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Retuitando à moda antiga

Que o Twitter é uma ferramenta aperfeiçoada pelo conjunto de seus usuários ninguém duvida.

Apenas para lembrar, o uso da sintaxe @nome para sinalizar o destinatário de uma mensagem foi uma inovação introduzida pelos usuários e adotada pela ferramenta. O mesmo se pode dizer do uso da forma RT (abreviação de Retweet) para encaminhar uma mensagem recebida aos perfis seguidores.

A questão é que os administradores da ferramenta adotam essas inovações e (aparentemente) tentam aperfeiçoá-las. Isso ocorreu com o RT, cuja função foi assimilada a um discreto botão que fica oculto no site até que se passe o cursor do mouse sobre ele. Surge então a mensagem ‘Retweet to your followers?’. Basta clicar no botão OK para que a mensagem seja encaminhada. Simples assim.

Antes da introdução do botão, o usuário que quisesse encaminhar uma mensagem precisava colar o texto original, adaptá-lo para caber dentro do limite de 140 caracteres exigidos e incluir a sintaxe RT @nome dessa nova mensagem. Não raramente esse processo exigia malabarismos ortográficos para garantir que o sentido fosse preservado. A grande vantagem é que, quando sobravam caracteres, era possível introduzir comentários, indicações do porquê se decidira encaminhar a mensagem etc.

O botão, com seu automatismo, matou a possibilidade de acréscimo de comentários. A simplicidade, portanto, trouxe um custo: a perda do valor social agregado pelo comentário, pela ênfase na relevância do ato de retuitar.

Tudo indica que os usuários se ressentiram dessa perda. Pelo menos é o que sugere o resultado de uma pesquisa de opinião realizada pelo blog Mashable. De 2551 participantes, 64% (1625) declararam perferir o estilo antigo de retuitar com comentários, 27% (27%) declararam preferir o botão e apenas 9% (227) disseram não ter preferência entre uma forma ou outra.

Os administradores do Twitter mantiveram, logo após a introdução do ‘aperfeiçoamento’ proposto, uma pesquisa no site pedindo a opinião dos usuários. A pesquisa não está mais lá, mas o resultado da pesquisa da Mashable pode sugerir que eles já saibam o que os tuiteiros pensam a respeito.

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O Twitter é do povo!

Dois dos recursos mais úteis do Twitter – o @ para sinalizar destinatário e o RT para indicar retransmissão de mensagem – foram criados pelos usuários. Trata-se de casos explícitos de inovações surgidas a partir das necessidades de uma comunidade.

O @ foi claramente uma adaptação a partir do uso que se faz desse símbolo na comunicação via e-mail. Quanto ao RT, parece ter sido apenas uma convenção a partir do neologismo retweet (retuitar).

O fato é que a ferramenta acabou adotando essas inovações. Mas, em breve, ela incorporará o RT de forma ainda mais explícita, automatizando seu uso. Esse inovação incremental será implantada por causa das confusões ainda existentes quanto à sintaxe correta no uso do RT, a saber: RT @nomedousuário mensagem.

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Twitter e o futuro da inovação

A matéria de Steven Johnson na Time traz uma análise interessante sobre o movimento de inovação desencadeado pelo Twitter, um movimento que vem ajudando a transformar a própria ferramenta.

O autor explica que o Twitter representa uma nova forma de mídia pelo fato de o perfil de cada usuário poder agregar conteúdos (os posts) de usuários que por ele são seguidos, o que pode incluir tanto conhecidos quanto desconhecidos e até celebridades.

Essa possibilidade de fusão de conteúdos tem consequências até então inéditas nas redes sociais:

  • Torna públicas conversas privadas de seguidos cujos perfis são do interesse do usuário, mesmo que não sejam de pessoas em seu círculo de relacionamento;
  • Cria a ilusão de que ‘pessoas comuns’ e celebridades circulam no mesmo ambiente e estão submetidas às mesmas regras de relacionamento/interação.

Johnson também descreve as inovações desenvolvidas pelos próprios usuários da ferramenta:

  • Superação do limite de 140 caracteres pela transformação do serviço de comunicação em serviço de conexão pela inclusão de links para outros locais da Web onde um conteúdo mais extenso poderá ser encontrado;
  • Envio de mensagens para destinatários com uso do @;
  • Agrupamento de tópicos ou eventos por meio de # (hashtag).

Essa forma de inovação (incremental, que aperfeiçoa as funções de um produto) pelo usuário é, para o autor, indicativa da forma como se inovará a partir de agora, visto que as inovações radicais (invenções, quebras de paradigma), propostas por PhDs, vêm-se tornando cada vez mais raras.

Outro ponto interessante, que ressalto, é a possibilidade de que o Twitter venha um dia a desbancar o gigante das buscas.

Desenvolverei essa ideia no próximo post.

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