Posts tagged: cmc

Mas o que é esse tal de Tuíta?

Usos do Twitter

Usos do Twitter - (c) José Paulo de Araújo

Para justificar esse esquema, encontrei os seguintes exemplos:

  • Comunicação Pessoal:  manutenção de vínculo entre amigos e conhecidos, mas também para acompanhamento da vida de personalidades;
  • Pesquisa: busca de informações, com propósitos pessoais, acadêmicos ou profissionais, e as vantagens de obter resultados filtrados por uma rede social e com atualização em tempo real;
  • Marketing: uso corporativo para monitoramento de imagem, divulgação de marca, oferta de promoções;
  • Publicação: clipping (geralmente) com direcionamento para outras fontes por meio de links curtos (tiny URLs).

Já que não custa nada, me arrisco no embaraçoso mundo da futurologia: o Twitter poderá se tornar uma ‘über rede social’ agregadora de funcionalidades customizáveis que permitirão aos usuários executar atividades variadas (sociais, profissionais, acadêmicas, lúdicas) a partir de um ponto central.

VN:F [1.9.5_1105]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.5_1105]
Rating: +1 (from 1 vote)

O Blog de Saramago ou Saramago sobre Blogs

A entrevista começa com uma descrição do que deveria ser a produção blogueira:

“As frases longas e bem elaboradas a que os leitores de José Saramago estão acostumados continuam lá, mas o ambiente é outro, justamente um que costuma pedir frases curtas, sem a necessidade de muita elaboração.”

Mas Saramago desmente essa opinião ao declarar:

“Escrever num blog não difere em nada de escrever numa folha de papel. Salvo a extensão do texto em que, no caso do blog, se aconselha uma certa brevidade, os escritores não estão condicionados por normas ou regras que, supostamente, caracterizariam o blog.”

E ainda:

“Continuo a utilizar frases longas, das que dão espaço e tempo para observações e análises quer considero necessárias. A tão louvada clareza das sínteses é, não raro, enganosa.”

Isso vai ao encontro de minha proposta de que o blog não é apenas (será que é de alguma forma?) uma ferramenta de comunicação mediada por computador, mas, sim, uma ferramenta de publicação mediada por computador. Não é CMC, mas PMC.

VN:F [1.9.5_1105]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.5_1105]
Rating: -1 (from 1 vote)

Twitter é CMC!

Depois que publiquei o post anterior, fiquei pensando durante um bom tempo sobre a proposta de distinguir blog de Twitter em termos de PMC e CMC, respectivamente.

Algo começou a sugerir que uma relida do livro do Ong (Oralidade e cultura escrita) poderia trazer mais luz sobre o caso.

E trouxe mesmo.

Ainda que Ong tenha escrito muito antes de a Internet tornar-se popular, sua exposição sobre cultura oral primária, cultura escrita e cultura oral secundária tem muito a ver com o entendimento do que o Twitter representa enquanto ferramenta de CMC.

A oralidade primária de que fala o autor só é encontrada em culturas que não desenvolveram a escrita, algo cada vez mais raro no mundo contemporâneo, onde a oralidade é necessariamente secundária, isto é, fortemente influenciada pela escrita. Nos contextos de oralidade primária, as palavras, que são apenas faladas, correspondem a verdadeiros eventos, ocorrências que se perdem no tempo porque não podem ser fixadas por meio visual (p. 42). Elas podem até ser reevocadas, mas nunca adquirem status de objetos tal como ocorre em culturas de oralidade secundária.

O Twitter é obviamente uma ferramenta criada dentro da (e para a) cultura escrita, mas as condições de produção e recepção por ela oferecidas (restrição de extensão, sequências de posts de origem diversa e em ordem aleatória) praticamente determinam as características formais dessa produção: textos curtos, provavelmente referenciadores das atividades realizadas pelo autor, e com forte tendência à um registro de oralidade secundária.

É interessante dizer que Ong foi quase profético ao afirmar que “[...] a tecnologia eletrônica levou-nos à era da ‘oralidade secundária’. Essa nova oralidade tem semelhanças notáveis com a antiga em sua mística participatória, em seu favorecimento de um sentido comunal, em sua concentração no momento presente e até mesmo em seu uso de fórmulas.” (p. 155)

Uma rede social como o Twitter, mais do que qualquer outra rede (como dito no texto recomendado por Pierre Lévy), permite interlocuções mesmo de participantes que não mantêm vínculos de relacionamento direto.

Minha interpretação de que o Twitter se aproxima da oralidade secundária é reforçada quando relaciono esse potencial de interlocuções com o seguinte trecho de Ong:

“[...] a oralidade secundária gerou um forte sentimento de grupo, um verdadeiro público, exatamente como a leitura de textos escritos ou impressos os transforma em indivíduos, faz com que eles se voltem para dentro de si. Porém, a oralidade secundária dá sentido a grupos incomensuravelmente mais amplos do que os da cultura oral primária.” (ibid.)

Supreendentemente, é também possível que o Twitter resgate traços de cultura oral primária, na qual a existência de um interlocutor é essencial e o pensamento fica ‘preso’ à comunicação. Vale lembrar o que eu mencionei no post anterior sobre o reconhecimento da dificuldade dos novos entrantes para constituir suas redes sociais no Twitter: quem publica posts sem relevância não é seguido, não forma sua rede social e acaba abandonando a ferramenta, o que reforça a interpretação da primazia da comunicação.

VN:F [1.9.5_1105]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.5_1105]
Rating: +1 (from 1 vote)

Twittando

Minhas primeiras horas no Twitter foram proveitosas.

Além de já ter o Nepô ‘na minha cola’ (e eu na dele), procurei o Pierre Lévy, ainda que sem muita convicção.

Mas ele estava lá! E agora eu estou ‘na cola dele’.

O mais interessante foi descobrir, nas mensagens do Pierre, uma dica de texto bem interessante sobre o Twitter. Esse texto me fez pensar se é válido chamar a ferramenta de microblog.

Do tal texto, destaco alguns pontos importantes:

(1) O Twitter é uma ferramenta para escutar e ser escutado. ‘Escutar’ aqui quer dizer seguir alguém. Na balbúrdia gerada pelo incrível e crescente número de usuários, é difícil conseguir ouvir alguma voz realmente interessante.

Por outro lado, ser escolhido como uma voz que vale a pena ser escutada também é difícil, pois é necessário ter algo a dizer que seja relevante para alguém.

Nos dois casos, os processos são muito longos e constituem uma barreira de entrada que acaba por desencorajar muitos usuários. Por esse motivo, o Twitter acaba se diferenciando das outras redes sociais, pois não oferece nenhuma aparente vantagem aos novos entrantes.

(2) A rede do Twitter é assimétrica.

Isso ocorre porque nem sempre os usuários que escolhemos escutar também nos escolherão e vice-versa. Isso não ocorre nas demais redes sociais.

(3) A disseminação de informações é imprevisível.

Pela prática do ‘retweet’, a republicação de uma mensagem escutada por um usuário para outros que o escutam, gera-se uma propagação rápida e imprevisível de informações que podem, inclusive, ter sido originadas de fontes absolutamente desconhecidas. Nenhuma rede social até então permitia esse tipo de propagação.

(4) O Twitter permite a comunicação por sinais.

Uma vez que a ferramenta restringe a extensão das mensagens a 140 caracteres, os usuários experientes que têm mais a dizer não publicam textos, mas links para outros lugares onde as informações completas podem ser encontradas.

Enquanto lia o texto, lembrei-me de uma resposta de Rosana Hermann na entrevista que me concedeu:

EU: O Twitter é o novo blog?
RH: O Twitter não tem nada a ver com o blog. O Twitter é um  espaço de broadcasting, de marketing, de relacionamento. É muito mais neurótico que o blog, mais veloz, mais perigoso, mais confuso e impreciso.

Se, de fato, estamos diante de um fenômeno totalmente diverso, o desafio está em explicá-lo.

Aqui vai minha tentativa:

(a) O blog é uma ferramenta para publicação mediada por computador (PMC), permitindo (mas não determinando) a produção discursiva mais extensa, resultante de algum aprofundamento reflexivo. Esse aprofundamento pode se dar também em função de   discussões (comentários) a respeito dos conteúdos publicados.

(b) O Twitter é uma ferramenta para comunicação mediada por computador (CMC) que permite a manutenção de registros das díades dialógicas, mesmo que elas sejam constituídas apenas de sinais para outras fontes de informação. Nestes casos, seriam equivalentes à sugestão “Leia isto!”.

Minhas primeiras horas no Twitter foram proveitosas.
Além de já ter o Nepô ‘na minha cola’ (e eu na dele), procurei o Pierre Lévy, ainda que sem muita convicção.
Mas ele estava lá! E agora eu estou ‘na cola dele’.
O mais interessante foi descobrir, nas mensagens do Pierre, uma dica de texto bem interessante sobre o Twitter. Esse texto me
fez pensar se é válido chamar a ferramenta de microblogging.
Do tal texto, destaco alguns pontos importantes:
(1) O Twitter é uma ferramenta para escutar e ser escutado. ‘Escutar’ aqui quer dizer seguir alguém. Na balbúrdia gerada pelo
incrível e crescente número de usuários, é difícil conseguir ouvir alguma voz realmente interessante.
Por outro lado, ser escolhido como uma voz que vale a pena ser escutada também é difícil, pois é necessário ter algo a dizer
que seja relevante para alguém.
Nos dois casos, os processos são muito longos e constituem uma barreira de entrada que acaba por desencorajar muitos
usuários. Por esse motivo, o Twitter acaba se diferenciando das outras redes sociais, pois não oferece nenhuma aparente
vantagem aos novos entrantes.
(2) A rede do Twitter é assimétrica.
Isso ocorre porque nem sempre os usuários que escolhemos escutar também nos escolherão e vice-versa. Isso não ocorre nas
demais redes sociais.
(3) A disseminação de informações é imprevisível.
Pela prática do ‘retweet’, a republicação de uma mensagem escutada por um usuário para outros que o escutam, gera-se uma
propagação rápida e imprevisível de informações que podem, inclusive, ter sido originadas de fontes absolutamente
desconhecidas. Nenhuma rede social até então permitia esse tipo de propagação.
(4) O Twitter permite a comunicação por sinais.
Uma vez que a ferramenta restringe a extensão das mensagens a 140 caracteres, os usuários experientes que têm mais a dizer
não publicam textos, mas links para outros lugares onde as informações completas podem ser encontradas.
Enquanto lia o texto, lembrei-me de uma resposta de Rosana Hermann na entrevista que me concedeu:
EU: O Twitter é o novo blog?
RH: O Twitter não tem nada a ver com o blog. O Twitter é um  espaço de broadcasting, de marketing, de relacionamento. É muito
mais neurótico que o blog, mais veloz, mais perigoso, mais confuso e impreciso.
Se, de fato, estamos diante de um fenômeno totalmente diverso, o desafio está em explicá-lo.
Aqui vai minha tentativa:
(a) O blog é uma ferramenta para publicação mediada por computador (PMC), permitindo (mas não determinando) a produção
discursiva mais extensa, resultante de algum aprofundamento reflexivo. Esse aprofundamento pode se dar também em função de
discussões (comentários) a respeito dos conteúdos publicados.
(b) O Twitter é uma ferramenta para comunicação mediada por computador (CMC) que permite a manutenção de registros das díades dialógicas, mesmo que elas sejam constituídas apenas de sinais para outras fontes de informação. Nestes casos, seriam equivalentes à sugestão “Leia isto!”
VN:F [1.9.5_1105]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.5_1105]
Rating: 0 (from 0 votes)