Posts tagged: cognição

Dentro da cabeça do filósofo

O filósofo Pierre Lévy deu uma entrevista ao Portal G1 na qual fala sobre o projeto que coordena para criação de uma linguagem que dê à Web um caráter realmente universal (não fragmentado pelas línguas naturais) e permita a potencialização da inteligência coletiva.

Não vou comentar o projeto, sobre o qual já twittei, mas sim as declarações finais feitas pelo filósofo sobre as mídias sociais que ele usa no dia a dia. Essa informação é valiosa, pois nos abre uma janela para a mente de um formador de opinião.

Lévy declara que usa o Twitter, que considera “social e intelectualmente muito complexo”, e segue 134 pessoas no momento em que escrevo, mas afirma ter dificuldade para ler tudo.

Considerando seus 2200 seguidores, pode-se concluir que ele não tem o propósito de usar a rede prioritariamente para o diálogo, mas, talvez, para se manter em dia com as novidades relativas aos assuntos de seu interesse. Manter uma rede pequena e bem selecionada deve, portanto, ser sua estratégia de uso da rede social.

Outra ferramenta 2.0 usada pelo filósifo é o Delicious, um serviço para manutenção de bookmarks que permite a indexação (tagging), armazenamento e compartilhamento de referências úteis. Ele declara que a ferramenta é uma forma de “organizar a memória de longo prazo”, atribuindo a ela, portanto, uma função cognitiva importante, mas também de “descobrir pessoas que estão interessadas nos mesmos assuntos”, isto é, de filtragem social da informação.

Lévy também usa o Twine, ferramenta construída como plataforma de aplicativos semânticos que emprega processamento de linguagem natural, análise estatística e análise de grafos para ajudar as pessoas a lidar com a sobrecarga de informações que as assola atualmente. Ele declara que já “[descobriu] coisas no Twine que [acabou] postando no Twitter”, caracterizando a ferramenta como outro filtro social importante.

Saber como Pierre Lévy e outros pensadores exploram as mídias sociais nos dá uma oportunidade de entender sua função como apoios à cognição ou, nos termos do próprio Lévy, tecnologias da inteligência.

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Escrita e pensamento

Há alguns anos li a obra Oralidade e Cultura Escrita, de Walter Ong, à qual tenho retornado com certa frequência.

A obra, como o próprio nome declara, faz uma análise comparativa entre a cultura oral e a cultura escrita.
O capítulo 4, chamado ‘A escrita reestrutura a consciência’, de certa forma diz muito sobre o que espero deste blog. Cito um trecho:
“A escrita, em seu sentido comum, foi e é a mais importante de todas as invenções humanas. Não é um mero apêndice da fala. Em virtude de mover a fala do mundo oral-auricular para um novo mundo sensorial, o da visão, ela transforma tanto a fala quanto o pensamento.” (p.100)
E mais:
“Dizer que a escrita é artificial não é condená-la, mas elogiá-la. Como outras criações artificiais, e, na verdade, mais do que qualquer outra, ela é inestimável e de fato fundamental para a realização de potenciais humanos mais elevados, interiores. As tecnologias não constituem meros auxílios exteriores, mas, sim, transformações interiores da consciência, e mais ainda quando afeitas à palavra. [...] A escrita aumenta a consciência.” (p.98)
Ao se propriar da escrita, portanto, a pessoa descobre novas formas de organizar seu arcabouço cognitivo.
Entre outras coisas, isso faz pensar no crime que é cometido toda vez que uma criança sai da escola com um diploma, mas é incapaz de escrever uma mensagem minimamente inteligível. Ela será privada de se apropriar do poder da escrita, que lhe garantiria o direito de reivindicar seu status de cidadã.Há alguns anos li a obra Oralidade e cultura escrita, de Walter Ong, à qual tenho retornado com certa frequência.
A obra, como o próprio nome declara, faz uma análise comparativa entre a cultura oral e a cultura escrita.
O capítulo 4, chamado ‘A escrita reestrutura a consciência’, de certa forma diz muito sobre o que espero deste blog. Cito um trecho:
“A escrita, em seu sentido comum, foi e é a mais importante de todas as invenções humanas. Não é um mero apêndice da fala. Em virtude de mover a fala do mundo oral-auricular para um novo mundo sensorial, o da visão, ela transforma tanto a fala quanto o pensamento.” (p.100)
E mais:
“Dizer que a escrita é artificial não é condená-la, mas elogiá-la. Como outras criações artificiais, e, na verdade, mais do que qualquer outra, ela é inestimável e de fato fundamental para a realização de potenciais humanos mais elevados, interiores. As tecnologias não constituem meros auxílios exteriores, mas, sim, transformações interiores da consciência, e mais ainda quando afeitas à palavra. [...] A escrita aumenta a consciência.” (p.98)
Ao se propriar da escrita, portanto, a pessoa descobre novas formas de organizar seu arcabouço cognitivo.
Entre outras coisas, isso faz pensar no crime que é cometido toda vez que uma criança sai da escola com um diploma, mas é incapaz de escrever uma mensagem minimamente inteligível. Ela será privada de se apropriar do poder da escrita, que lhe garantiria o direito de reivindicar seu status de cidadã.Há alguns anos li a obra Oralidade e cultura escrita, de Walter Ong, à qual tenho retornado com certa frequência.
A obra, como o próprio nome declara, faz uma análise comparativa entre a cultura oral e a cultura escrita.
O capítulo 4, chamado ‘A escrita reestrutura a consciência’, de certa forma diz muito sobre o que espero deste blog. Cito um trecho:
“A escrita, em seu sentido comum, foi e é a mais importante de todas as invenções humanas. Não é um mero apêndice da fala. Em virtude de mover a fala do mundo oral-auricular para um novo mundo sensorial, o da visão, ela transforma tanto a fala quanto o pensamento.” (p.100)
E mais:
“Dizer que a escrita é artificial não é condená-la, mas elogiá-la. Como outras criações artificiais, e, na verdade, mais do que qualquer outra, ela é inestimável e de fato fundamental para a realização de potenciais humanos mais elevados, interiores. As tecnologias não constituem meros auxílios exteriores, mas, sim, transformações interiores da consciência, e mais ainda quando afeitas à palavra. [...] A escrita aumenta a consciência.” (p.98)
Ao se propriar da escrita, portanto, a pessoa descobre novas formas de organizar seu arcabouço cognitivo.
Entre outras coisas, isso faz pensar no crime que é cometido toda vez que uma criança sai da escola com um diploma, mas é incapaz de escrever uma mensagem minimamente inteligível. Ela será privada de se apropriar do poder da escrita, que lhe garantiria o direito de reivindicar seu status de cidadã.

A obra, como o próprio nome declara, faz uma análise comparativa entre a cultura oral e a cultura escrita.

O capítulo 4, chamado ‘A escrita reestrutura a consciência’, de certa forma diz muito sobre o que espero deste blog. Cito um trecho:

“A escrita, em seu sentido comum, foi e é a mais importante de todas as invenções humanas. Não é um mero apêndice da fala. Em virtude de mover a fala do mundo oral-auricular para um novo mundo sensorial, o da visão, ela transforma tanto a fala quanto o pensamento.” (p.100)

E mais:

“Dizer que a escrita é artificial não é condená-la, mas elogiá-la. Como outras criações artificiais, e, na verdade, mais do que qualquer outra, ela é inestimável e de fato fundamental para a realização de potenciais humanos mais elevados, interiores. As tecnologias não constituem meros auxílios exteriores, mas, sim, transformações interiores da consciência, e mais ainda quando afeitas à palavra. [...] A escrita aumenta a consciência.” (p.98)

Ao se propriar da escrita, portanto, a pessoa descobre novas formas de organizar seu arcabouço cognitivo.

Entre outras coisas, isso faz pensar no crime que é cometido toda vez que uma criança sai da escola com um diploma, mas é incapaz de escrever uma mensagem minimamente inteligível. Ela será privada de se apropriar do poder da escrita, que lhe garantiria o direito de reivindicar seu status de cidadã.

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Naveg@r é impreciso

Até hoje, nunca havia desejado ter um blog, porque acreditava que não tinha nada a dizer que pudesse interessar a alguém. Mas vários fatos, dos quais falarei em outros posts, me fizeram repensar essa decisão.
Para começar, entendi que um blog não é apenas um diário pessoal que alguém cria para estimular o voyerismo alheio. Pode ser que há cerca de dez anos, quando os primeiros blogs foram criados, a intenção dos blogueiros fosse realmente essa, mas as coisas mudaram.
Hoje há blogs com propósitos variados e em contextos igualmente variados. Há blogs pessoais servindo como livros de fotos e comentários entre amigos, blogs jornalísticos, blogs corporativos. Quase um tipo de blog para cada propósito que se possa imaginar para essa ferramenta.
E há um outro propósito para os blogs que talvez não seja tão evidente: uma ferramenta de desenvolvimento cognitivo coletivo, ou seja, um recurso para pensar e desenvolver as ideias com a colaboração de outras pessoas.
Foi com esse objetivo que criei este blog. E espero ser capaz de realizar esse propósito. Se não conseguir, não terá sido por culpa da ferramenta.

Até hoje, nunca havia desejado ter um blog, porque acreditava que não tinha nada a dizer que pudesse interessar a alguém. Mas vários fatos, dos quais falarei em outros posts, me fizeram repensar essa decisão.

Para começar, entendi que um blog não é apenas um diário pessoal que alguém cria para estimular o voyeurismo alheio. Pode ser que há cerca de dez anos, quando os primeiros blogs foram criados, a intenção dos blogueiros fosse realmente essa, mas as coisas mudaram.

Hoje há blogs com propósitos variados e em contextos igualmente variados. Há blogs pessoais servindo como livros de fotos e comentários entre amigos, blogs jornalísticos, blogs corporativos. Quase um tipo de blog para cada propósito que se possa imaginar para essa ferramenta.

E há um outro propósito para os blogs que talvez não seja tão evidente: uma ferramenta de desenvolvimento cognitivo coletivo, ou seja, um recurso para pensar e desenvolver ideias com a colaboração de outras pessoas.

Foi com esse objetivo que criei este blog. E espero ser capaz de realizar esse propósito. Se não conseguir, não terá sido por culpa da ferramenta.

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