Posts tagged: 2.0

Governo Eletrônico 2.0

A McKinsey publicou um artigo de Baumgarten e Chui em que aborda os obstáculos ao sucesso das iniciativas de governo eletrônico. Embora o foco sejam iniciativas dos Estados Unidos, eles alertam que as questões relevantes podem ser aplicáveis a qualquer país, portanto precisamos saber o que eles têm a dizer.

Para os autores três fatores limitam o sucesso das iniciativas de governo eletrônico:

  1. Práticas de governança confusas e ineficientes, traduzindo-se, por exemplo, em serviços web de um mesmo órgão não consolidados em um portal único, o que obriga os cidadãos a ter múltiplos perfis de usuário em sites diferentes;
  2. Carência de profissionais técnicos qualificados para desenvolver e aperfeiçoar os serviços;
  3. Dificuldade para adoção do paradigma 2.0 mesmo em órgãos que já superaram as limitações anteriores, principalmente por causa de preocupações com segurança.

A superação dos fatores 1 e 2, para Baumgarten e Chui, facilita a superação do fator 3, o qual exige também uma radical mudança de perspectiva no sentido de considerar cidadãos, empresas e outros órgãos de governo como parceiros na criação de novos serviços e de conteúdo relevante.

O sucesso dependerá de uma estrutura de gestão bem organizada, tecnicamente capacitada e apoiada por informações (não suposições) que permitam a tomada de decisão.

Os autores citam alguns casos de sucesso, dentre os quais o Apps for Democracy de Washington DC, que economizou milhares de dólares graças ao desenvolvimento de serviços web por cidadãos com benefícios para a própria comunidade local.

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Nielsen e as Intranets 2.0

A coluna mais recente de Jakob Nielsen aborda a inclusão de ferramentas de suporte às redes sociais nas intranets corporativas.

Nielsen afirma que a inclusão das ferramentas, mesmo que encontrando resistência de algumas empresas, é esperado devido à entrada da Geração Y no mercado de trabalho. Os jovens dessa geração já estão acostumados a usar essas ferramentas (YouTube, Wikipedia, Facebook, Twitter, blogs) na vida cotidiana, logo deverão esperar encontrar essas ferramentas também nas empresas onde trabalharem.

Nielsen alerta que o processo não se restringe à adoção de ferramentas – não importa quais -, mas deve ser encarado como a busca de uma solução para uma demanda do negócio e que cada empresa terá necessidade de uma ou/e outra ferramenta, mas não de todas.

Ele relaciona, enfim, alguns fatores interessantes como resultado de uma pesquisa envolvendo 14 empresas, de 6 países, que já têm Intranets 2.0:

  1. A Intranet 2.0 costuma surgir e crescer na empresa como uma iniciativa ‘sem patrocínio’ até que demonstre seu valor à alta hierarquia;
  2. A alta hierarquia raramente tem entre seus membros representantes da Geração Y, portanto são os empregados da ponta os que aderem mais facilmente e ‘levantam a bandeira’;
  3. As comunidades formadas por meio dessas ferramentas costumam ser ‘autopoliciadas’, dispensando medidas de segurança drásticas. Basta que haja algum treinamento sobre a conduta apropriada e que não se permita o anonimato;
  4. A Intranet 2.0 tem a ver com a comunicação, mas também com negócios, portanto é necessário que alguém fique oficialmente responsável por garantir que os produtos dessa comunicação retroalimentem as áreas de negócio;
  5. As ferramentas devem ser integradas de forma natural aos recursos de Intranet já existentes, de forma que os empregados não precisem ter informações duplicadas em diferentes ambientes.

A implantação de uma Intranet 2.0 não é um processo simples nem tampouco rápido e depende muito da cultura da empresa. Naquelas em que os empregados percebem que a informação tem mais valor quando é guardada, uma iniciativa dessa natureza pode resultar em fracasso.

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Culto do amador

Depois de ler o livro do Hewitt, tive de ler o do Keen para ter os dois pontos vista sobre as tecnologias 2.0.

Dito assim, até parece que os pontos de vista são radicalmente opostos. E quase que são mesmo.

Keen investe sete capítulos de oito para descrever, com dados e referências, por que “blogs, MySpace, YouTube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, culturas e valores” (são palavras dele, não minhas, fique claro).

Mas Keen não é um neoludita, como deixa claro (apenas) no último capítulo, quando enxerga saídas para que as novas tecnologias convivam de forma saudável com as mídias tradicionais.

Ainda que sob o risco de simplificar excessivamente a interpretação da obra de Keen, diria que ele parece pôr toda a culpa nas tecnologias, demonizando-as como se tivessem um poder oculto de despertar os nossos piores instintos/pecados: mentira, luxúria, cobiça.

Mas nós sabemos que os vícios supostamente estimulados pelas tecnologias 2.0 sempre estiveram aí, muito antes mesmo de a Internet se tornar popular. Afinal, antes que se pudesse copiar ilegalmente os CDs para distribuição nas redes P2P, já se copiavam ilegalmente os LPs por meio de fitas magnéticas, não é verdade?

O que ocorreu de fato foi um aumento de volume das práticas ilegais, mas, se elas sempre estiveram presentes de alguma forma e não conseguiram destruir nossa economia, cultura e valores, por que as tecnologias atuais conseguiriam fazê-lo?

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Escrita e Poder 2

Desde que foi inventada, provavelmente para permitir a manutenção de registros comerciais, a escrita sempre esteve, de alguma forma, associada ao poder.

Estatueta de escriba egípcio

Estatueta de escriba egípcio

Nas civilizações antigas, os escribas detinham o poder da escrita, pois o domínio dessa tecnologia era de conhecimento restrito. Esse poder aproximava os escribas das classes dominantes (reis, faraós etc.), que sancionavam as informações que deveriam ser registradas. Assim poucos tinham o poder de decidir o que seria ou não registrado e poucos tinham o poder (a capacidade) de fazer esse registro.

No mundo moderno, apesar de as tecnologias 2.0 terem oferecido a todas as pessoas a capacidade de se tornarem autoras de seus próprios textos, ainda sobrevivem instâncias nas quais a escrita se apresenta como uma tecnologia para registro e circulação de informações cujo acesso é restrito. Um exemplo disso ocorre na instituição que chamamos de academia.

Artigos, monografias, dissertações e teses são os nomes de alguns gêneros textuais altamente ritualizados pelos quais o conhecimento produzido nas diversas ciências passa pelo crivo de corpos editoriais e bancas examinadoras, formadas por autoridades já referendadas por pares dentro da própria academia.

Não há aqui uma crítica, mas um preâmbulo para tentar explicar o que estaria por trás de uma história que ouvi há alguns dias e que, por motivos éticos, relato aqui sem dar os nomes aos ‘personagens’.

A história começa quando um professor entrevista um conhecido filósofo e pergunta por que este não tem um blog. A resposta do entrevistado é contundente: “não estou interessado em investir meu tempo e esforço em textos efêmeros”.

Passado o (meu) choque, uma vez que reconheço tal filósofo como alguém que valoriza as novas tecnologias, busquei entender o que ele poderia ter querido dizer com ‘textos efêmeros’.

Encontrei duas justificativas que podem muito bem ser equivocadas:

(a) O filósofo, isso é fato, vive em uma cultura altamente letrada na qual os textos circulam de forma bastante fluente. Nessa cultura, as ideias precisam ser depuradas, aprofundadas antes que adquiram a forma final, que deverá ser registrada pela escrita e impressa;
(b) O filósofo teme que seus textos sejam indevidamente apropriados por estranhos que não lhe reconhecerão a autoria das ideias. Trata-se do medo do plágio, que gera muitas ‘histórias de horror’ na academia.

Talvez a resposta do filósofo seja explicável por uma combinação das duas justificativas acima, mas teimo (é a leitura que quero fazer) em ver a segunda explicação como a mais provável.

Reconheço que o medo do plágio é grande e afeta a todos na academia e sei que a Internet é fonte quase inesgotável de textos que podem sofrer apropriação indébita por pessoas inescrupulosas. Mas acredito que seja justamente a Internet a solução desse problema, e ela pode estar nos blogs.

Ao publicar uma ideia inovadora no seu blog, por exemplo, o nosso filósofo poderia garantir seu direito à autoria sobre ela. Se ele é realmente uma pessoa conhecida, seu blog terá milhares de leitores, que saberão ser dele a autoria da ideia inovadora. Isso dificultará que um espertalhão venha reivindicar a autoria indevida sem o risco de ser desmascarado.

Resta saber se acadêmicos como o nosso filósofo estão dispostos a ‘quebrar essa barreira’ e passar a realmente partilhar suas ideias, permitindo-se realmente construir o conhecimento em rede.

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Dois.Zero

Segundo a Wikipedia, o termo Web 2.0 foi criado em 2004 por uma empresa americana para reconhecer a emergência de uma segunda geração de tecnologias ditas sociais, tais como os wikis, o Orkut, o Facebook, os blogs e, mais recentemente, o Twitter.

Todas essas tecnologias têm algo em comum: a informação produzida pelos usuários e a possibilidade de criação de comunidades em torno de uma área comum de interesse.

Mas, como muitos experimentadores puderam verificar, não se trata de um contexto em que se possa dizer ‘construa que eles virão’. Às vezes, ‘eles’ vêm, mas não ficam, as comunidades não sobrevivem, não se tem nada a dizer (nem a trocar) e as ferramentas ficam apenas como potencial não realizado.

Talvez o que se queira dizer quando se fala de Web 2.0 (ou qualquer coisa 2.0) é que o valor não está no hardware nem no software, mas no humanware ou, melhor, no peopleware.

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