O Twitter é uma comunidade?

A resposta não é simples.

O termo ‘comunidade’ aparentemente pressupõe a existência de vínculos fortes entre as pessoas: interesses, necessidades, sonhos comuns. Se analisarmos o Twitter sob esta lente, será difícil dizer que exista uma comunidade, pois há interesses, necessidades, sonhos diversos e muitas vezes conflitantes.

As grandes empresas, por exemplo, podem ter criado perfis para ter um contato mais próximo com seus clientes. Ou podem simplesmente ter contratado consultorias apenas para monitorar o que esses clientes dizem sobre suas marcas. Neste caso, claro, a finalidade é saber o que esses clientes desejam para que elas possam vender mais. De um lado está a comunicação bilateral supostamente benéfica para ambos os lados; de outro, o lucro.

Mas podemos analisar as comunidades também a partir do caldo cultural comum que une seus membros e que é também por eles criado. Analisado sob essa lente, o Twitter pode, sim, ser considerado uma comunidade. E passa no teste com louvor! Basta, para isso, considerarmos que as funcionalidades mais básicas – o uso de ‘@’ para identificar destinatários e de RT para sinalizar encaminhamento – foram criadas pelos usuários e só depois incorporadas pelos gestores ao próprio sistema.

Outro item do caldo cultural que merece ser citado é o Follow Friday, a autêntica tradição de indicar à coletividade os perfis de confiança, de qualidade ou simplesmente que se deseja destacar.

Considerando que existem os dois lados – as tensões conflitantes e o caldo comum – talvez seja mais justo dizer que o Twitter espelha no ‘virtual’ aquilo que vemos no ‘real’/físico: uma supracultura globalizada que permite o surgimento de subculturas locais ou globalizadas ligeiramente diversas da matriz, mas ainda assim submetidas aos seus princípios organizadores.

A metáfora é um tanto precária, admito, mas parece fazer sentido.

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: +2 (from 2 votes)