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Orkut x Facebook – novo round na guerra

Matéria da Revista Época desta semana explica o motivo da recente reforma por que passou a rede social Orkut: é mais um capítulo da guerra que com o concorrente Facebook. O alvo da reforma são países como Brasil e Índia, onde o Orkut ainda é a rede social mais popular.

No Brasil, com seus 50 milhões de usuários, o Orkut é favorito absoluto, mas não se pode desprezar o crescimento do Twitter, que em setembro registrava 9,2 milhões de usuários.

O Facebook talvez ainda seja uma rede ‘da elite’, mas saltou de 500 mil para 5,3 milhões de usuários desde o início deste ano.

A guerra promete ser duradoura.

FERRARI, B. Orkut para exportação. Época. Nº 598. 2 nov. 2009. p. 90

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O Twitter emburrece?

Uma notícia veiculada na semana anterior dava a entender que os usuários do Facebook estavam em vantagem em relação aos do Twitter no quesito aumento da inteligência. O resumo era mais ou menos assim: os usuários do Twitter estão emburrecendo.

A explicação aparentemente estaria nos resultados dos estudos da psicóloga britânica Tracy Alloway, que investiga a memória ativa, responsável pela capacidade de reter e utilizar informações.

A culpa pelo ‘efeito twitter’ estaria na curta extensão das mensagens que a ferramenta permite, as quais são limitadas a 140 caracteres. Os fluxos breves de informação supostamente reduziriam a atenção e impediriam a formação de conexões entre os neurônios.

Tudo isso soa exagerado se considerarmos que o Twitter não costuma ser a única mídia social de um usuário, como comprovaram as pesquisadoras Raquel Recuero e Gabriela Zago. Elas descobriram que 77% dos participantes de sua pesquisa tinham blog próprio além de perfil no Twitter.

Raquel e Gabriela argumentaram que esse fato poderia ser explicado pela dinâmica Twitter-blog: no Twitter, o usuário obtém conteúdos para elaborar no seu blog pessoal por meio de posts, e esses posts são, por sua vez, divulgados no Twitter. O Twitter, portanto, funciona tanto como uma ferramenta de filtragem social quanto de divulgação.

Considerando as limitações do Twitter, a divulgação de posts do blog exigirá do usuário um esforço de concisão que não pode ser considerado limitante, muito pelo contrário.

Ainda é cedo para criticar os resultados da pesquisa de Tracy Alloway, principalmente porque, conforme ela me declarou em contato por e-mail, ainda é preciso coletar mais dados.

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Facebook dá as caras

A visita de Mark Zuckerberg ao Brasil em agosto foi parte da estratégia do executivo do Facebook de conhecer os países onde sua ferramenta começa a despontar nas estatísticas de usuários. Isso é o que se declara em matéria publicada na revista Época Negócios deste mês.

Levando em conta a facilidade dos brasileiros para aderir às redes sociais, e que o número de usuários no país chegou a 1,3 milhão recentemente, concluímos que essa visita foi coberta de segundas intenções.

Os números impressionam: com 250 milhões de usuários, 70% deles fora dos Estados Unidos, o Facebook é a maior rede do mundo, posição que alcançou em agosto de 2008 após desbancar a líder MySpace. Só no primeiro semestre deste ano, 100 milhões de novos perfis foram criados – quase a população do México. Diariamente, mais de um bilhão de fotos são publicadas na ferramenta, o que a torna a maior fonte de compartilhamento de imagens existente.

Seu sucesso crescente é explicado, entre outros motivos, pela possibilidade de adaptação do ambiente ao vários idiomas (o que o Twitter ainda não permite) e de agregação de aplicativos desenvolvidos por terceiros, o que a empresa, inclusive, incentiva por meio de um fundo de US$ 10 milhões.

Empresas como Coca-Cola, Ford, Pepsi, Unilever e Ernst & Young marcam presença com propósitos que vão do monitoramento de imagem, passando por atendimento ao consumidor e chegando ao recrutamento de pessoal. Segundo a empresa, 80% dos maiores anunciantes americanos estão literalmente na sua rede.

No Brasil, país onde mais se passa tempo na Internet e onde 87% dos internautas têm perfis em redes, a porta não está tão aberta. Aqui – como também na Índia – o terreno, como se sabe, é dominado pelo Orkut, mais simples, mais popular e associado ao igualmente popular Google. Mesmo o Twitter tem mais presença, principalmente quando se fala em empresas.

O desafio de Zuckerberg é grande, bem como sua meta de desbancar os buscadores – leia-se Google – oferecendo a filtragem social em substituição aos sofisticados algoritmos de busca.

BARIFOUSE, R. Ele é o futuro da internet? In: Época Negócios. Setembro 2009. p. 100-117.

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Twitter – jovens fora?

Estudos demográficos têm demonstrado que o usuário do Twitter é adulto, na faixa dos 25-35 anos.

Considerando a facilidade de uso da ferramenta e a presença de sua marca nos noticiários, a pergunta mais frequentemente feita era por que usuários mais jovens – adolescentes – não têm representatividade nessa demografia.

Segundo Geoff Cook, o questionamento é falho, pois, para começar, há mais adolescentes no Twitter do que no Facebook.

Além disso, o resultado de uma pesquisa feita com mais de 10.000 jovens americanos na faixa de 13 a 17 anos demonstra que esse grupo tem mais representatividade nas estatísticas de visitas da ferramenta do que outros grupos etários (25-34 e 35-44).

E os jovens que de fato usam a ferramenta o fazem mais frequentemente (5,2 vezes por mês) do que os adultos na faixa de 25-44.

Apesar disso, é fato que um número expressivo de participantes da pesquisa declara não usar a ferramenta. E 45% dos que criaram uma conta não postam comentários.

A razão, segundo Cook, é simples: o Twitter não traz nada de diferente em relação às outras redes sociais (Facebook e Myspace) nas quais esses jovens já estão. Não há valor adicional, portanto, em investir em mais uma rede.

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Dentro da cabeça do filósofo

O filósofo Pierre Lévy deu uma entrevista ao Portal G1 na qual fala sobre o projeto que coordena para criação de uma linguagem que dê à Web um caráter realmente universal (não fragmentado pelas línguas naturais) e permita a potencialização da inteligência coletiva.

Não vou comentar o projeto, sobre o qual já twittei, mas sim as declarações finais feitas pelo filósofo sobre as mídias sociais que ele usa no dia a dia. Essa informação é valiosa, pois nos abre uma janela para a mente de um formador de opinião.

Lévy declara que usa o Twitter, que considera “social e intelectualmente muito complexo”, e segue 134 pessoas no momento em que escrevo, mas afirma ter dificuldade para ler tudo.

Considerando seus 2200 seguidores, pode-se concluir que ele não tem o propósito de usar a rede prioritariamente para o diálogo, mas, talvez, para se manter em dia com as novidades relativas aos assuntos de seu interesse. Manter uma rede pequena e bem selecionada deve, portanto, ser sua estratégia de uso da rede social.

Outra ferramenta 2.0 usada pelo filósifo é o Delicious, um serviço para manutenção de bookmarks que permite a indexação (tagging), armazenamento e compartilhamento de referências úteis. Ele declara que a ferramenta é uma forma de “organizar a memória de longo prazo”, atribuindo a ela, portanto, uma função cognitiva importante, mas também de “descobrir pessoas que estão interessadas nos mesmos assuntos”, isto é, de filtragem social da informação.

Lévy também usa o Twine, ferramenta construída como plataforma de aplicativos semânticos que emprega processamento de linguagem natural, análise estatística e análise de grafos para ajudar as pessoas a lidar com a sobrecarga de informações que as assola atualmente. Ele declara que já “[descobriu] coisas no Twine que [acabou] postando no Twitter”, caracterizando a ferramenta como outro filtro social importante.

Saber como Pierre Lévy e outros pensadores exploram as mídias sociais nos dá uma oportunidade de entender sua função como apoios à cognição ou, nos termos do próprio Lévy, tecnologias da inteligência.

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