Posts tagged: boca a boca

Blog é PMC, Cora?

Em sua coluna de hoje na Revista Digital do Jornal O Globo, Cora Rónai discute a possibilidade de os blogs estarem perdendo terreno para redes sociais como o Facebook.

Isso me fez pensar se o que estaria ocorrendo não seria uma transformação na natureza dessa ferramenta: de Comunicação Mediada por Computador (CMC) para Publicação Mediada por Computador (PMC).

abordei esse assunto antes, mas a leitura da coluna me fez pensar no assunto.

Aproveitei para deixar o comentário abaixo no blog de Cora.

O que será que ela vai dizer?

Oi, Cora.

Acho que seu pensamento reforça uma impressão que tenho: os blogs estão se tornando uma ferramenta para Publicação Mediada por Computador (PMC), uma publicação libertadora, claro, porque não submetida à censura de um Editor – mas ainda sujeitos à crítica de milhares de editores.

O Twitter, mesmo chamado de microblog, não parece ter a mesma natureza: é uma ferramenta de Comunicação Mediada por Computador (CMC) por excelência até mesmo por sua natureza ‘mestiça’: sua lógica de funcionamento é a do torpedo, os usuários inovaram ao adotar uma convenção do e-mail (@perfil) e ele vem permitindo às pessoas comunicar-se com fins os mais diversos.

Ou será que estou errado?

Abraço,
José Paulo

Ao evoluir para PMC, os blogs conquistam uma estabilidade que favorece sua apropriação para fins mais institucionais, mais ‘sisudos’ e menos interativos. É o que ocorre, por exemplo, com o Blog do Planalto, que, neste momento, se destina apenas a transmitir a visão dos seus gestores e não a propiciar um diálogo.

O Twitter, ao contrário, é CMC ‘radical’, pois elimina hierarquias (pode-se seguir/postar para um amigo, um astro de Hollywood, um filósofo contemporâneo), permite desde o diálogo um-para-um até o broadcasting um-para-muitos, favorece tradicional boca a boca e, literalmente, dá voz a quem tem a voz silenciada em outras mídias mais tradicionais.

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Amigos ou Conhecidos: quais as redes que importam?

Um estudo recente de Huberman, Romero e Wu traz revelações interessantes sobre a dinâmica das interações no Twitter:

A quantidade de posts de um usuário parece aumentar conforme aumenta o número de seguidores, seguidos e amigos, mas:

  1. eventualmente se estabilizará se o número de seguidores e seguidos continuar aumentando;
  2. não se estabilizará se o número de amigos continuar aumentando.

Uma vez que a quantidade de amigos costuma ser muito menor que a de seguidores e seguidos declarados, a interação regular ocorrerá apenas dentro de um círculo de relacionamento menor do que seria possível supor apenas pela consulta ao número de seguidores/seguidos do perfil de um usuário.

Os pesquisadores sugerem que esses fatos são extremamente relevantes, pois revelam a existência de redes ocultas, provavelmente mantidas por meio de mensagens privadas (Direct Messages), de grande valor na difusão, pelo tradicional boca a boca, de ideias, crenças e tendências .

Acredito, entretanto, que não se possa negligenciar o valor das redes maiores, compostas de grandes números de seguidores e seguidos com os quais não se mantenha interação regular.

Graças à horizontalização permitida pelo Twitter, um usuário pode ter entre seus seguidos (grandes) especialistas em áreas de seu interesse, com os quais não interagirá diretamente, que poderão exercer influência direta em sua forma de pensar e até agir. Isso também pode alimentar o boca a boca nos moldes citados anteriormente.

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A Revolução das Mídias Sociais

Não sei se os dados são confiáveis, mas a mensagem é clara: as mídias sociais são o novo continente ainda por mapear. Obrigado, @cronai.

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Redes sociais e aprendizagem 1

Don Taylor publicou um post no Training Zone intitulado Social media: The natural way of learning que vale uma reflexão.

Ele começa a exposição de ideias pela constatação de que as mídias sociais (prefiro redes sociais), graças ao bom e velho boca-a-boca de que já falava Negroponte, subverteram o marketing.

O pulo do gato do autor é a proposta de que as redes sejam usadas também para promoção de aprendizagem. Não que elas venham a substituir os treinamentos tradicionais (presenciais ou a distância), mas poderão favorecer a aprendizagem que já costuma ocorrer nas interações cotidianas pelo compartilhamento de informações – a forma mais natural de aprender, segundo o autor.

Mas o uso de blogs, wikis e microblogs para promover aprendizagem tem um custo que não envolve necessariamente a tecnologia: o de criar e manter uma cultura favorável à comunicação, à colaboração, mas que seja também ‘intelectualmente rigorosa, aberta e honesta’.

Taylor então apresenta os 3 passos propostos por David Armano para criação de redes sociais:

  • Semear: Escolher as pessoas certas para criar a cultura certa, ou seja, pessoas respeitadas, ativas, envolvidas.
  • Adubar: Usar ferramentas que garantam um fluxo constante de conteúdos e ideias frescas para comentário.
  • Podar: Remover discussões, perfis, imagens e dados abandonados que só atravancam o ambiente e dificultam o acesso às informações que as pessoas desejam.

Taylor conclui afirmando que apenas em raros casos as redes sociais não podem ser usadas na promoção da aprendizagem: nos contextos em que a informação precisa ser mantida em sigilo por conta de questões legais.

Don Taylor publicou um post no Training Zone intitulado ‘Social
media: The natural way of learning’ que vale uma reflexão.
Ele começa a exposição de ideias pela constatação de que as
mídias sociais (prefiro redes sociais), graças ao bom e velho
boca-a-boca de que já falava Negroponte, subverteram o
marketing.
O pulo do gato do autor é a proposta de que as redes sejam
usadas também para promoção de aprendizagem. Não que elas venham
a substituir os treinamentos tradicionais (presenciais ou a
distância), mas poderão favorecer a aprendizagem que já costuma
ocorrer nas interações cotidianas pelo compartilhamento de
informações – a forma mais natural de aprender, segundo o autor.
Mas o uso de blogs, wikis e microblogs para promover
aprendizagem tem um custo que não envolve necessariamente a
tecnologia: o de criar e manter uma cultura favorável à
comunicação, à colaboração, mas que seja também
‘intelectualmente rigorosa, aberta e honesta’.
Taylor então apresenta os 3 passos propostos por David Armano
para criação de redes sociais:
Semear: Escolha as pessoas certas para criar a cultura certa, ou
seja, pessoas respeitadas, ativas, envolvidas.
Adubar: Use ferramentas que garantam um fluxo constante de
conteúdos e ideias frescas para comentário.
Podar: Remova discussões, perfis, imagens e dados abandonados
que só atravancam o ambiente e dificultam o acesso às
informações que as pessoas desejam.
Taylor concluir afirmando que apenas raros casos as redes sociais não podem ser usadas na promoção da aprendizagem: nos contextos em que a informação precisa ser mantida em sigilo por conta de questões legais.
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Por que blogs?

Em outubro de 1996, quando Nicholas Negroponte e Pattie Maes publicaram, em sua coluna na revista Wired, o texto Electronic Word of Mouth, a Internet, surgida nos meios acadêmicos e militares, estava no auge de seu desenvolvimento comercial após a abertura ao público geral.

Nesse artigo, os autores descreveram como os usuários da Internet começavam a experimentar um comportamento tradicional na comunicação face a face, a difusão de ideias pelo boca a boca, na comunicação mediada por uma das novas tecnologias de comunicação: o e-mail.

Esse ‘boca a boca eletrônico’, segundo os autores, tinha o potencial de transformar as relações de poder entre consumidores e fornecedores de produtos e serviços. Se estes até então se beneficiavam de relações com parceiros e concorrentes para formar cartéis e obter preços mais vantajosos para seus produtos, a partir de então aqueles poderiam, com auxílio das novas tecnologias, coordenar-se em escala até então nunca vista (local, nacional ou até internacional) para obter e disseminar informações sobre ofertas, qualidade e atendimento.

Negroponte e Maes chamaram esse processo de filtragem colaborativa e concluíram que, no futuro, seriam os consumidores que formariam cartéis para obter vantagens nos preços e até determinar os produtos e serviços que as empresas teriam de lançar.

O futuro descrito pelo colunistas da Wired tornou-se realidade com o surgimento de tecnologias para Comunicação Mediada por Computador (CMC) associadas à criação de redes sociais, tais como os blogs e o Twitter.

O filmete abaixo explica isso a partir de uma analogia entre blogs e a imprensa tradicional:

A analogia é feita com a produção e circulação de notícias: nas mídias tradicionais, um grupo de pessoas decide o que será ou não publicado segundo linhas editoriais diversas e oriundas de orientações políticas igualmente diversas; graças ao blog, qualquer pessoa pode ser o repórter e o editor de seu próprio veículo de comunicação.

Blogs, portanto, têm a ver com o empoderamento do público em relação às estruturas de poder tradicionais, isto é, Governo, corporações e mídia de massa – uma revolução só comparável àquela introduzida por Gutemberg e Lutero, sobre a qual falarei em outro post.

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