Posts tagged: imprensa

Twitter no currículo da faculdade

O Twitter vai se tornar curso na Universidade DePaul em Chicago, EUA.

Confiabilidade da informação e uso das ‘notícias de primeira mão’ publicadas na ferramenta de microblogging estão entre os assuntos abordados.

O impacto de novas mídias sociais no jornalismo também é tema de outros cursos oferecidos pela DePaul, o que demonstra que o valor que elas têm na sociedade já ultrapassou a esfera do relacionamento interpessoal informal.

Cada vez mais, ao que tudo indica, essas mídias estarão associadas à criação e circulação de intangíveis financeiros, intelectuais etc.

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0 (from 0 votes)

Ei, Twitter, o que você está fazendo?

Para uma ferramenta lançada em 2006, sem muito sucesso (DELFINI, 2009), até que ele vem surpreendendo, tanto na audiência quanto nos usos.

Usuários
Um estudo de 2008 (KRISHNAMURTHY, GILL e ARLITT, 2008) demonstrou que o Brasil estava na lista dos 10 países com maior presença no Twitter, mas foi apenas no primeiro semestre de 2009 que a ferramenta de fato se popularizou no país. Segundo o Ibope (FELITTI, 2009), o número de visitantes do Twitter no Brasil saltou de 344 mil em fevereiro deste ano para 677 mil em março, um aumento de quase 97%. E o perfil desses usuários já é conhecido: predominam homens adultos (entre 35 e 49 anos), solteiros, muitos com experiência em outras ferramentas de redes sociais.

As pesquisas indicam que eles conheceram a ferramenta por meio do velho boca a boca, e a usam para se ficar atualizados, trocar conteúdos e manter contato pessoal com amigos (BULLET, 2009; FELITTI, 2009).

Tal como ocorre nos blogs, os usuários do Twitter usam a ferramenta como fonte de informações confiáveis na busca de opiniões e dicas. Um número significativo desses usuários (87%), segundo pesquisa da Bullet, aprovou as dicas recebidas na rede social.

Proporcionalmente, entretanto, ainda há poucos usuários no país, contando apenas 3,9% do total estimado de 255 milhões de internautas. O potencial de crescimento é enorme e, a julgar pelos usos que vêm sendo dados à ferramenta, esse potencial poderá logo se converter em realidade.

Uso Corporativo
As grandes empresas, principalmente estrangeiras, têm demonstrado interesse  no potencial do Twitter. Segundo a revista Fortune, 36 das 100 maiores empresas de seu ranking já exploram a ferramenta de alguma forma (DELFINI, 2009).

Empresas de construção vêm aproveitando a popularidade da rede social para divulgar promoções exclusivas que acabam resultando em vendas (PACHECO, 2009). A audiência conquistada acaba por aumentar também a presença da marca das empresas a custo zero, o que pode se traduzir em resultados.

Para empresas como as corretoras de investimentos, que precisam ter agilidade no fornecimento de informações aos clientes, ter uma conta no Twitter representa um enorme diferencial competitivo (PACHECO, 2009).

Serviços de atendimento a clientes (SACs) de grandes empresas também já migraram para a ferramenta (BARIFOUSE, 2008).

Mesmo empresas preocupadas em apenas rastrear os movimentos do mercado a partir das opiniões dos consumidores têm a ganhar com a existência do Twitter, pois já existem ferramentas capazes de rastrear os comentários sobre seus produtos e serviços feitos pelos usuários da rede social (BARIFOUSE,2008). Para o presidente da agência DM9DDB, monitorar as redes sociais é uma forma de proteger os clientes, pois comentários feitos no Orkut e no Twitter, por exemplo, podem “derrubar uma marca ou destruir uma promoção” (VALENTE, 2009).

Outro uso possível do Twitter é a formação de redes internas nas empresa para estímulo às inovações, fez a IBM com o lançamento da Blue Twit (BARIFOUSE, 2008).

Os benefícios também existem para quem busca emprego, pois algumas consultorias de RH já têm suas contas no Twitter para oferta de vagas (PACHECO, 2009).

Uso Social
O Twitter tem começado a despontar como ferramenta de mobilização. Vários cidadãos organizados já veem a possibilidade de usar a rede social para, por exemplo, partilhar informações que garantam a circulação segura em vias públicas de grandes cidades (GERBASE, 2009).

A ferramenta também vem sendo empregada por motoristas para criar uma rede de informações sobre as condições do trânsito, o que poderá facilitar o fluxo em regiões críticas das metrópoles (O TRÂNSITO, 2009).

Twitter na Política
Dois grandes eventos da política internacional demonstraram o poder do Twitter: a eleição de Barack Obama nos Estados Unidos em 2008 e a crise no Irã após as eleições de 2009.

A campanha de Obama, embora não tenha sido a primeira na história da política americana a explorar as tecnologias de redes sociais, foi a primeira a fazê-lo de forma abrangente (várias tecnologias) e criativa (NATIONS, s.d).

No caso do Irã, a divulgação dos resultados da eleição de 2009 deflagrou protestos que, durante algum tempo, contaram com a cobertura da imprensa internacional. Quando os jornalistas internacionais começaram a ser censurados e mesmo expulsos do país, coube aos internautas iranianos enviar para fora, via Twitter, o relato dos fatos que ocorriam diariamente em seu país (PEREIRA, 2009).

Um estudo estimou que, entre 7 (período pré-eleitoral) e 26 de junho, pouco mais de dois milhões de mensagens foram publicadas na rede social (BLANCO, 2009). A possibilidade de publicar mensagens a partir de telefones celulares contribuiu para que os relatos sobre a crise continuassem a ser divulgados mesmo sob risco de bloqueio no acesso à Internet a partir do país.

China, Moldávia e Guatemala engrossam a lista de países com regimes ‘linha-dura’ que também  tiveram de enfrentar o poder do Twitter.

Twitter vs. Mídias Tradicionais
O Twitter, mais do que os blogs, demonstrou o poder democrático das redes sociais na disseminação da informação. A exigência de concisão (publicar com até 140 caracteres) e a facilidade de uso deram à ferramenta um apelo irresistível, pois qualquer usuário passou a poder tornar-se ‘jornalista e editor’ de seu próprio veículo informativo. (ALBUQUERQUE, 2009)

Uma das principais críticas que se faz ao Twitter, bem como às demais redes sociais, tem a ver com a credibilidade (BLANCO, 2009), a qual, para alguns estudiosos, só é garantida pelos veículos tradicionais e já estabelecidos, que “conseguem processar relatos, debates, pensamentos com independência dos poderes constituídos” (BUCCI, 2009).

Referências
ALBUQUERQUE, A. de. Tocqueville vai ao Twitter. O Globo, Rio de Janeiro,  18 jul. 2009. p.3.

BARIFOUSE, D. O que você está fazendo? In: Época Negócios. Outubro 2008. p. 30.

BLANCO, S. Twitter não basta para revolução. El País. 10 jul. 2009.

BUCCI, E. Entrevista. O Globo. Rio de Janeiro, 18 jul. 2009,  p.2.

BULLET. Twitter Brasil. Disponível em: <http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/files/615/2009/06/pesquisa_twitter.pdf>. Data de acesso: 17 jul. 2009

DELFINI, L. Twitter: O que você está fazendo? Locaweb, São Paulo. Edição 16, Jul. 2009, p. 34-43

FELITTI, G. Tráfego do Twitter cresce 96,8% em março no Brasil. IDG Now. Disponível em: <http://idgnow.uol.com.br/internet/2009/04/13/trafego-do-twitter-cresce-96-8-em-marco-no-brasil-afirma-ibope/>. Data de acesso: 17 jul. 2009.

GERBASE, F. Moradores de Botafogo criam movimento para conter violência. O Globo, Rio de Janeiro, 12 jul. 2009,  p.15.

KRISHNAMURTHY, B.; GILL, P. e ARLITT, M. A few chirps about twitter.  In:  WOSP ’08: Proceedings of the first workshop on Online social networks. 2008, pp. 19-24.

O TRÂNSITO está livre no Twitter. O Globo, Rio de Janeiro, 18 jul. 2009, p.4.

NATIONS, D. How Barack Obama Is Using Web 2.0 to Run for President. s.d. Disponível em: <http://webtrends.about.com/od/web20/a/obama-web.htm> Data de acesso: 22 jul. 2009.

PACHECO, N. Twitter: nova ferramenta de negócios. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 jul. 2009, p. E1.

PEREIRA, R. Rebelião 2.0. Época: São Paulo. p. 102-106. 22 jun. 2009

VALENTE, S. ‘Passamos a monitorar todas as redes sociais’. O Globo, Rio de Janeiro, 26 jul. 2009, p. 27.

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0 (from 0 votes)

Escrita e Poder 1

Estou lendo Blog, do jornalista e professor universitário Hugh Hewitt, como ‘dever de casa’ para entender uma das tecnologias 2.0 de maior sucesso.

No segundo capítulo do livro, o autor afirma que vivemos hoje uma revolução na tecnologia da comunicação semelhante à ocorrida no século XVI.

Naquele século, se lembrarmos as aulas de História, o monge Martinho Lutero questionou a interpretação que Roma dava às escrituras.

O filme Lutero encena os fatos ocorridos na época e destaco uma cena importante:

16:32-18:15: Lutero começa a questionar a interpretação das escrituras então dominante

O ponto do capítulo na obra de Hewitt é que Lutero teve a sorte de viver na época em que já existiam os tipos móveis, a origem da imprensa, criados por Gutenberg. A invenção de Gutenberg retirou dos monges copistas (portanto da Igreja) a exclusividade pela reprodução de textos.

Outra cena do filme mostra como os dois fatos históricos (invenção da imprensa e questionamentos de Lutero) deram origem ao movimento da Reforma, que, como sabemos hoje, teve consequências que foram além da religião.

02:02-04:00: Lutero prega suas 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg. Elas são então copiadas e impressas.

Hewitt afirma que “Gutenberg amplificou a voz humana de tal modo que ela pôde ser ouvida em todo o mundo. Ele forneceu os meios pelos quais uma pessoa pode se comunicar com as massas sem a interferência das estruturas institucionais. Finalmente os indivíduos podiam falar, e ninguém podia silenciá-los.”

É mais ou menos isso que vivemos hoje, não é?

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0 (from 0 votes)