Rosana é mestre em Física Nuclear (USP), mas é mais conhecida por atuar como roteirista, jornalista e radialista. Está entre os blogueiros brasileiros veteranos, pois publica desde 2000. Seu blog Querido Leitor está entre os mais populares da blogosfera brasileira.
No melhor espírito da Internet, ela concordou em responder várias perguntas que lhe enviei. O resultado é a entrevista que publico aqui.
1. Por que você ‘bloga’?
Antes de ter um blog eu tinha um site, o farofa.com.br Fiz parte da “bolha” da Internet e, três meses depois de registrar o domínio, tive propostas de trabalho de 3 grandes portais. Durante dois anos fui patrocinada para fazer o Farofa. No ano 2000 conheci a ferramenta blog. Achei muito mais prático, porque era baseado na web e não exigia programas para fazer páginas nem FTP para upload etc. Passei a blogar e, desde então, escrevo no blog diariamente. Blogar é um exercício para o escritor como o treino o é para um atleta. Além de todas as outras vantagens.
2. O blog representa a ‘filosofia’ original da Internet?
O blog é um espaço autoral, público e aberto. É também um espaço de relacionamento e compartilhamento. Nesse sentido, acho que a resposta é ‘sim’.
3. Blogs são formadores de opinião?
Blogs são influenciadores de opinião e geradores de discussão, na minha opinião.
4. O blog ocupou o lugar das mídias tradicionais?
O blog é um adendo para as mídias tradicionais, um complemento.
5.O blog desequilibrou as instâncias de poder que eram ‘sustentadas’ pelas mídias tradicionais?
O blog tem uma vantagem óbvia sobre as mídias tradicionais: não tem intermediários. O autor fala direto com o leitor, sem passar pelo crivo editorial, político, ideológico, comercial de um veículo/ empresa.
6. O que buscam os leitores de blogs?
Os leitores buscam informação filtrada pelo olhar do blogueiro, convivência com outros leitores, informação relevante.
7. Como os leitores de blogs resolvem a questão da credibilidade da informação?
Os leitores de um blog leem muitas outras coisas na Internet, pesquisam, confrontam informações. Isso é ótimo, porque ninguém fica preso a uma fonte só.
8. Sua experiência mostra que os blogs (a) agregam comunidades reais ou (b) estimulam uma audiência circunstancial?
Sim, os blogs formam comunidade reais.
9. A que você atribui o sucesso dos blogs?
O blog foi o primeiro passo para a interação direta entre produtores de informação e consumidores de informação.
10. O blog corporativo representa a ‘domesticação’ de uma ferramenta que deu poder ao consumidor ou o reconhecimento autêntico pelas corporações da necessidade de se relacionar com a sociedade de forma mais espontânea?
A segunda opção. As empresas perceberam que é mais adequado ter um canal direto com o público.
11. Você bloga há muito tempo. Que inovações observou na tecnologia e na linguagem dos blogs durante esse tempo?
Muita coisa. Hoje é possível postar pelo celular, enviar vídeos, fazer streaming ao vivo, colocar widgets do Twitter. Mudou muito.
12. Você diria que o blog já é uma mídia madura?
Sim, eu diria que os blogs já amadureceram. Passaram da fase de boom e ficaram estáveis.
13. Aonde o blog ainda poderá chegar?
Os blogs ainda têm muito a oferecer. Provavelmente vão entrar numa fase de grande profissionalização.
14. O Twitter é o novo blog?
O Twitter não tem nada a ver com o blog. O Twitter é um espaço de broadcasting, de marketing, de relacionamento. É muito mais neurótico que o blog, mais veloz, mais perigoso, mais confuso e impreciso.
15. O que faria você deixar de blogar?
Eu só deixaria de blogar se eu parasse de escrever.
16. Tem alguma dica ou orientação para quem deseja se tornar um blogueiro respeitado?
Nesses anos todos escrevendo um blog descobri que assim como “uma corrente é tão forte quanto seu elo mais fraco” o julgamento de um blog é sempre feito pelo seu pior post. Você pode blogar a vida inteira, mas se fizer um post que contraria o leitor, ele reclama e diz que não vai mais voltar… O respeito é o acúmulo de uma maioria esmagadora de acertos.
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