Posts tagged: entrevista

Biz na Veja: o futuro do Twitter

Christopher Isaac  ’Biz’  Stone é uma das personalidades mais influentes do mundo, segundo a revista Time. Aos 35 anos, Biz é um dos criadores do Twitter, ferramenta que, segundo declara à revista Veja desta semana, foi lançada sem a certeza de que despertaria algum interesse.

De fato, por quase dois anos (2006-2008), o interesse foi pouco, mas vem crescendo a ponto de ser considerado um dos trunfos da vitoriosa campanha presidencial de Barack Obama. Biz acredita que essa relação entre o twitter e a política tem a ver tanto com a facilidade que a ferramenta traz para quem deseja publicar na Internet e desconhece as linguagens técnicas quanto com o fato de que ele “permite a conexão direta” entre os políticos e os eleitores.

O entrevistado também cita a importância que o Twitter adquiriu em função de movimentos populares no Irã e no Egito, algo totalmente inesperado para os criadores da ferramenta.

Esses fatos desfazem a falsa noção de que as mensagens trocadas no Twitter não passam de trivialidades. Segundo Stone, muitos usuários trocam informações sobre o que ocorre em suas comunidades, o que pode incluir questões tão diversas quanto o trânsito e a violência urbana.

Para o futuro, ele indica o lançamento de contas para empresas com serviços agregados de interesse específico e uma maior integração entre as redes sociais.

Crente no crescimento contínuo de seu produto, Biz Stone afirma que a maior vantagem dele em relação a tecnologias mais tradicionais como o e-mail e as mensagens instantâneas está na liberdade oferecida ao usuário, que não se sente obrigado a responder todas as mensagens que lê.

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0 (from 0 votes)

Educação 2.0

A Secretária Municipal de Educação do Rio de Janeiro demonstra que é possível, sim, ao gestor público abrir canais de comunicação com a população e os servidores.

Claudia Costin declarou, em entrevista ao Jornal O Globo de hoje, que abriu seu e-mail pessoal (“porque o da prefeitura é longo, difícil de decorar”) para professores e funcionários e que responde pessoalmente os casos novos trazidos por eles.

E agora a secretária tem também uma conta no Twitter com quase 600 seguidores (no momento em que escrevo). Graças à ferramenta de microblogging, ela declara, “se tornou íntima de professores e diretores que sequer conhece pessoalmente”.

 

BERTA, R. Metas para melhorar as notas do ensino. Rio. O Globo, Rio de Janeiro,  6 set. 2009. p.15.

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0 (from 0 votes)

Dentro da cabeça do filósofo

O filósofo Pierre Lévy deu uma entrevista ao Portal G1 na qual fala sobre o projeto que coordena para criação de uma linguagem que dê à Web um caráter realmente universal (não fragmentado pelas línguas naturais) e permita a potencialização da inteligência coletiva.

Não vou comentar o projeto, sobre o qual já twittei, mas sim as declarações finais feitas pelo filósofo sobre as mídias sociais que ele usa no dia a dia. Essa informação é valiosa, pois nos abre uma janela para a mente de um formador de opinião.

Lévy declara que usa o Twitter, que considera “social e intelectualmente muito complexo”, e segue 134 pessoas no momento em que escrevo, mas afirma ter dificuldade para ler tudo.

Considerando seus 2200 seguidores, pode-se concluir que ele não tem o propósito de usar a rede prioritariamente para o diálogo, mas, talvez, para se manter em dia com as novidades relativas aos assuntos de seu interesse. Manter uma rede pequena e bem selecionada deve, portanto, ser sua estratégia de uso da rede social.

Outra ferramenta 2.0 usada pelo filósifo é o Delicious, um serviço para manutenção de bookmarks que permite a indexação (tagging), armazenamento e compartilhamento de referências úteis. Ele declara que a ferramenta é uma forma de “organizar a memória de longo prazo”, atribuindo a ela, portanto, uma função cognitiva importante, mas também de “descobrir pessoas que estão interessadas nos mesmos assuntos”, isto é, de filtragem social da informação.

Lévy também usa o Twine, ferramenta construída como plataforma de aplicativos semânticos que emprega processamento de linguagem natural, análise estatística e análise de grafos para ajudar as pessoas a lidar com a sobrecarga de informações que as assola atualmente. Ele declara que já “[descobriu] coisas no Twine que [acabou] postando no Twitter”, caracterizando a ferramenta como outro filtro social importante.

Saber como Pierre Lévy e outros pensadores exploram as mídias sociais nos dá uma oportunidade de entender sua função como apoios à cognição ou, nos termos do próprio Lévy, tecnologias da inteligência.

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0 (from 0 votes)

O Blog de Saramago ou Saramago sobre Blogs

A entrevista começa com uma descrição do que deveria ser a produção blogueira:

“As frases longas e bem elaboradas a que os leitores de José Saramago estão acostumados continuam lá, mas o ambiente é outro, justamente um que costuma pedir frases curtas, sem a necessidade de muita elaboração.”

Mas Saramago desmente essa opinião ao declarar:

“Escrever num blog não difere em nada de escrever numa folha de papel. Salvo a extensão do texto em que, no caso do blog, se aconselha uma certa brevidade, os escritores não estão condicionados por normas ou regras que, supostamente, caracterizariam o blog.”

E ainda:

“Continuo a utilizar frases longas, das que dão espaço e tempo para observações e análises quer considero necessárias. A tão louvada clareza das sínteses é, não raro, enganosa.”

Isso vai ao encontro de minha proposta de que o blog não é apenas (será que é de alguma forma?) uma ferramenta de comunicação mediada por computador, mas, sim, uma ferramenta de publicação mediada por computador. Não é CMC, mas PMC.

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: -1 (from 1 vote)

Entrevista com Rosana Hermann

Rosana é mestre em Física Nuclear (USP), mas é mais conhecida por atuar como roteirista, jornalista e radialista. Está entre os blogueiros brasileiros veteranos, pois publica desde 2000. Seu blog Querido Leitor está entre os mais populares da blogosfera brasileira.

No melhor espírito da Internet, ela concordou em responder várias perguntas que lhe enviei. O resultado é a entrevista que publico aqui.

1. Por que você ‘bloga’?

Antes de ter um blog eu tinha um site, o farofa.com.br  Fiz parte da “bolha” da Internet e, três meses depois de registrar o domínio, tive propostas de trabalho de 3 grandes portais. Durante dois anos fui patrocinada para fazer o Farofa. No ano 2000 conheci a ferramenta blog. Achei muito mais prático, porque era baseado na web e não exigia programas para fazer páginas nem FTP para upload etc. Passei a blogar e, desde então, escrevo no blog diariamente. Blogar é um exercício para o escritor como o treino o é para um atleta. Além de todas as outras vantagens.

2. O blog representa a ‘filosofia’ original da Internet?

O blog é um espaço autoral, público e aberto. É também um espaço de relacionamento e compartilhamento. Nesse sentido, acho que a resposta é ‘sim’.

3. Blogs são formadores de opinião?

Blogs são influenciadores de opinião e geradores de discussão, na minha opinião.

4. O blog ocupou o lugar das mídias tradicionais?

O blog é um adendo para as mídias tradicionais, um complemento.

5.O blog desequilibrou as instâncias de poder que eram ‘sustentadas’ pelas mídias tradicionais?

O blog tem uma vantagem óbvia sobre as mídias tradicionais: não tem intermediários. O autor fala direto com o leitor, sem passar pelo crivo editorial, político, ideológico, comercial de um veículo/ empresa.

6. O que buscam os leitores de blogs?

Os leitores buscam informação filtrada pelo olhar do blogueiro, convivência com outros leitores, informação relevante.

7. Como os leitores de blogs resolvem a questão da credibilidade da informação?

Os leitores de um blog leem muitas outras coisas na Internet, pesquisam, confrontam informações. Isso é ótimo, porque ninguém fica preso a uma fonte só.

8. Sua experiência mostra que os blogs (a) agregam comunidades reais ou (b) estimulam uma audiência circunstancial?

Sim, os blogs formam comunidade reais.

9. A que você atribui o sucesso dos blogs?

O blog foi o primeiro passo para a interação direta entre produtores de informação e consumidores de informação.

10. O blog corporativo representa a ‘domesticação’ de uma ferramenta que deu poder ao consumidor ou o reconhecimento autêntico pelas corporações da necessidade de se relacionar com a sociedade de forma mais espontânea?

A segunda opção. As empresas perceberam que é mais adequado ter um canal direto com o público.

11. Você bloga há muito tempo. Que inovações observou na tecnologia e na linguagem dos blogs durante esse tempo?

Muita coisa. Hoje é possível postar pelo celular, enviar vídeos, fazer streaming ao vivo, colocar widgets do Twitter. Mudou muito.

12. Você diria que o blog já é uma mídia madura?

Sim, eu diria que os blogs já amadureceram. Passaram da fase de boom e ficaram estáveis.

13. Aonde o blog ainda poderá chegar?

Os blogs ainda têm muito a oferecer. Provavelmente vão entrar numa fase de grande profissionalização.

14. O Twitter é o novo blog?

O Twitter não tem nada a ver com o blog. O Twitter é um  espaço de broadcasting, de marketing, de relacionamento. É muito mais neurótico que o blog, mais veloz, mais perigoso, mais confuso e impreciso.

15. O que faria você deixar de blogar?

Eu só deixaria de blogar se eu parasse de escrever.

16. Tem alguma dica ou orientação para quem deseja se tornar um blogueiro respeitado?

Nesses anos todos escrevendo um blog descobri que assim como “uma corrente é tão forte quanto seu elo mais fraco” o julgamento de um blog é sempre feito pelo seu pior post. Você pode blogar a vida inteira, mas se fizer um post que contraria o leitor, ele reclama e diz que não vai mais voltar… O respeito é o acúmulo de uma maioria esmagadora de acertos.

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0 (from 0 votes)