Category: Empresas

Facebook dá as caras

A visita de Mark Zuckerberg ao Brasil em agosto foi parte da estratégia do executivo do Facebook de conhecer os países onde sua ferramenta começa a despontar nas estatísticas de usuários. Isso é o que se declara em matéria publicada na revista Época Negócios deste mês.

Levando em conta a facilidade dos brasileiros para aderir às redes sociais, e que o número de usuários no país chegou a 1,3 milhão recentemente, concluímos que essa visita foi coberta de segundas intenções.

Os números impressionam: com 250 milhões de usuários, 70% deles fora dos Estados Unidos, o Facebook é a maior rede do mundo, posição que alcançou em agosto de 2008 após desbancar a líder MySpace. Só no primeiro semestre deste ano, 100 milhões de novos perfis foram criados – quase a população do México. Diariamente, mais de um bilhão de fotos são publicadas na ferramenta, o que a torna a maior fonte de compartilhamento de imagens existente.

Seu sucesso crescente é explicado, entre outros motivos, pela possibilidade de adaptação do ambiente ao vários idiomas (o que o Twitter ainda não permite) e de agregação de aplicativos desenvolvidos por terceiros, o que a empresa, inclusive, incentiva por meio de um fundo de US$ 10 milhões.

Empresas como Coca-Cola, Ford, Pepsi, Unilever e Ernst & Young marcam presença com propósitos que vão do monitoramento de imagem, passando por atendimento ao consumidor e chegando ao recrutamento de pessoal. Segundo a empresa, 80% dos maiores anunciantes americanos estão literalmente na sua rede.

No Brasil, país onde mais se passa tempo na Internet e onde 87% dos internautas têm perfis em redes, a porta não está tão aberta. Aqui – como também na Índia – o terreno, como se sabe, é dominado pelo Orkut, mais simples, mais popular e associado ao igualmente popular Google. Mesmo o Twitter tem mais presença, principalmente quando se fala em empresas.

O desafio de Zuckerberg é grande, bem como sua meta de desbancar os buscadores – leia-se Google – oferecendo a filtragem social em substituição aos sofisticados algoritmos de busca.

BARIFOUSE, R. Ele é o futuro da internet? In: Época Negócios. Setembro 2009. p. 100-117.

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Empresa 2.0: diferentes interpretações

A expressão ‘Empresa 2.0′ foi cunhada por Andrew MacAffee em 2006 para descrever empresas que exploravam softwares de plataformas sociais emergentes, tanto dentro de suas estruturas quanto no relacionamento com seus parceiros e clientes, para permitir a colaboração e criação de comunidades virtuais.

Alguns traços das plataformas descritas por MacAffee são hoje encontrados em diversas mídia sociais como o Twitter (indiferença a hierarquias formais) e Orkut (aceitação de muitos tipos de dados) etc.

Mas há outras interpretações para a expressão, como, por exemplo, a de Tom Graves, que acrescenta novos traços constitutivos que permitem abarcar mais do que apenas as mídias sociais colaborativas que conhecemos:

  1. Mobilidade: sistemas que permitem consulta ao estoque por meio de dispositivos portáteis como celulares;
  2. Busca e recuperação de dados: adoção da estratégia do Google (são 18 bilhões de páginas à disposição!) à recuperação de documentos corporativos;
  3. Open Source: adoção de sistemas de código aberto como forma de reduzir custos e assegurar controle de versões;
  4. Cloud Computing: acesso à informação para além da estrutura fechada de uma rede corporativa com redução de custos;
  5. Business Intelligence: exploração das informações disponíveis em bancos de dados corporativos para detecção de tendências, previsão de riscos e tomada de decisão.
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Facebookicídio?

Duas matérias recentes sobre o Facebook chamaram minha atenção.

Na primeira, publicada no New York Times, fala-se em um pequeno, mas significativo, ‘êxodo’ de usuários, não obstante os 87,7 milhões de visitantes que a rede social recebeu nos Estados Unidos apenas em julho. A razão, segundo a matéria, está na constatação de que há interesses comerciais por trás da ferramenta.

Eu pergunto: mas isso não é óbvio? Todas as mídias 2.0 que hoje permitem acesso gratuito estão em busca de um modelo de negócios que lhes dê retorno. Assim é com o YouTube e assim também será com o Facebook. A questão é que deve haver um contrato claro que ofereça aos usuários garantias de que sua privacidade seja preservada quando eles assim o desejarem.

O que eu chamo de ‘Facebookicídio’ já ocorreu há alguns anos com o Google no Brasil, mas por razões diferentes, como descrevi em um artigo.

A segunda matéria, publicada no Wall Street Journal, explica por que o Facebook ‘mata’ as amizades. Segundo Liz Bernstein, as pessoas hoje dizem que estão muito ocupadas para encontrar os amigos e mesmo para pegar o telefone e ligar para eles, mas dedicam horas às mídias sociais. Além disso, elas parecem estar alheias ao fato de que nem tudo o que publicam nas redes será do interesse dos amigos ou será interpretado corretamente ou de forma positiva.

Muito embora tudo o que Liz afirma possa ser verdade, não culparia o Facebook nem qualquer outras tecnologia. Da mesma forma que não culparia os carros potentes pelos desastres nas estradas. O uso – e o abuso – das ferramentas é praticado pelas pessoas, portanto a decisão de manter os relacionamentos saudáveis também deve ser delas.

A questão é muito mais complexa do que se apresenta.

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Pierre Lévy, Google e Web Semântica

O filósofo Pierre Lévy foi entrevistado, em maio deste ano, pela revista Multitudes. Na ocasião, ele falou sobre o Google, sobre padrões da Web e sob a pesquisa internacional que coordena para desenvolvimento de uma web semântica.

Lévy inicialmente reconhece o Google como a primeira ferramenta de busca a explorar, mesmo que de forma pouco sofisticada, a inteligência coletiva dos usuários da Web. A explicação é que o algoritmo do PageRank, tecnologia proprietária criada por Sergey Brin e Larry Page, valoriza os sites para os quais converge maior quantidade de links que, por sua vez, tenham sido originados de sites que também recebam muitos links.

Ao mesmo tempo que valoriza a a ‘extraordinária ambição computacional’do Google em abarcar todo o conteúdo da Web, o filósofo alerta para os riscos inerentes nesse projeto: a expisição à censura governamental, à manipulação comercial e à apropriação pelos órgãos de inteligência estatais.

Não obstante o alcance do Google, Lévy afirma que a pesquisa e a filtragem da informação ainda estão na pré-história, pois as ferramentas existentes ainda se baseiam no processamento de caracteres (palavras-chave) e não de conceitos, o que agrava o acesso irrestrito à informação quando se levam em conta o caráter multilingual da Web e as limitações dos sistemas de tradução automática disponíveis.

O entrevistado afirma que, a julgar pelas iniciativas das grandes empresas (Google, Yahoo! Microsoft etc.), que compõem o World Wide Web Consortium (W3C), o quadro não evoluirá muito, pois elas não têm por meta o desenvolvimento da inteligência coletiva da humanidade, e sim os resultados financeiros. Caberá às universidades buscar inovações que realmente tragam benefícios à sociedade, mas essas inovações exigirão a invenção de novos sistemas simbólicos.

A Web atual, segundo Lévy, é uma teia de documentos conectados por hiperlinks – uma web de dados. Ele até reconhece a existência da iniciativa do W3C de criar algo próximo de uma web semântica, mas alerta que essa iniciativa ainda estará longe de permitir a codificação da informação pelo significado de forma a garantir acesso irrestrito à inteligência coletiva da humanidade.

O que Lévy e sua equipe de pesquisadores propõem é um sistema universal de codificação das ideias e conceitos que independa das linguagens naturais, da mesma forma que, por exemplo, o formato MP3 independe da linguagem musical utilizada. Esse sistema universal originaria uma web de metadados – como nas tags criadas espontaneamente pelos blogueiros – anexa (e jamais oposta) à web de dados que já existe. Ele explica que, com o poder computacional descentralizado que temos hoje, graças à computação em nuvem, tudo o que falta é justamente o tal sistema simbólico unificador.

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Novos Usos para Mídias Sociais

A comunidade Social Media Today fez uma pesquisa com 632 de seus participantes e visitantes que, de alguma forma, estão envolvidos com mídias sociais de forma profissional.

O resultado da pesquisa foi a constatação de que as empresas hoje usam as mídias sociais mais para broadcasting, isto é, para realizar ações de marketing e RP, do que para se engajar em comunicação efetiva com seus clientes. A revelação mais significativa desse estudo, entretanto, é que há indícios de que esse quadro se inverterá no futuro, com maior tendência ao foco no engajamento.

O relatório da pesquisa divide-se em três partes:

(1) Na primeira, apresenta-se um quadro geral do uso das mídias sociais. Nesse quadro, descobre-se que marketing e RP são os usos mais frequentes, com apoio às vendas e trabalho colaborativo vindo bem atrás. Empresas grandes (> 1000 empregados) frequentemente usam as mídias sociais para comunicação interna, enquanto as empresas pequenas (até 10 empregados) usam-nas para trabalho colaborativo. A existência de profissionais dedicados também às mídias sociais ocorre em 41,2% das empresas pesquisadas. As mídias mais usadas são: LinkedIn (79%), Facebook (77%), Twitter (75%) e blogs (68%). Apesar do posicionamento menos expressivo, é para os blogs que as empresas pretendem se voltar no futuro. Isso confirmaria a profissionalização da mídia sobre a qual falou Rosana Hermann.

(2) Na segunda, o Twitter e suas aplicações são destacadas. Atualmente, as empresas que utilizam a rede social o fazem para divulgar notícias quentes e apresentar uma face mais ‘pessoal’ de sua marca. A expectativa é que, no futuro, essas empresas passem a priorizar o engajamento, a criação de um relacionamento mais direto com seus clientes. Poucas empresas usam o Twitter para comunicação interna, e as que o fazem priorizam o compartilhamento de informações, conhecimentos e recursos, bem como para o networking.

(3) Na terceira, faz-se um apanhado das quatro funções gerais de mídias como Facebook e LinkedIn nas organizações.

(a) Vendas: Manter contatos com clientes e entender suas atitudes são os usos principais dessas mídias nas empresas. A tendência é que no futuro elas se dediquem à comunicação direta e à prospecção de vendas com foco em novos clientes autoidentificados ou conquistados nas redes sociais. A ideia por trás dessa tendência é que por meio da conversação genuína se chega à compreensão do que o cliente pensa sobre a marca, de seus valores e interesses e se obtém uma aproximação mais pessoal que pode trazer resultados. É importante lembrar que as pessoas estão nas redes para socializar e não para sofrer assédio de vendendores, o qual, quando ocorre, pode ter resultados negativos imprevisíveis.

(b) Marketing: Metade das organizações que usam essas redes o faz para autopromoção por meio de mensagens, para monitorar tendências dos consumidores e para oferecer um canal de comunicação com seus clientes. Cerca de 34% o faz para pesquisar ideias para novos produtos. A tendência futura é de ampliar o uso das redes como canal de comunicação direta com os clientes, o que se apresenta como uma necessidade para organizações que não queiram perder o espaço para os concorrentes.

(c) Relações Públicas: Manter uma página com o perfil da organização, distribuição de press releases e notícias, monitorar e responder às menções sobre a organização e seus produtos e interagir com blogueiros e jornalistas são os usos mais comuns nesta área. A visão é que os usos futuros continuem nessa linha.

(d) Comunicação Interna: As redes são usadas para compartilhar documentos e manter a comunicação entre equipes de trabalho, mas a visão de futuro tende a favorecer menos o primeiro uso.

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