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Utopias Mortas

Estou lendo De Cuba, com carinho, da blogueira Yoani Sánchez, obra que recomendo a todos.

Transcrevo aqui um dos trechos da obra que mais me tocou, na verdade um dos posts de seu blog Generación Y:

A utopia imposta
Habito uma utopia que não é minha. Diante dela, os meus avós se persignaram e os meus pais entregaram os seus melhores anos. Eu a levo sobre os ombros sem poder sacudi-la.

Algumas pessoas que não a vivenciam tentam me convencer – a distância – de que eu devo conservá-la. Porém, é alienante viver uma ilusão alheia, carregar o peso daquilo que outros sonharam.

Aos que me impuseram – sem me consultar – essa miragem, quero avisar, desde agora, que não pretendo deixá-la de herança para meus filhos.

SÁNCHES, Y. De Cuba, com carinho. Tradução de Benivaldo Araújo e Carlos Donato Petrolini Jr.  São Paulo: Contexto, 2009, p. 161-162.

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Ainda o Blog do Planalto

A polêmica sobre o Blog do Planalto frequentou as redes sociais e noticiários esta semana.

A principal crítica feita pelos especialistas e veteranos das mídias sociais foi a respeito da unidirecionalidade adotada na ferramenta, isto é, da impossibilidade de os leitores comentarem as informações publicadas.

Trata-se de uma decisão tomada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), gestora da ferramenta, que a apresenta como “o novo canal de comunicação do governo com a sociedade” e “um primeiro passo para estabelecermos um diálogo cada vez mais próximo e informal entre governo e sociedade”.

Se essas declarações de propósitos devem ser levadas ao pé da letra, as críticas têm fundamento, pois só se estabelece comunicação dialógica quando o canal está aberto dos dois lados, emissor e receptor, dando ao receptor a possibilidade de também assumir o papel de emissor.

Mas o mesmo texto declaratório informa que o blog será para “compartilhar [...] informações sobre o cotidiano da Presidência da República”, isto é, será (também) uma ferramenta de informação.

Dessa forma, uma vez que a vertente de comunicação ainda não está habilitada, pode-se considerar que o Blog do Planalto é apenas uma ferramenta de informação (ou PMC), no tradicional estilo ‘broadcasting’, isto é, de um para muitos.

Quando a comunicação estiver, enfim, habilitada, o “boa leitura!” da frase final poderá ser atualizado para “vamos conversar!”.

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Twitter + blog

Raquel Recuero e Gabriela Zago descobriram que 77% dos participantes de sua pesquisa sobre o Twitter no Brasil também tinham blog.

Raquel sugeriu três razões para esse comportamento:

  1. O Twitter fornece a um blogueiro informações previamente coletadas e filtradas que podem alimentar novos posts de seu blog;
  2. O blogueiro pode usar o Twitter para divulgar esses novos posts para sua relação de leitores (ou seguidos);
  3. O Twitter permite ao blogueiro medir o impacto desses novos posts sobre os leitores do blog a partir dos comentários e críticas que os mesmos leitores postem no Twitter.

A pesquisadora conclui, portanto, que blogs e Twitter são, de alguma forma, complementares.

Eu me arrisco a fazer uma análise adicional: blogueiros que têm perfil no Twitter e seguem os comportamentos 2 e 3 demonstram conhecimento, mesmo que de forma incidental, de uma prática de usabilidade ao apresentar aos seus leitores níveis de aprofundamento distintos na leitura.

Assim, um leitor pode se contentar com a leitura de um post que o usuário do Twitter @fulanodetal publicou sobre o assunto assunto X e não clicar no link que direciona para o texto integral no blog desse mesmo usuário. Já outro leitor pode buscar um aprofundamento que só o blog, não limitado pela quantidade de caracteres, permite e clicar no tal link.

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Redes sociais e aprendizagem 2

Agora, sim, para refletir sobre o post que aborda o uso de redes
sociais na aprendizagem.
E vou fazê-lo citando uma ferramenta de rede social pouco falada
nestes tempos de blogs, Twitter e wikis: o Yahoo Groups!,
serviço gratuito de listas de distribuição de e-mails.
Participo de vários desses grupos e já explorei a tecnologia
durante bastante tempo para oferecer cursos quando os LMSs ainda
não eram populares.
De certa forma, minha experiência atual no Twitter faz lembrar o
que ocorria nas listas de distribuição dos meus cursos: muitas
mensagens enviadas, não raro dezenas por minuto – uma loucura
viciante.
Quando li o texto do Don Taylor, e mais especificamente um dos 3 passos propostos por Armano (Adubar), a lembrança dos cursos oferecidos com listas foi inevitável. Como também foi inevitável a lembrança da principal lição daqueles tempos:
O padrão de interação esperado na comunidade, seja ela voltada a fins educacionais ou profissionais, deve ser modelado desde o
início pelo moderador da lista. Isso quer dizer que cabe a ele
determinar, por exemplo, com que frequência as contribuições dos
participantes serão comentadas ou avaliadas – semanalmente,
diariamente, em cada hora etc.
O moderador também precisa deixar claro se os participantes poderão interagir livremente entre si ou se precisarão seguir um roteiro determinado.
Quaisquer que sejam as regras do jogo, entretanto, não bastará apenas declará-las. Será preciso demonstrá-las na prática.
Um bom resumo: em lugar de “se quer alguma coisa bem-feita, faça você mesmo”, diga “se quer alguma coisa feita à sua maneira, faça você primeiro”.

Agora, sim, para refletir sobre o post que aborda o uso de redes sociais na aprendizagem.

E vou fazê-lo citando uma ferramenta de rede social pouco falada nestes tempos de blogs, Twitter e wikis: o Yahoo Groups!, serviço gratuito de listas de distribuição de e-mails.

Participo de vários desses grupos e já explorei a tecnologia durante bastante tempo para oferecer cursos quando os LMSs ainda não eram populares.

De certa forma, minha experiência atual no Twitter faz lembrar o que ocorria nas listas de distribuição dos meus cursos: muitas mensagens enviadas, não raro dezenas por minuto – uma loucura viciante.

Quando li o texto do Don Taylor, e mais especificamente um dos 3 passos propostos por Armano (Adubar), a lembrança dos cursos oferecidos com listas foi inevitável. Como também foi inevitável a lembrança da principal lição daqueles tempos:

O padrão de interação esperado na comunidade, seja ela voltada a fins educacionais ou profissionais, deve ser modelado desde o início pelo moderador da lista. Isso quer dizer que cabe a ele determinar, por exemplo, com que frequência as contribuições dos participantes serão comentadas ou avaliadas – semanalmente, diariamente, em cada hora etc.

O moderador também precisa deixar claro se os participantes poderão interagir livremente entre si ou se precisarão seguir um roteiro determinado.

Quaisquer que sejam as regras do jogo, entretanto, não bastará apenas declará-las. Será preciso demonstrá-las na prática.

Um bom resumo: em lugar de “se quer alguma coisa bem-feita, faça você mesmo”, diga “se quer alguma coisa feita à sua maneira, faça você primeiro”.

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Redes sociais e aprendizagem 1

Don Taylor publicou um post no Training Zone intitulado Social media: The natural way of learning que vale uma reflexão.

Ele começa a exposição de ideias pela constatação de que as mídias sociais (prefiro redes sociais), graças ao bom e velho boca-a-boca de que já falava Negroponte, subverteram o marketing.

O pulo do gato do autor é a proposta de que as redes sejam usadas também para promoção de aprendizagem. Não que elas venham a substituir os treinamentos tradicionais (presenciais ou a distância), mas poderão favorecer a aprendizagem que já costuma ocorrer nas interações cotidianas pelo compartilhamento de informações – a forma mais natural de aprender, segundo o autor.

Mas o uso de blogs, wikis e microblogs para promover aprendizagem tem um custo que não envolve necessariamente a tecnologia: o de criar e manter uma cultura favorável à comunicação, à colaboração, mas que seja também ‘intelectualmente rigorosa, aberta e honesta’.

Taylor então apresenta os 3 passos propostos por David Armano para criação de redes sociais:

  • Semear: Escolher as pessoas certas para criar a cultura certa, ou seja, pessoas respeitadas, ativas, envolvidas.
  • Adubar: Usar ferramentas que garantam um fluxo constante de conteúdos e ideias frescas para comentário.
  • Podar: Remover discussões, perfis, imagens e dados abandonados que só atravancam o ambiente e dificultam o acesso às informações que as pessoas desejam.

Taylor conclui afirmando que apenas em raros casos as redes sociais não podem ser usadas na promoção da aprendizagem: nos contextos em que a informação precisa ser mantida em sigilo por conta de questões legais.

Don Taylor publicou um post no Training Zone intitulado ‘Social
media: The natural way of learning’ que vale uma reflexão.
Ele começa a exposição de ideias pela constatação de que as
mídias sociais (prefiro redes sociais), graças ao bom e velho
boca-a-boca de que já falava Negroponte, subverteram o
marketing.
O pulo do gato do autor é a proposta de que as redes sejam
usadas também para promoção de aprendizagem. Não que elas venham
a substituir os treinamentos tradicionais (presenciais ou a
distância), mas poderão favorecer a aprendizagem que já costuma
ocorrer nas interações cotidianas pelo compartilhamento de
informações – a forma mais natural de aprender, segundo o autor.
Mas o uso de blogs, wikis e microblogs para promover
aprendizagem tem um custo que não envolve necessariamente a
tecnologia: o de criar e manter uma cultura favorável à
comunicação, à colaboração, mas que seja também
‘intelectualmente rigorosa, aberta e honesta’.
Taylor então apresenta os 3 passos propostos por David Armano
para criação de redes sociais:
Semear: Escolha as pessoas certas para criar a cultura certa, ou
seja, pessoas respeitadas, ativas, envolvidas.
Adubar: Use ferramentas que garantam um fluxo constante de
conteúdos e ideias frescas para comentário.
Podar: Remova discussões, perfis, imagens e dados abandonados
que só atravancam o ambiente e dificultam o acesso às
informações que as pessoas desejam.
Taylor concluir afirmando que apenas raros casos as redes sociais não podem ser usadas na promoção da aprendizagem: nos contextos em que a informação precisa ser mantida em sigilo por conta de questões legais.
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