Posts tagged: empoderamento

Educação 2.0

No artigo From Knowledgeable to Knowledge-able: Learning in New Media Environments, Michael Wesch, professor da Universidade do Kansas, apresenta neste artigo uma reflexão sobre a educação que ainda predomina em grande parte das escolas e que se fundamenta nos pressupostos de que aprender é acumular conhecimentos valiosos que são transmitidos dentro de uma estrutura social na qual se destaca a autoridade do professor.

Para o autor, essa educação vem sendo ameaçada pelas novas tecnologias de informação e comunicação, que há algum tempo vêm instaurando novas formas de interação, discurso, sociabilidade e colaboração. E as novas gerações parecem cada vez mais familiarizadas com essa verdadeira revolução tecnológica e social.

Wesch assinala dentre os marcos dessa revolução: a popularização dos blogs, que deram aos usuários o poder de se transformar em produtores de informação e não mais meros consumidores como nas décadas anteriores; a Wikipedia, que provou que conteúdo produzido por usuários pode ter qualidade compatível com a de obras produzidas por especialistas; e as novas formas de organizar coletivamente o aparente caos da Web, tais como as tags (etiquetas).

Nesse novo contexto de mídias, ele afirma, chega-se ao ponto em que o usuário não mais precisará buscar a informação, pois ela poderá chegar até ele.

Ao ignorar essa realidade, a educação acaba por gerar o fenômeno que wesch chama de ‘crise da significância’, pela qual os alunos lutam para encontrar sentido naquilo que a escola lhes impõe e quando não o encontram demonstram comportamentos disruptivos – desatenção, confrontação e até agressividade.

A solução para Wesch está na aceitação de que a informação no mundo atual não mais se encontra em um lugar privilegiado (a escola) nem tampouco nas mãos de um ser privilegiado (o professor). Ela está em todos os lugares, acessível por diversas tecnologias que os próprios alunos já dominam. O que falta é lançar o foco sobre o porquê aprender (a significância para o aluno), facilitar o como aprender (dando-lhe recursos que a tecnologia não garante) e deixar que a aprendizagem ocorra naturalmente.

O ‘como’ é para Wesch de vital importância. Na educação que vimos fazendo até então, simplesmente organizávamos o conhecimento a ser transmitido em disciplinas estanques (língua portuguesa não tem a ver com matemática, que não tem a ver com geografia etc.). Na educação verdadeiramente contemporânea, wesch defende que o foco seja deslocado para as subjetividades, isto é, para as formas de abordar, compreender e interagir com o mundo.

Ensinar com foco em subjetividades implica criar instabilidade, desafiar os pressupostos que todos os seres humanos têm arraigados dentro de si. Isso é desafiador e só ocorre onde há respeito mútuo entre professor e aluno. Cabe ao professor, nesse contexto, instilar no aluno a confiança necessária de que ele precisará para enfrentar o desafio de questionar tudo, inclusive a si mesmo.

Wesch não tem respostas sobre a forma certa de enfrentar esse desafio, que ele chama de ‘antiensino’. Na verdade, ele aponta as dificuldades inerentes ao processo a partir de sua própria prática no ensino superior – p.ex. a necessidade de cumprir exigências institucionais para avaliação de aprendizagem.

O que ele destaca, entretanto, também a partir de sua experiência, é que o antiensino permite criar ambientes efetivamente favoráveis à aprendizagem significativa para o aluno.

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Um Twitter na Escuridão

No incidente de 10 de novembro, que deixou 18 Estados às escuras, o Twitter demonstrou, mais uma vez,  seu potencial como ferramenta de informação em tempo real. Pelo menos isso ficou muito claro (sem trocadilhos) para mim.

Impossibilitado de me conectar, assim que desconfiei que a falta de energia era mais do que apenas um problema no bairro, liguei o rádio do celular e passei a acompanhar uma das estações que ainda estava no ar. Era uma das que transmitem notícias 24 horas. O assunto, claro, não poderia ser outro que não o ‘apagão’ (depois rebatizado como blecaute).

O mais interessante foi poder saber, em tempo real, o que acontecia em meu Estado, em São Paulo, no Paraná, no Rio Grande do Sul, na Bahia etc. graças às curtas mensagens de 140 caracteres que outros ouvintes postavam no perfil da rádio naquele momento.

Os jornalistas mal coneguiam acompanhar a enxurrada de mensagens e frequentemente informavam que iam atualizar a página. Cada ação dessas trazia dezenas de novas mensagens, algumas desmentidas nos minutos seguintes à medida que os fatos evoluíam (ou não) e o problema começava a ser resolvido.

Era angustiante saber que grande parte do país estava às escuras e pensar que conhecidos poderiam estar presos em elevadores ou desorientados nas ruas, mas era também reconfortador saber que algumas cidades já começavam a ter o fornecimento normalizado.

Essa data ficará marcada para mim. Quando me perguntarem o que eu estava fazendo na hora do apagão/blecaute de 10 de novembro de 2009, eu direi que estava ‘ouvindo’ o Twitter no celular.

Parabéns à equipe da Bandnews FM pela cobertura!

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Última fronteira da blogosfera

A Revista Época desta semana traz uma matéria sobre os blogueiros da região Norte.

No mapa ainda esparso da blogosfera amazônica – o percentual de usuários com acesso à rede em casa (7% em 2008) ainda está muito aquém do encontrado no Sudeste (25% em 2008) -  surgem pioneiros que desafiam a política local (e pagam um preço por isso) e até criam pontes com a cultura pop, atraindo público de regiões onde a blogosfera é mais densamente povoada.

Segundo Fábio Malini, professor da Universidade Federal do Espírito Santo e autor da Cartografia da blogosfera no Brasil (ainda inédita), o fenômeno é recente na região Norte, pois a maioria dos blogueiros começaram a publicar a partir de 2007 – bom lembrar que os blogs já existem há dez anos.

Além de permitir, nas palavras de Malini, a “expressão de uma vontade política adormecida”, os blogs locais vêm rompendo o isolamento informacional que sempre foi imposto à região. E a tendência é que entrem em evidência graças à eventual candidatura de Marina Silva a presidente na eleição de 2010.

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eGov Brasileiro começa a ser 2.0?

Desde o dia 7 de agosto, o Ministério da Educação vem usando o Twitter para divulgar notícias e informações publicadas em seu portal, “além de links para vídeos publicitários, institucionais, transmissões ao vivo da TV MEC e atualizações da Rede de Comunicadores da Educação”.

A iniciativa demonstra que o ‘eGov brasileiro’ parece estar antenado às novas tendências da comunicação entre instituições e o público, afinal o Twitter tem tido um crescimento significativo em nosso país e com uma base de usuários cujo perfil é de formadores de opinião.

Mas, se o Ministério ficar restrito à divulgação à la broadcasting unilateral, o melhor da ferramenta não terá sido explorado: a possibilidade de criar redes de educadores dispostos a colaborar e divulgar boas práticas que deveriam ser conhecidas em todo o país.

A iniciativa é estimulante, mas precisa ser explorada de forma menos tímida.

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Ei, Twitter, o que você está fazendo?

Para uma ferramenta lançada em 2006, sem muito sucesso (DELFINI, 2009), até que ele vem surpreendendo, tanto na audiência quanto nos usos.

Usuários
Um estudo de 2008 (KRISHNAMURTHY, GILL e ARLITT, 2008) demonstrou que o Brasil estava na lista dos 10 países com maior presença no Twitter, mas foi apenas no primeiro semestre de 2009 que a ferramenta de fato se popularizou no país. Segundo o Ibope (FELITTI, 2009), o número de visitantes do Twitter no Brasil saltou de 344 mil em fevereiro deste ano para 677 mil em março, um aumento de quase 97%. E o perfil desses usuários já é conhecido: predominam homens adultos (entre 35 e 49 anos), solteiros, muitos com experiência em outras ferramentas de redes sociais.

As pesquisas indicam que eles conheceram a ferramenta por meio do velho boca a boca, e a usam para se ficar atualizados, trocar conteúdos e manter contato pessoal com amigos (BULLET, 2009; FELITTI, 2009).

Tal como ocorre nos blogs, os usuários do Twitter usam a ferramenta como fonte de informações confiáveis na busca de opiniões e dicas. Um número significativo desses usuários (87%), segundo pesquisa da Bullet, aprovou as dicas recebidas na rede social.

Proporcionalmente, entretanto, ainda há poucos usuários no país, contando apenas 3,9% do total estimado de 255 milhões de internautas. O potencial de crescimento é enorme e, a julgar pelos usos que vêm sendo dados à ferramenta, esse potencial poderá logo se converter em realidade.

Uso Corporativo
As grandes empresas, principalmente estrangeiras, têm demonstrado interesse  no potencial do Twitter. Segundo a revista Fortune, 36 das 100 maiores empresas de seu ranking já exploram a ferramenta de alguma forma (DELFINI, 2009).

Empresas de construção vêm aproveitando a popularidade da rede social para divulgar promoções exclusivas que acabam resultando em vendas (PACHECO, 2009). A audiência conquistada acaba por aumentar também a presença da marca das empresas a custo zero, o que pode se traduzir em resultados.

Para empresas como as corretoras de investimentos, que precisam ter agilidade no fornecimento de informações aos clientes, ter uma conta no Twitter representa um enorme diferencial competitivo (PACHECO, 2009).

Serviços de atendimento a clientes (SACs) de grandes empresas também já migraram para a ferramenta (BARIFOUSE, 2008).

Mesmo empresas preocupadas em apenas rastrear os movimentos do mercado a partir das opiniões dos consumidores têm a ganhar com a existência do Twitter, pois já existem ferramentas capazes de rastrear os comentários sobre seus produtos e serviços feitos pelos usuários da rede social (BARIFOUSE,2008). Para o presidente da agência DM9DDB, monitorar as redes sociais é uma forma de proteger os clientes, pois comentários feitos no Orkut e no Twitter, por exemplo, podem “derrubar uma marca ou destruir uma promoção” (VALENTE, 2009).

Outro uso possível do Twitter é a formação de redes internas nas empresa para estímulo às inovações, fez a IBM com o lançamento da Blue Twit (BARIFOUSE, 2008).

Os benefícios também existem para quem busca emprego, pois algumas consultorias de RH já têm suas contas no Twitter para oferta de vagas (PACHECO, 2009).

Uso Social
O Twitter tem começado a despontar como ferramenta de mobilização. Vários cidadãos organizados já veem a possibilidade de usar a rede social para, por exemplo, partilhar informações que garantam a circulação segura em vias públicas de grandes cidades (GERBASE, 2009).

A ferramenta também vem sendo empregada por motoristas para criar uma rede de informações sobre as condições do trânsito, o que poderá facilitar o fluxo em regiões críticas das metrópoles (O TRÂNSITO, 2009).

Twitter na Política
Dois grandes eventos da política internacional demonstraram o poder do Twitter: a eleição de Barack Obama nos Estados Unidos em 2008 e a crise no Irã após as eleições de 2009.

A campanha de Obama, embora não tenha sido a primeira na história da política americana a explorar as tecnologias de redes sociais, foi a primeira a fazê-lo de forma abrangente (várias tecnologias) e criativa (NATIONS, s.d).

No caso do Irã, a divulgação dos resultados da eleição de 2009 deflagrou protestos que, durante algum tempo, contaram com a cobertura da imprensa internacional. Quando os jornalistas internacionais começaram a ser censurados e mesmo expulsos do país, coube aos internautas iranianos enviar para fora, via Twitter, o relato dos fatos que ocorriam diariamente em seu país (PEREIRA, 2009).

Um estudo estimou que, entre 7 (período pré-eleitoral) e 26 de junho, pouco mais de dois milhões de mensagens foram publicadas na rede social (BLANCO, 2009). A possibilidade de publicar mensagens a partir de telefones celulares contribuiu para que os relatos sobre a crise continuassem a ser divulgados mesmo sob risco de bloqueio no acesso à Internet a partir do país.

China, Moldávia e Guatemala engrossam a lista de países com regimes ‘linha-dura’ que também  tiveram de enfrentar o poder do Twitter.

Twitter vs. Mídias Tradicionais
O Twitter, mais do que os blogs, demonstrou o poder democrático das redes sociais na disseminação da informação. A exigência de concisão (publicar com até 140 caracteres) e a facilidade de uso deram à ferramenta um apelo irresistível, pois qualquer usuário passou a poder tornar-se ‘jornalista e editor’ de seu próprio veículo informativo. (ALBUQUERQUE, 2009)

Uma das principais críticas que se faz ao Twitter, bem como às demais redes sociais, tem a ver com a credibilidade (BLANCO, 2009), a qual, para alguns estudiosos, só é garantida pelos veículos tradicionais e já estabelecidos, que “conseguem processar relatos, debates, pensamentos com independência dos poderes constituídos” (BUCCI, 2009).

Referências
ALBUQUERQUE, A. de. Tocqueville vai ao Twitter. O Globo, Rio de Janeiro,  18 jul. 2009. p.3.

BARIFOUSE, D. O que você está fazendo? In: Época Negócios. Outubro 2008. p. 30.

BLANCO, S. Twitter não basta para revolução. El País. 10 jul. 2009.

BUCCI, E. Entrevista. O Globo. Rio de Janeiro, 18 jul. 2009,  p.2.

BULLET. Twitter Brasil. Disponível em: <http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/files/615/2009/06/pesquisa_twitter.pdf>. Data de acesso: 17 jul. 2009

DELFINI, L. Twitter: O que você está fazendo? Locaweb, São Paulo. Edição 16, Jul. 2009, p. 34-43

FELITTI, G. Tráfego do Twitter cresce 96,8% em março no Brasil. IDG Now. Disponível em: <http://idgnow.uol.com.br/internet/2009/04/13/trafego-do-twitter-cresce-96-8-em-marco-no-brasil-afirma-ibope/>. Data de acesso: 17 jul. 2009.

GERBASE, F. Moradores de Botafogo criam movimento para conter violência. O Globo, Rio de Janeiro, 12 jul. 2009,  p.15.

KRISHNAMURTHY, B.; GILL, P. e ARLITT, M. A few chirps about twitter.  In:  WOSP ’08: Proceedings of the first workshop on Online social networks. 2008, pp. 19-24.

O TRÂNSITO está livre no Twitter. O Globo, Rio de Janeiro, 18 jul. 2009, p.4.

NATIONS, D. How Barack Obama Is Using Web 2.0 to Run for President. s.d. Disponível em: <http://webtrends.about.com/od/web20/a/obama-web.htm> Data de acesso: 22 jul. 2009.

PACHECO, N. Twitter: nova ferramenta de negócios. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 jul. 2009, p. E1.

PEREIRA, R. Rebelião 2.0. Época: São Paulo. p. 102-106. 22 jun. 2009

VALENTE, S. ‘Passamos a monitorar todas as redes sociais’. O Globo, Rio de Janeiro, 26 jul. 2009, p. 27.

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