Wikipédia: onde o 2.0 encontra a tradição?

Um dos ícones da Web 2.0 pelo fato de seu conteúdo ser produto de colaboradores anônimos, a Wikipédia recentemente ultrapassou a marca de 3 milhões de verbetes na sua versão em língua inglesa. Visitado por 60 milhões de americanos a cada mês, seu site é um sucesso de audiência, estando entre os 10 mais populares da Internet.

Mas esse sucesso não desobriga seus gestores de mexer no time que está ganhando – muito pelo contrário! – e uma novidade está para ser implementada na ferramenta: um sistema de edição, feito por editores voluntários experientes, impedirá a publicação de informações imprecisas, falsas ou ofensivas, que poderiam trazer à Wikimedia Foundation danos mais vultosos do que apenas à imagem.

A grita contra o controle editorial da informação em uma ferramenta 2.0 promete ser grande, mas, segundo o pesquisador Ed H. Chi, do Centro de Pesquisa de Palo Alto, a Wikipédia já abrigava editores experientes que restrigiam a publicação por novatos, o que contradiz a frase encontrada na home de seu site: ‘the free encyclopedia that anyone can edit’ (‘a enciclopédia gratuita que qualquer um pode editar’).

Com ou sem resistência às novidades, o que se sabe é que a Wikipédia faz parte do arsenal de ferramentas de consulta dos usuários da Web e precisará encontrar formas de assegurar a confiabilidade da informação publicada, uma responsabilidade reconhecida por Jimmy Wales, um de seus fundadores.

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Onde as classes se encontram

Segundo pesquisa sobre hábitos na Internet feita pelo Instituto Informa sob encomenda da agência Binder/FC+M, as diferenças entre as classes sociais no Brasil tendem a se reduzir quando o assunto é uso de mídias sociais pelos jovens.

Dos cerca de 500 rapazes e moças brasileiros de 27 capitais consultados, o uso do Orkut está nos hábitos de 20% da classe A e 15% da classe C, sendo que o site social empata nas duas classes como o mais visitado em 63%, disparado acima do YouTube (A: 8%; C:10%).

Mas as diferenças se insinuam de outras formas:

  1. Uma vez que o Orkut se tornou extremamente popular, a classe média alta começa a migrar para o Facebook a fim de buscar alguma diferenciação;
  2. O significado atribuído pelos jovens ao fato de estarem na rede também varia em função da classe: para a classe A é uma oportunidade de autoexpressão, enquanto que a classe C é uma forma de crescimento pessoal;
  3. A classe A (21%) lê mais na rede do que na C (14%), sendo que os blogs são mais lidos por jovens da região Sudeste (15%).

Fonte: BALBIO, M. Encontro de geração. Revista O Globo. 30 ago. 2009. p. 20-21.

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Twitter é CMC 2

No ano em que o Twitter foi criado (2006), um estudo de Java, Finin, Song e Tseng indicou que os 76 mil usuários de sua amostra usavam a ferramenta de microblogging, predominantemente, para descrever sua rotina diária, como se de fato tentassem responder a pergunta ‘O que você está fazendo?’.

Outros usos identificados na época foram a conversação (21% na amostra), sugerida pela presença do sinal ‘@’ para identificar destinatários das mensagens; o compartilhamento de informações e URLs (13% na amostra) e a propagação de notícias.

Um estudo mais recente, de Honeycutt e Herring, sugere que o Twitter vem cada vez mais assumindo o papel de ferramenta de conversação e indica um potencial para criação de ambientes formais de colaboração. Algo semelhante ao que já ocorre com as ferramentas de comunicação instantânea, mas com o benefício específico, por exemplo, da postagem via telefonia celular.

De certa forma, essa descoberta reforça minha visão do Twitter como ferramenta de comunicação (CMC) em contraste com os blogs, que seriam ferramentas de publicação (PMC).

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Qual o tamanho de sua ‘rede que importa’?

Leia o post anterior e responda a pesquisa abaixo:

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Amigos ou Conhecidos: quais as redes que importam?

Um estudo recente de Huberman, Romero e Wu traz revelações interessantes sobre a dinâmica das interações no Twitter:

A quantidade de posts de um usuário parece aumentar conforme aumenta o número de seguidores, seguidos e amigos, mas:

  1. eventualmente se estabilizará se o número de seguidores e seguidos continuar aumentando;
  2. não se estabilizará se o número de amigos continuar aumentando.

Uma vez que a quantidade de amigos costuma ser muito menor que a de seguidores e seguidos declarados, a interação regular ocorrerá apenas dentro de um círculo de relacionamento menor do que seria possível supor apenas pela consulta ao número de seguidores/seguidos do perfil de um usuário.

Os pesquisadores sugerem que esses fatos são extremamente relevantes, pois revelam a existência de redes ocultas, provavelmente mantidas por meio de mensagens privadas (Direct Messages), de grande valor na difusão, pelo tradicional boca a boca, de ideias, crenças e tendências .

Acredito, entretanto, que não se possa negligenciar o valor das redes maiores, compostas de grandes números de seguidores e seguidos com os quais não se mantenha interação regular.

Graças à horizontalização permitida pelo Twitter, um usuário pode ter entre seus seguidos (grandes) especialistas em áreas de seu interesse, com os quais não interagirá diretamente, que poderão exercer influência direta em sua forma de pensar e até agir. Isso também pode alimentar o boca a boca nos moldes citados anteriormente.

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