo
incrível e crescente número de usuários, é difícil conseguir ouvir alguma voz realmente interessante.
Por outro lado, ser escolhido como uma voz que vale a pena ser escutada também é difícil, pois é necessário ter algo a dizer
que seja relevante para alguém.
Nos dois casos, os processos são muito longos e constituem uma barreira de entrada que acaba por desencorajar muitos
usuários. Por esse motivo, o Twitter acaba se diferenciando das outras redes sociais, pois não oferece nenhuma aparente
vantagem aos novos entrantes.
(2) A rede do Twitter é assimétrica.
Isso ocorre porque nem sempre os usuários que escolhemos escutar também nos escolherão e vice-versa. Isso não ocorre nas
demais redes sociais.
(3) A disseminação de informações é imprevisível.
Pela prática do ‘retweet’, a republicação de uma mensagem escutada por um usuário para outros que o escutam, gera-se uma
propagação rápida e imprevisível de informações que podem, inclusive, ter sido originadas de fontes absolutamente
desconhecidas. Nenhuma rede social até então permitia esse tipo de propagação.
(4) O Twitter permite a comunicação por sinais.
Uma vez que a ferramenta restringe a extensão das mensagens a 140 caracteres, os usuários experientes que têm mais a dizer
não publicam textos, mas links para outros lugares onde as informações completas podem ser encontradas.
Enquanto lia o texto, lembrei-me de uma resposta de Rosana Hermann na entrevista que me concedeu:
EU: O Twitter é o novo blog?
RH: O Twitter não tem nada a ver com o blog. O Twitter é um  espaço de broadcasting, de marketing, de relacionamento. É muito
mais neurótico que o blog, mais veloz, mais perigoso, mais confuso e impreciso.
Se, de fato, estamos diante de um fenômeno totalmente diverso, o desafio está em explicá-lo.
Aqui vai minha tentativa:
(a) O blog é uma ferramenta para publicação mediada por computador (PMC), permitindo (mas não determinando) a produção
discursiva mais extensa, resultante de algum aprofundamento reflexivo. Esse aprofundamento pode se dar também em função de
discussões (comentários) a respeito dos conteúdos publicados.
(b) O Twitter é uma ferramenta para comunicação mediada por computador (CMC) que permite a manutenção de registros das díades dialógicas, mesmo que elas sejam constituídas apenas de sinais para outras fontes de informação. Nestes casos, seriam equivalentes à sugestão “Leia isto!”
VN:F [1.9.5_1105]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.5_1105]
Rating: 0 (from 0 votes)

Ei, Twitter, o que você está fazendo?

Para uma ferramenta lançada em 2006, sem muito sucesso (DELFINI, 2009), até que ele vem surpreendendo, tanto na audiência quanto nos usos.

Usuários
Um estudo de 2008 (KRISHNAMURTHY, GILL e ARLITT, 2008) demonstrou que o Brasil estava na lista dos 10 países com maior presença no Twitter, mas foi apenas no primeiro semestre de 2009 que a ferramenta de fato se popularizou no país. Segundo o Ibope (FELITTI, 2009), o número de visitantes do Twitter no Brasil saltou de 344 mil em fevereiro deste ano para 677 mil em março, um aumento de quase 97%. E o perfil desses usuários já é conhecido: predominam homens adultos (entre 35 e 49 anos), solteiros, muitos com experiência em outras ferramentas de redes sociais.

As pesquisas indicam que eles conheceram a ferramenta por meio do velho boca a boca, e a usam para se ficar atualizados, trocar conteúdos e manter contato pessoal com amigos (BULLET, 2009; FELITTI, 2009).

Tal como ocorre nos blogs, os usuários do Twitter usam a ferramenta como fonte de informações confiáveis na busca de opiniões e dicas. Um número significativo desses usuários (87%), segundo pesquisa da Bullet, aprovou as dicas recebidas na rede social.

Proporcionalmente, entretanto, ainda há poucos usuários no país, contando apenas 3,9% do total estimado de 255 milhões de internautas. O potencial de crescimento é enorme e, a julgar pelos usos que vêm sendo dados à ferramenta, esse potencial poderá logo se converter em realidade.

Uso Corporativo
As grandes empresas, principalmente estrangeiras, têm demonstrado interesse  no potencial do Twitter. Segundo a revista Fortune, 36 das 100 maiores empresas de seu ranking já exploram a ferramenta de alguma forma (DELFINI, 2009).

Empresas de construção vêm aproveitando a popularidade da rede social para divulgar promoções exclusivas que acabam resultando em vendas (PACHECO, 2009). A audiência conquistada acaba por aumentar também a presença da marca das empresas a custo zero, o que pode se traduzir em resultados.

Para empresas como as corretoras de investimentos, que precisam ter agilidade no fornecimento de informações aos clientes, ter uma conta no Twitter representa um enorme diferencial competitivo (PACHECO, 2009).

Serviços de atendimento a clientes (SACs) de grandes empresas também já migraram para a ferramenta (BARIFOUSE, 2008).

Mesmo empresas preocupadas em apenas rastrear os movimentos do mercado a partir das opiniões dos consumidores têm a ganhar com a existência do Twitter, pois já existem ferramentas capazes de rastrear os comentários sobre seus produtos e serviços feitos pelos usuários da rede social (BARIFOUSE,2008). Para o presidente da agência DM9DDB, monitorar as redes sociais é uma forma de proteger os clientes, pois comentários feitos no Orkut e no Twitter, por exemplo, podem “derrubar uma marca ou destruir uma promoção” (VALENTE, 2009).

Outro uso possível do Twitter é a formação de redes internas nas empresa para estímulo às inovações, fez a IBM com o lançamento da Blue Twit (BARIFOUSE, 2008).

Os benefícios também existem para quem busca emprego, pois algumas consultorias de RH já têm suas contas no Twitter para oferta de vagas (PACHECO, 2009).

Uso Social
O Twitter tem começado a despontar como ferramenta de mobilização. Vários cidadãos organizados já veem a possibilidade de usar a rede social para, por exemplo, partilhar informações que garantam a circulação segura em vias públicas de grandes cidades (GERBASE, 2009).

A ferramenta também vem sendo empregada por motoristas para criar uma rede de informações sobre as condições do trânsito, o que poderá facilitar o fluxo em regiões críticas das metrópoles (O TRÂNSITO, 2009).

Twitter na Política
Dois grandes eventos da política internacional demonstraram o poder do Twitter: a eleição de Barack Obama nos Estados Unidos em 2008 e a crise no Irã após as eleições de 2009.

A campanha de Obama, embora não tenha sido a primeira na história da política americana a explorar as tecnologias de redes sociais, foi a primeira a fazê-lo de forma abrangente (várias tecnologias) e criativa (NATIONS, s.d).

No caso do Irã, a divulgação dos resultados da eleição de 2009 deflagrou protestos que, durante algum tempo, contaram com a cobertura da imprensa internacional. Quando os jornalistas internacionais começaram a ser censurados e mesmo expulsos do país, coube aos internautas iranianos enviar para fora, via Twitter, o relato dos fatos que ocorriam diariamente em seu país (PEREIRA, 2009).

Um estudo estimou que, entre 7 (período pré-eleitoral) e 26 de junho, pouco mais de dois milhões de mensagens foram publicadas na rede social (BLANCO, 2009). A possibilidade de publicar mensagens a partir de telefones celulares contribuiu para que os relatos sobre a crise continuassem a ser divulgados mesmo sob risco de bloqueio no acesso à Internet a partir do país.

China, Moldávia e Guatemala engrossam a lista de países com regimes ‘linha-dura’ que também  tiveram de enfrentar o poder do Twitter.

Twitter vs. Mídias Tradicionais
O Twitter, mais do que os blogs, demonstrou o poder democrático das redes sociais na disseminação da informação. A exigência de concisão (publicar com até 140 caracteres) e a facilidade de uso deram à ferramenta um apelo irresistível, pois qualquer usuário passou a poder tornar-se ‘jornalista e editor’ de seu próprio veículo informativo. (ALBUQUERQUE, 2009)

Uma das principais críticas que se faz ao Twitter, bem como às demais redes sociais, tem a ver com a credibilidade (BLANCO, 2009), a qual, para alguns estudiosos, só é garantida pelos veículos tradicionais e já estabelecidos, que “conseguem processar relatos, debates, pensamentos com independência dos poderes constituídos” (BUCCI, 2009).

Referências
ALBUQUERQUE, A. de. Tocqueville vai ao Twitter. O Globo, Rio de Janeiro,  18 jul. 2009. p.3.

BARIFOUSE, D. O que você está fazendo? In: Época Negócios. Outubro 2008. p. 30.

BLANCO, S. Twitter não basta para revolução. El País. 10 jul. 2009.

BUCCI, E. Entrevista. O Globo. Rio de Janeiro, 18 jul. 2009,  p.2.

BULLET. Twitter Brasil. Disponível em: <http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/files/615/2009/06/pesquisa_twitter.pdf>. Data de acesso: 17 jul. 2009

DELFINI, L. Twitter: O que você está fazendo? Locaweb, São Paulo. Edição 16, Jul. 2009, p. 34-43

FELITTI, G. Tráfego do Twitter cresce 96,8% em março no Brasil. IDG Now. Disponível em: <http://idgnow.uol.com.br/internet/2009/04/13/trafego-do-twitter-cresce-96-8-em-marco-no-brasil-afirma-ibope/>. Data de acesso: 17 jul. 2009.

GERBASE, F. Moradores de Botafogo criam movimento para conter violência. O Globo, Rio de Janeiro, 12 jul. 2009,  p.15.

KRISHNAMURTHY, B.; GILL, P. e ARLITT, M. A few chirps about twitter.  In:  WOSP ’08: Proceedings of the first workshop on Online social networks. 2008, pp. 19-24.

O TRÂNSITO está livre no Twitter. O Globo, Rio de Janeiro, 18 jul. 2009, p.4.

NATIONS, D. How Barack Obama Is Using Web 2.0 to Run for President. s.d. Disponível em: <http://webtrends.about.com/od/web20/a/obama-web.htm> Data de acesso: 22 jul. 2009.

PACHECO, N. Twitter: nova ferramenta de negócios. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 jul. 2009, p. E1.

PEREIRA, R. Rebelião 2.0. Época: São Paulo. p. 102-106. 22 jun. 2009

VALENTE, S. ‘Passamos a monitorar todas as redes sociais’. O Globo, Rio de Janeiro, 26 jul. 2009, p. 27.

VN:F [1.9.5_1105]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.5_1105]
Rating: 0 (from 0 votes)

Escrita e pensamento

Há alguns anos li a obra Oralidade e Cultura Escrita, de Walter Ong, à qual tenho retornado com certa frequência.

A obra, como o próprio nome declara, faz uma análise comparativa entre a cultura oral e a cultura escrita.
O capítulo 4, chamado ‘A escrita reestrutura a consciência’, de certa forma diz muito sobre o que espero deste blog. Cito um trecho:
“A escrita, em seu sentido comum, foi e é a mais importante de todas as invenções humanas. Não é um mero apêndice da fala. Em virtude de mover a fala do mundo oral-auricular para um novo mundo sensorial, o da visão, ela transforma tanto a fala quanto o pensamento.” (p.100)
E mais:
“Dizer que a escrita é artificial não é condená-la, mas elogiá-la. Como outras criações artificiais, e, na verdade, mais do que qualquer outra, ela é inestimável e de fato fundamental para a realização de potenciais humanos mais elevados, interiores. As tecnologias não constituem meros auxílios exteriores, mas, sim, transformações interiores da consciência, e mais ainda quando afeitas à palavra. [...] A escrita aumenta a consciência.” (p.98)
Ao se propriar da escrita, portanto, a pessoa descobre novas formas de organizar seu arcabouço cognitivo.
Entre outras coisas, isso faz pensar no crime que é cometido toda vez que uma criança sai da escola com um diploma, mas é incapaz de escrever uma mensagem minimamente inteligível. Ela será privada de se apropriar do poder da escrita, que lhe garantiria o direito de reivindicar seu status de cidadã.Há alguns anos li a obra Oralidade e cultura escrita, de Walter Ong, à qual tenho retornado com certa frequência.
A obra, como o próprio nome declara, faz uma análise comparativa entre a cultura oral e a cultura escrita.
O capítulo 4, chamado ‘A escrita reestrutura a consciência’, de certa forma diz muito sobre o que espero deste blog. Cito um trecho:
“A escrita, em seu sentido comum, foi e é a mais importante de todas as invenções humanas. Não é um mero apêndice da fala. Em virtude de mover a fala do mundo oral-auricular para um novo mundo sensorial, o da visão, ela transforma tanto a fala quanto o pensamento.” (p.100)
E mais:
“Dizer que a escrita é artificial não é condená-la, mas elogiá-la. Como outras criações artificiais, e, na verdade, mais do que qualquer outra, ela é inestimável e de fato fundamental para a realização de potenciais humanos mais elevados, interiores. As tecnologias não constituem meros auxílios exteriores, mas, sim, transformações interiores da consciência, e mais ainda quando afeitas à palavra. [...] A escrita aumenta a consciência.” (p.98)
Ao se propriar da escrita, portanto, a pessoa descobre novas formas de organizar seu arcabouço cognitivo.
Entre outras coisas, isso faz pensar no crime que é cometido toda vez que uma criança sai da escola com um diploma, mas é incapaz de escrever uma mensagem minimamente inteligível. Ela será privada de se apropriar do poder da escrita, que lhe garantiria o direito de reivindicar seu status de cidadã.Há alguns anos li a obra Oralidade e cultura escrita, de Walter Ong, à qual tenho retornado com certa frequência.
A obra, como o próprio nome declara, faz uma análise comparativa entre a cultura oral e a cultura escrita.
O capítulo 4, chamado ‘A escrita reestrutura a consciência’, de certa forma diz muito sobre o que espero deste blog. Cito um trecho:
“A escrita, em seu sentido comum, foi e é a mais importante de todas as invenções humanas. Não é um mero apêndice da fala. Em virtude de mover a fala do mundo oral-auricular para um novo mundo sensorial, o da visão, ela transforma tanto a fala quanto o pensamento.” (p.100)
E mais:
“Dizer que a escrita é artificial não é condená-la, mas elogiá-la. Como outras criações artificiais, e, na verdade, mais do que qualquer outra, ela é inestimável e de fato fundamental para a realização de potenciais humanos mais elevados, interiores. As tecnologias não constituem meros auxílios exteriores, mas, sim, transformações interiores da consciência, e mais ainda quando afeitas à palavra. [...] A escrita aumenta a consciência.” (p.98)
Ao se propriar da escrita, portanto, a pessoa descobre novas formas de organizar seu arcabouço cognitivo.
Entre outras coisas, isso faz pensar no crime que é cometido toda vez que uma criança sai da escola com um diploma, mas é incapaz de escrever uma mensagem minimamente inteligível. Ela será privada de se apropriar do poder da escrita, que lhe garantiria o direito de reivindicar seu status de cidadã.

A obra, como o próprio nome declara, faz uma análise comparativa entre a cultura oral e a cultura escrita.

O capítulo 4, chamado ‘A escrita reestrutura a consciência’, de certa forma diz muito sobre o que espero deste blog. Cito um trecho:

“A escrita, em seu sentido comum, foi e é a mais importante de todas as invenções humanas. Não é um mero apêndice da fala. Em virtude de mover a fala do mundo oral-auricular para um novo mundo sensorial, o da visão, ela transforma tanto a fala quanto o pensamento.” (p.100)

E mais:

“Dizer que a escrita é artificial não é condená-la, mas elogiá-la. Como outras criações artificiais, e, na verdade, mais do que qualquer outra, ela é inestimável e de fato fundamental para a realização de potenciais humanos mais elevados, interiores. As tecnologias não constituem meros auxílios exteriores, mas, sim, transformações interiores da consciência, e mais ainda quando afeitas à palavra. [...] A escrita aumenta a consciência.” (p.98)

Ao se propriar da escrita, portanto, a pessoa descobre novas formas de organizar seu arcabouço cognitivo.

Entre outras coisas, isso faz pensar no crime que é cometido toda vez que uma criança sai da escola com um diploma, mas é incapaz de escrever uma mensagem minimamente inteligível. Ela será privada de se apropriar do poder da escrita, que lhe garantiria o direito de reivindicar seu status de cidadã.

VN:F [1.9.5_1105]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.5_1105]
Rating: -1 (from 1 vote)