Category: Governo

Ainda o Blog do Planalto

A polêmica sobre o Blog do Planalto frequentou as redes sociais e noticiários esta semana.

A principal crítica feita pelos especialistas e veteranos das mídias sociais foi a respeito da unidirecionalidade adotada na ferramenta, isto é, da impossibilidade de os leitores comentarem as informações publicadas.

Trata-se de uma decisão tomada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), gestora da ferramenta, que a apresenta como “o novo canal de comunicação do governo com a sociedade” e “um primeiro passo para estabelecermos um diálogo cada vez mais próximo e informal entre governo e sociedade”.

Se essas declarações de propósitos devem ser levadas ao pé da letra, as críticas têm fundamento, pois só se estabelece comunicação dialógica quando o canal está aberto dos dois lados, emissor e receptor, dando ao receptor a possibilidade de também assumir o papel de emissor.

Mas o mesmo texto declaratório informa que o blog será para “compartilhar [...] informações sobre o cotidiano da Presidência da República”, isto é, será (também) uma ferramenta de informação.

Dessa forma, uma vez que a vertente de comunicação ainda não está habilitada, pode-se considerar que o Blog do Planalto é apenas uma ferramenta de informação (ou PMC), no tradicional estilo ‘broadcasting’, isto é, de um para muitos.

Quando a comunicação estiver, enfim, habilitada, o “boa leitura!” da frase final poderá ser atualizado para “vamos conversar!”.

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eGov Brasileiro começa a ser 2.0?

Desde o dia 7 de agosto, o Ministério da Educação vem usando o Twitter para divulgar notícias e informações publicadas em seu portal, “além de links para vídeos publicitários, institucionais, transmissões ao vivo da TV MEC e atualizações da Rede de Comunicadores da Educação”.

A iniciativa demonstra que o ‘eGov brasileiro’ parece estar antenado às novas tendências da comunicação entre instituições e o público, afinal o Twitter tem tido um crescimento significativo em nosso país e com uma base de usuários cujo perfil é de formadores de opinião.

Mas, se o Ministério ficar restrito à divulgação à la broadcasting unilateral, o melhor da ferramenta não terá sido explorado: a possibilidade de criar redes de educadores dispostos a colaborar e divulgar boas práticas que deveriam ser conhecidas em todo o país.

A iniciativa é estimulante, mas precisa ser explorada de forma menos tímida.

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Governo Eletrônico 2.0

A McKinsey publicou um artigo de Baumgarten e Chui em que aborda os obstáculos ao sucesso das iniciativas de governo eletrônico. Embora o foco sejam iniciativas dos Estados Unidos, eles alertam que as questões relevantes podem ser aplicáveis a qualquer país, portanto precisamos saber o que eles têm a dizer.

Para os autores três fatores limitam o sucesso das iniciativas de governo eletrônico:

  1. Práticas de governança confusas e ineficientes, traduzindo-se, por exemplo, em serviços web de um mesmo órgão não consolidados em um portal único, o que obriga os cidadãos a ter múltiplos perfis de usuário em sites diferentes;
  2. Carência de profissionais técnicos qualificados para desenvolver e aperfeiçoar os serviços;
  3. Dificuldade para adoção do paradigma 2.0 mesmo em órgãos que já superaram as limitações anteriores, principalmente por causa de preocupações com segurança.

A superação dos fatores 1 e 2, para Baumgarten e Chui, facilita a superação do fator 3, o qual exige também uma radical mudança de perspectiva no sentido de considerar cidadãos, empresas e outros órgãos de governo como parceiros na criação de novos serviços e de conteúdo relevante.

O sucesso dependerá de uma estrutura de gestão bem organizada, tecnicamente capacitada e apoiada por informações (não suposições) que permitam a tomada de decisão.

Os autores citam alguns casos de sucesso, dentre os quais o Apps for Democracy de Washington DC, que economizou milhares de dólares graças ao desenvolvimento de serviços web por cidadãos com benefícios para a própria comunidade local.

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