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O Twitter emburrece?

Uma notícia veiculada na semana anterior dava a entender que os usuários do Facebook estavam em vantagem em relação aos do Twitter no quesito aumento da inteligência. O resumo era mais ou menos assim: os usuários do Twitter estão emburrecendo.

A explicação aparentemente estaria nos resultados dos estudos da psicóloga britânica Tracy Alloway, que investiga a memória ativa, responsável pela capacidade de reter e utilizar informações.

A culpa pelo ‘efeito twitter’ estaria na curta extensão das mensagens que a ferramenta permite, as quais são limitadas a 140 caracteres. Os fluxos breves de informação supostamente reduziriam a atenção e impediriam a formação de conexões entre os neurônios.

Tudo isso soa exagerado se considerarmos que o Twitter não costuma ser a única mídia social de um usuário, como comprovaram as pesquisadoras Raquel Recuero e Gabriela Zago. Elas descobriram que 77% dos participantes de sua pesquisa tinham blog próprio além de perfil no Twitter.

Raquel e Gabriela argumentaram que esse fato poderia ser explicado pela dinâmica Twitter-blog: no Twitter, o usuário obtém conteúdos para elaborar no seu blog pessoal por meio de posts, e esses posts são, por sua vez, divulgados no Twitter. O Twitter, portanto, funciona tanto como uma ferramenta de filtragem social quanto de divulgação.

Considerando as limitações do Twitter, a divulgação de posts do blog exigirá do usuário um esforço de concisão que não pode ser considerado limitante, muito pelo contrário.

Ainda é cedo para criticar os resultados da pesquisa de Tracy Alloway, principalmente porque, conforme ela me declarou em contato por e-mail, ainda é preciso coletar mais dados.

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Blog é PMC, Cora?

Em sua coluna de hoje na Revista Digital do Jornal O Globo, Cora Rónai discute a possibilidade de os blogs estarem perdendo terreno para redes sociais como o Facebook.

Isso me fez pensar se o que estaria ocorrendo não seria uma transformação na natureza dessa ferramenta: de Comunicação Mediada por Computador (CMC) para Publicação Mediada por Computador (PMC).

abordei esse assunto antes, mas a leitura da coluna me fez pensar no assunto.

Aproveitei para deixar o comentário abaixo no blog de Cora.

O que será que ela vai dizer?

Oi, Cora.

Acho que seu pensamento reforça uma impressão que tenho: os blogs estão se tornando uma ferramenta para Publicação Mediada por Computador (PMC), uma publicação libertadora, claro, porque não submetida à censura de um Editor – mas ainda sujeitos à crítica de milhares de editores.

O Twitter, mesmo chamado de microblog, não parece ter a mesma natureza: é uma ferramenta de Comunicação Mediada por Computador (CMC) por excelência até mesmo por sua natureza ‘mestiça’: sua lógica de funcionamento é a do torpedo, os usuários inovaram ao adotar uma convenção do e-mail (@perfil) e ele vem permitindo às pessoas comunicar-se com fins os mais diversos.

Ou será que estou errado?

Abraço,
José Paulo

Ao evoluir para PMC, os blogs conquistam uma estabilidade que favorece sua apropriação para fins mais institucionais, mais ‘sisudos’ e menos interativos. É o que ocorre, por exemplo, com o Blog do Planalto, que, neste momento, se destina apenas a transmitir a visão dos seus gestores e não a propiciar um diálogo.

O Twitter, ao contrário, é CMC ‘radical’, pois elimina hierarquias (pode-se seguir/postar para um amigo, um astro de Hollywood, um filósofo contemporâneo), permite desde o diálogo um-para-um até o broadcasting um-para-muitos, favorece tradicional boca a boca e, literalmente, dá voz a quem tem a voz silenciada em outras mídias mais tradicionais.

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Última fronteira da blogosfera

A Revista Época desta semana traz uma matéria sobre os blogueiros da região Norte.

No mapa ainda esparso da blogosfera amazônica – o percentual de usuários com acesso à rede em casa (7% em 2008) ainda está muito aquém do encontrado no Sudeste (25% em 2008) -  surgem pioneiros que desafiam a política local (e pagam um preço por isso) e até criam pontes com a cultura pop, atraindo público de regiões onde a blogosfera é mais densamente povoada.

Segundo Fábio Malini, professor da Universidade Federal do Espírito Santo e autor da Cartografia da blogosfera no Brasil (ainda inédita), o fenômeno é recente na região Norte, pois a maioria dos blogueiros começaram a publicar a partir de 2007 – bom lembrar que os blogs já existem há dez anos.

Além de permitir, nas palavras de Malini, a “expressão de uma vontade política adormecida”, os blogs locais vêm rompendo o isolamento informacional que sempre foi imposto à região. E a tendência é que entrem em evidência graças à eventual candidatura de Marina Silva a presidente na eleição de 2010.

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Novos Usos para Mídias Sociais

A comunidade Social Media Today fez uma pesquisa com 632 de seus participantes e visitantes que, de alguma forma, estão envolvidos com mídias sociais de forma profissional.

O resultado da pesquisa foi a constatação de que as empresas hoje usam as mídias sociais mais para broadcasting, isto é, para realizar ações de marketing e RP, do que para se engajar em comunicação efetiva com seus clientes. A revelação mais significativa desse estudo, entretanto, é que há indícios de que esse quadro se inverterá no futuro, com maior tendência ao foco no engajamento.

O relatório da pesquisa divide-se em três partes:

(1) Na primeira, apresenta-se um quadro geral do uso das mídias sociais. Nesse quadro, descobre-se que marketing e RP são os usos mais frequentes, com apoio às vendas e trabalho colaborativo vindo bem atrás. Empresas grandes (> 1000 empregados) frequentemente usam as mídias sociais para comunicação interna, enquanto as empresas pequenas (até 10 empregados) usam-nas para trabalho colaborativo. A existência de profissionais dedicados também às mídias sociais ocorre em 41,2% das empresas pesquisadas. As mídias mais usadas são: LinkedIn (79%), Facebook (77%), Twitter (75%) e blogs (68%). Apesar do posicionamento menos expressivo, é para os blogs que as empresas pretendem se voltar no futuro. Isso confirmaria a profissionalização da mídia sobre a qual falou Rosana Hermann.

(2) Na segunda, o Twitter e suas aplicações são destacadas. Atualmente, as empresas que utilizam a rede social o fazem para divulgar notícias quentes e apresentar uma face mais ‘pessoal’ de sua marca. A expectativa é que, no futuro, essas empresas passem a priorizar o engajamento, a criação de um relacionamento mais direto com seus clientes. Poucas empresas usam o Twitter para comunicação interna, e as que o fazem priorizam o compartilhamento de informações, conhecimentos e recursos, bem como para o networking.

(3) Na terceira, faz-se um apanhado das quatro funções gerais de mídias como Facebook e LinkedIn nas organizações.

(a) Vendas: Manter contatos com clientes e entender suas atitudes são os usos principais dessas mídias nas empresas. A tendência é que no futuro elas se dediquem à comunicação direta e à prospecção de vendas com foco em novos clientes autoidentificados ou conquistados nas redes sociais. A ideia por trás dessa tendência é que por meio da conversação genuína se chega à compreensão do que o cliente pensa sobre a marca, de seus valores e interesses e se obtém uma aproximação mais pessoal que pode trazer resultados. É importante lembrar que as pessoas estão nas redes para socializar e não para sofrer assédio de vendendores, o qual, quando ocorre, pode ter resultados negativos imprevisíveis.

(b) Marketing: Metade das organizações que usam essas redes o faz para autopromoção por meio de mensagens, para monitorar tendências dos consumidores e para oferecer um canal de comunicação com seus clientes. Cerca de 34% o faz para pesquisar ideias para novos produtos. A tendência futura é de ampliar o uso das redes como canal de comunicação direta com os clientes, o que se apresenta como uma necessidade para organizações que não queiram perder o espaço para os concorrentes.

(c) Relações Públicas: Manter uma página com o perfil da organização, distribuição de press releases e notícias, monitorar e responder às menções sobre a organização e seus produtos e interagir com blogueiros e jornalistas são os usos mais comuns nesta área. A visão é que os usos futuros continuem nessa linha.

(d) Comunicação Interna: As redes são usadas para compartilhar documentos e manter a comunicação entre equipes de trabalho, mas a visão de futuro tende a favorecer menos o primeiro uso.

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Há valor nas redes!

Pesquisa da Wetpaint e do Altimeter Group sugere que as maiores marcas do mundo vêm percebendo valor ao se engajar nas redes sociais.

A pesquisa correlaciona desempenho financeiro com amplitude e profundidade no uso de blogs, Facebook, YouTube e Twitter, entre outras redes, mas não permite de fato enxergar uma relação causal.

De qualquer forma, o resultado dessa pesquisa precisa ser considerado e aqui vai um resumo:

  • Foram consultadas as empresas detentoras das 100 marcas mais importantes, segundo a edição de 2008 da Best Global Brands da Businessweek/Interbrand;
  • Avaliaram-se tanto a amplitude (quantidade de redes sociais empregadas) quanto a profundidade ou engajamento (mais do que apenas presença nas redes, significa a interação real e frequente, o estímulo a discussões e disposição de responder);
  • Descobriu-se que o aumento de amplitude acelera o engajamento devido ao efeito aprendizagem que se transfere do uso de uma rede para a adoção de outras, mesmo sabendo-se que as redes exigem estratégias diferentes;
  • Descobriu-se que o engajamento difere em função da indústria e também dentro de uma mesma indústria.

A pesquisa evidenciou que existem quatro perfis de adoção de redes sociais:

  1. Maven: Altamente engajada em 7 ou mais redes;
  2. Butterfly: Fracamente engajada em 7 ou mais redes;
  3. Selective: Altamente engajada em, no máximo, 6 redes;
  4. Wallflower: Fracamente engajada em, no máximo, 6 redes.

Mavens, as especialistas, têm uma estratégia forte e equipe dedicada às redes, pois reconhecem que elas representam sua força no mercado. As butterflies enfrentam problemas internos para provar o valor da maioramplitude no uso das redes sociais. Nas selectives, o problema tem a ver com o tamanho das equipes dedicadas, geralmente muito pequenas. As wallflowers ainda estão mapeando o terreno, por isso adotam a estratégia de começar pequeno para minimizar riscos.

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