O Twitter é uma comunidade?
A resposta não é simples.
O termo ‘comunidade’ aparentemente pressupõe a existência de vínculos fortes entre as pessoas: interesses, necessidades, sonhos comuns. Se analisarmos o Twitter sob esta lente, será difícil dizer que exista uma comunidade, pois há interesses, necessidades, sonhos diversos e muitas vezes conflitantes.
As grandes empresas, por exemplo, podem ter criado perfis para ter um contato mais próximo com seus clientes. Ou podem simplesmente ter contratado consultorias apenas para monitorar o que esses clientes dizem sobre suas marcas. Neste caso, claro, a finalidade é saber o que esses clientes desejam para que elas possam vender mais. De um lado está a comunicação bilateral supostamente benéfica para ambos os lados; de outro, o lucro.
Mas podemos analisar as comunidades também a partir do caldo cultural comum que une seus membros e que é também por eles criado. Analisado sob essa lente, o Twitter pode, sim, ser considerado uma comunidade. E passa no teste com louvor! Basta, para isso, considerarmos que as funcionalidades mais básicas – o uso de ‘@’ para identificar destinatários e de RT para sinalizar encaminhamento – foram criadas pelos usuários e só depois incorporadas pelos gestores ao próprio sistema.
Outro item do caldo cultural que merece ser citado é o Follow Friday, a autêntica tradição de indicar à coletividade os perfis de confiança, de qualidade ou simplesmente que se deseja destacar.
Considerando que existem os dois lados – as tensões conflitantes e o caldo comum – talvez seja mais justo dizer que o Twitter espelha no ‘virtual’ aquilo que vemos no ‘real’/físico: uma supracultura globalizada que permite o surgimento de subculturas locais ou globalizadas ligeiramente diversas da matriz, mas ainda assim submetidas aos seus princípios organizadores.
A metáfora é um tanto precária, admito, mas parece fazer sentido.
By Johnny Cantarelli, 26 de Março de 2010 @ 19:24
Olá Jose Paulo, a resposta pode ser um simples “não” se olharmos pelo aspecto de que o Twitter é apenas uma ferramenta que viabiliza as interações entre os elementos das comunidades, numa velocidade e abrangência poucas vezes verificada no mundo 2.0. As empresas, no meu ponto de vista, são (ou deveriam ser)apenas mais um nodo das redes sociais nas quais tem interesse em participar, assim como nós consumidores. Entendo também que mais do que o espelhamento no “virtual” o Twitter e outras ferramentas 2.0 exponencializam o poder de criação de sub-grupos culturais e supracultura globalizada como você bem descreve. Muito bom, o tema. Até a próxima!