Pierre Lévy, Google e Web Semântica

O filósofo Pierre Lévy foi entrevistado, em maio deste ano, pela revista Multitudes. Na ocasião, ele falou sobre o Google, sobre padrões da Web e sob a pesquisa internacional que coordena para desenvolvimento de uma web semântica.

Lévy inicialmente reconhece o Google como a primeira ferramenta de busca a explorar, mesmo que de forma pouco sofisticada, a inteligência coletiva dos usuários da Web. A explicação é que o algoritmo do PageRank, tecnologia proprietária criada por Sergey Brin e Larry Page, valoriza os sites para os quais converge maior quantidade de links que, por sua vez, tenham sido originados de sites que também recebam muitos links.

Ao mesmo tempo que valoriza a a ‘extraordinária ambição computacional’do Google em abarcar todo o conteúdo da Web, o filósofo alerta para os riscos inerentes nesse projeto: a expisição à censura governamental, à manipulação comercial e à apropriação pelos órgãos de inteligência estatais.

Não obstante o alcance do Google, Lévy afirma que a pesquisa e a filtragem da informação ainda estão na pré-história, pois as ferramentas existentes ainda se baseiam no processamento de caracteres (palavras-chave) e não de conceitos, o que agrava o acesso irrestrito à informação quando se levam em conta o caráter multilingual da Web e as limitações dos sistemas de tradução automática disponíveis.

O entrevistado afirma que, a julgar pelas iniciativas das grandes empresas (Google, Yahoo! Microsoft etc.), que compõem o World Wide Web Consortium (W3C), o quadro não evoluirá muito, pois elas não têm por meta o desenvolvimento da inteligência coletiva da humanidade, e sim os resultados financeiros. Caberá às universidades buscar inovações que realmente tragam benefícios à sociedade, mas essas inovações exigirão a invenção de novos sistemas simbólicos.

A Web atual, segundo Lévy, é uma teia de documentos conectados por hiperlinks – uma web de dados. Ele até reconhece a existência da iniciativa do W3C de criar algo próximo de uma web semântica, mas alerta que essa iniciativa ainda estará longe de permitir a codificação da informação pelo significado de forma a garantir acesso irrestrito à inteligência coletiva da humanidade.

O que Lévy e sua equipe de pesquisadores propõem é um sistema universal de codificação das ideias e conceitos que independa das linguagens naturais, da mesma forma que, por exemplo, o formato MP3 independe da linguagem musical utilizada. Esse sistema universal originaria uma web de metadados – como nas tags criadas espontaneamente pelos blogueiros – anexa (e jamais oposta) à web de dados que já existe. Ele explica que, com o poder computacional descentralizado que temos hoje, graças à computação em nuvem, tudo o que falta é justamente o tal sistema simbólico unificador.

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Novos Usos para Mídias Sociais

A comunidade Social Media Today fez uma pesquisa com 632 de seus participantes e visitantes que, de alguma forma, estão envolvidos com mídias sociais de forma profissional.

O resultado da pesquisa foi a constatação de que as empresas hoje usam as mídias sociais mais para broadcasting, isto é, para realizar ações de marketing e RP, do que para se engajar em comunicação efetiva com seus clientes. A revelação mais significativa desse estudo, entretanto, é que há indícios de que esse quadro se inverterá no futuro, com maior tendência ao foco no engajamento.

O relatório da pesquisa divide-se em três partes:

(1) Na primeira, apresenta-se um quadro geral do uso das mídias sociais. Nesse quadro, descobre-se que marketing e RP são os usos mais frequentes, com apoio às vendas e trabalho colaborativo vindo bem atrás. Empresas grandes (> 1000 empregados) frequentemente usam as mídias sociais para comunicação interna, enquanto as empresas pequenas (até 10 empregados) usam-nas para trabalho colaborativo. A existência de profissionais dedicados também às mídias sociais ocorre em 41,2% das empresas pesquisadas. As mídias mais usadas são: LinkedIn (79%), Facebook (77%), Twitter (75%) e blogs (68%). Apesar do posicionamento menos expressivo, é para os blogs que as empresas pretendem se voltar no futuro. Isso confirmaria a profissionalização da mídia sobre a qual falou Rosana Hermann.

(2) Na segunda, o Twitter e suas aplicações são destacadas. Atualmente, as empresas que utilizam a rede social o fazem para divulgar notícias quentes e apresentar uma face mais ‘pessoal’ de sua marca. A expectativa é que, no futuro, essas empresas passem a priorizar o engajamento, a criação de um relacionamento mais direto com seus clientes. Poucas empresas usam o Twitter para comunicação interna, e as que o fazem priorizam o compartilhamento de informações, conhecimentos e recursos, bem como para o networking.

(3) Na terceira, faz-se um apanhado das quatro funções gerais de mídias como Facebook e LinkedIn nas organizações.

(a) Vendas: Manter contatos com clientes e entender suas atitudes são os usos principais dessas mídias nas empresas. A tendência é que no futuro elas se dediquem à comunicação direta e à prospecção de vendas com foco em novos clientes autoidentificados ou conquistados nas redes sociais. A ideia por trás dessa tendência é que por meio da conversação genuína se chega à compreensão do que o cliente pensa sobre a marca, de seus valores e interesses e se obtém uma aproximação mais pessoal que pode trazer resultados. É importante lembrar que as pessoas estão nas redes para socializar e não para sofrer assédio de vendendores, o qual, quando ocorre, pode ter resultados negativos imprevisíveis.

(b) Marketing: Metade das organizações que usam essas redes o faz para autopromoção por meio de mensagens, para monitorar tendências dos consumidores e para oferecer um canal de comunicação com seus clientes. Cerca de 34% o faz para pesquisar ideias para novos produtos. A tendência futura é de ampliar o uso das redes como canal de comunicação direta com os clientes, o que se apresenta como uma necessidade para organizações que não queiram perder o espaço para os concorrentes.

(c) Relações Públicas: Manter uma página com o perfil da organização, distribuição de press releases e notícias, monitorar e responder às menções sobre a organização e seus produtos e interagir com blogueiros e jornalistas são os usos mais comuns nesta área. A visão é que os usos futuros continuem nessa linha.

(d) Comunicação Interna: As redes são usadas para compartilhar documentos e manter a comunicação entre equipes de trabalho, mas a visão de futuro tende a favorecer menos o primeiro uso.

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Índices de Popularidade no Twitter

O mapeamento das redes de relacionamento vem começando a me interessar, mas não pelo fator vaidade, para descobrir se meu perfil é ou não popular.

Quero saber se o mapeamento dos vínculos permite descobrir algo sobre como os relacionamentos estimulam a aprendizagem.

Enquanto não avanço nisso, descobri o TFF Ratio, uma ferramenta que calcula o índice de popularidade a partir da relação entre seguidores e seguidos.

A lógica é que quanto maior for a razão mais popular você será, mas isso pode não ser necessariamente bom, como o site explica nos índices que traduzo abaixo:

  • <1.0 = Você está em busca de conhecimento e amigos, mas sem muito sucesso.
  • ~1.0 = Você é respeitado. Isso significa que você ‘escuta’ as pessoas e é ‘escutado’ por elas.
  • 2.0+ = Você e popular e as pessoas querem saber o que você tem a dizer. Talvez seja um líder na sua comunidade.
  • 10.0+= Você é uma estrela do rock ou um elitista que não quer perder tempo com papo furado e talvez goste de ‘ouvir sua própria voz’. Ainda bem que as pessoas também gostam.

Acompanhe aqui o histórico do meu TFF.

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A Revolução das Mídias Sociais

Não sei se os dados são confiáveis, mas a mensagem é clara: as mídias sociais são o novo continente ainda por mapear. Obrigado, @cronai.

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Redes em Guerra

A competição entre as redes sociais, ou melhor, entre as empresas por trás delas, tem aumentado de forma perceptível nos últimos meses.

Mark Zuckerberg, criador do Facebook, acabou de visitar o Brasil, único país onde o Orkut, rede social do Google, é soberana, contando com mais de 35 milhões de usuários.

O Twitter, rede existente desde 2006 que só neste ano alcançou destaque, tem apenas 32 milhões de usuários, nem chegando perto dos 250 milhões do Facebook, mas vem crescendo muito rapidamente.

Para Maurício Moraes, a visita de Zuckerberg talvez não traga resultados significativos, pois o Facebook, com seus critérios de privacidade e aplicativos embutidos, não traz nenhuma novidade que o Orkut já não ofereça, logo a vitória dessa guerra, no Brasil, provavelmente será do Google.

Mas é justamente com o Google, a ferramenta de busca, e não com o Orkut, que o Twitter parece estar concorrendo. Pelo menos é isso que se deduz da reformulação recente por que passou a página inicial dessa rede.

Agora, ela privilegia as buscas. Como se sabe que o diferencial do Twitter em relação ao Google é significativo – ele tem sua própria base de dados e permite a obtenção de resultados oriundos de filtragem social e quase em tempo real – a empresa de Brin e Page terá novamente de inovar no quesito buscas relevantes.

Por fim, um novo entrante se insinua: o Yahoo! sinalizou a intenção de lançar sua própria ferramenta de microblogging.

Uma batalha como nunca antes se viu parece surgir no horizonte, só que, desta vez, parece que nós teremos muito a ganhar.

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