Posts tagged: mobilização social

Blogosfera 2009

A pesquisa anual Estado da Blogosfera, feita pela Technorati, apresentou seu sexto relatório no mês passado. Embora os dados abranjam blogs de 50 países, quase a metade dos blogueiros que participaram é dos Estados Unidos.

De qualquer forma, os resultados da pesquisa apontam um amadurecimento da blogosfera mundial e sugerem uma grande familiaridade com a mídia, visto que os participantes relataram ter, em média, três ou quatro blogs.

Blogueiros continuam a apresentar um perfil diferenciado: homens (2/3 do total), adultos (18-44 anos), com nível educacional alto em relação à população geral (40% são pós-graduados). Pode-se dizer que se trata de um público formador de opinião ou, pelo menos, capaz de refletir sobre os fatos. Cerca de 30% são, de fato, capazes de influenciar a opinião dos internautas, pois são de alguma forma relacionados às mídias tradicionais (escritores, repórteres).

A pesquisa propõe uma classificação dos blogueiros em quatro categorias:

  • Blogueiros por Passatempo: Representam a maioria (72%). Diferentemente dos demais, não são remunerados por sua atividade, que realizam por diversão. Costumam publicar semanalmente.
  • Blogueiros em Tempo Parcial: Representam os 15% que têm no blog um complemento de renda. A maioria (75%) quer apenas compartilhar seus conhecimentos.
  • Blogueiros Autônomos: Representam os 9% mais profissionais desse universo, pois são remunerados por sua atividade, a qual é executada em tempo integral em nome de sua própria empresa ou organização. Coincidentemente, são os que mais usam (88%) o Twitter.
  • Blogueiros Profissionais: Representam os 4% que blogam para uma empresa ou organização. A maioria (70%) o faz para compartilhar expertise.

Autoexpressão e compartilhamento de expertise são as razões mais frequentemente apresentadas para serem blogueiros – o que não representa uma mudança em relação às pesquisas anteriores. Os Blogueiros por Passatempo têm maior propensão a discutir os aspectos políticos dos temas que publicam, o que raramente ocorre nas demais categorias.

A emergência de outras mídias (p.ex. Twitter) e redes sociais vem causando impacto na blogosfera, pois os blogueiros que vêm aderindo às novidades relatam que têm atualizado seus blogs com frequência menor. De fato, blogueiros têm maior tendência a usar o Twitter do que o restante da população, e o fazem com propósitos diversos: divulgar seus blogs, destacar links interessantes e descobrir as tendências do momento.

Os blogs têm-se caracterizado por uma crescente sofisticação em termos de informação e suporte tecnológico: a maioria (85%) explora recursos como tags, que facilitam a recuperação de textos; grande número (82%) dos blogueiros usam fotos e vídeos em seus blogs; um número ainda pequeno (20%), mas não desprezível, de blogueiros afirma atualizar seus blogs por meio de dispositivos móveis.

Segundo David Hughes, a maturidade dos blogs os transformou em ferramentas poderosas para ativistas, como se observou neste ano durante os protestos contra as eleições iranianas e durante a campanha presidencial nos Estados Unidos no ano anterior. Os participantes da pesquisa acreditam que o maior impacto da blogosfera ocorra mesmo na política e nos negócios.

A pesquisa conclui que a blogosfera se tornou uma ‘caixa de ressonância’ para identificação de questões que devem merecer atenção da sociedade. Mesmo que os blogs abordem questões locais, é preciso reconhecer que sua platéia pode ser universal, o que amplifica o significado dessas questões (creio que o blog de Yoani Sánchez seja um exemplo perfeito disso). Isso resulta na nova tendência puxada pela blogosfera: a globalização da liberdade de expressão.

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: +1 (from 1 vote)

Um Twitter na Escuridão

No incidente de 10 de novembro, que deixou 18 Estados às escuras, o Twitter demonstrou, mais uma vez,  seu potencial como ferramenta de informação em tempo real. Pelo menos isso ficou muito claro (sem trocadilhos) para mim.

Impossibilitado de me conectar, assim que desconfiei que a falta de energia era mais do que apenas um problema no bairro, liguei o rádio do celular e passei a acompanhar uma das estações que ainda estava no ar. Era uma das que transmitem notícias 24 horas. O assunto, claro, não poderia ser outro que não o ‘apagão’ (depois rebatizado como blecaute).

O mais interessante foi poder saber, em tempo real, o que acontecia em meu Estado, em São Paulo, no Paraná, no Rio Grande do Sul, na Bahia etc. graças às curtas mensagens de 140 caracteres que outros ouvintes postavam no perfil da rádio naquele momento.

Os jornalistas mal coneguiam acompanhar a enxurrada de mensagens e frequentemente informavam que iam atualizar a página. Cada ação dessas trazia dezenas de novas mensagens, algumas desmentidas nos minutos seguintes à medida que os fatos evoluíam (ou não) e o problema começava a ser resolvido.

Era angustiante saber que grande parte do país estava às escuras e pensar que conhecidos poderiam estar presos em elevadores ou desorientados nas ruas, mas era também reconfortador saber que algumas cidades já começavam a ter o fornecimento normalizado.

Essa data ficará marcada para mim. Quando me perguntarem o que eu estava fazendo na hora do apagão/blecaute de 10 de novembro de 2009, eu direi que estava ‘ouvindo’ o Twitter no celular.

Parabéns à equipe da Bandnews FM pela cobertura!

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0 (from 0 votes)

O Twitter da Lei Seca

O Twitter da Lei Seca, com mais de 14 mil seguidores, foi criado para avisar motoristas dos locais onde ocorrem as blitzen organizadas para reprimir a direção sob efeito de álcool.

A iniciativa, que começou no Rio de Janeiro e vem sendo adotada em outras cidades do país, não constitui crime e pode até ser vista como uma contribuição para a sociedade, pois previne grandes transtornos no trânsito nos locais onde as blitzen ocorrem.

Mas será ética?

BRISOLLA, F. Siga-me. Revista O Globo. 1º dez. 2009. p 18-19 [leia em PDF]

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: +1 (from 1 vote)

Biz na Veja: o futuro do Twitter

Christopher Isaac  ’Biz’  Stone é uma das personalidades mais influentes do mundo, segundo a revista Time. Aos 35 anos, Biz é um dos criadores do Twitter, ferramenta que, segundo declara à revista Veja desta semana, foi lançada sem a certeza de que despertaria algum interesse.

De fato, por quase dois anos (2006-2008), o interesse foi pouco, mas vem crescendo a ponto de ser considerado um dos trunfos da vitoriosa campanha presidencial de Barack Obama. Biz acredita que essa relação entre o twitter e a política tem a ver tanto com a facilidade que a ferramenta traz para quem deseja publicar na Internet e desconhece as linguagens técnicas quanto com o fato de que ele “permite a conexão direta” entre os políticos e os eleitores.

O entrevistado também cita a importância que o Twitter adquiriu em função de movimentos populares no Irã e no Egito, algo totalmente inesperado para os criadores da ferramenta.

Esses fatos desfazem a falsa noção de que as mensagens trocadas no Twitter não passam de trivialidades. Segundo Stone, muitos usuários trocam informações sobre o que ocorre em suas comunidades, o que pode incluir questões tão diversas quanto o trânsito e a violência urbana.

Para o futuro, ele indica o lançamento de contas para empresas com serviços agregados de interesse específico e uma maior integração entre as redes sociais.

Crente no crescimento contínuo de seu produto, Biz Stone afirma que a maior vantagem dele em relação a tecnologias mais tradicionais como o e-mail e as mensagens instantâneas está na liberdade oferecida ao usuário, que não se sente obrigado a responder todas as mensagens que lê.

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0 (from 0 votes)

Internet e Campanha Eleitoral no Brasil

Obama explorou muito bem a Internet em sua campanha presidencial.

Será que os políticos brasileiros terão o mesmo sucesso nas próximas eleições?

A pesquisadora Vera Chaia, do Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política (Neamp) da PUCSP, não apostaria nisso, como se pode concluir de sua entrevista à IstoÉ.

A questão, além de socioeconômica, é cultural.

Para começar, o reduzido número de brasileiros que têm acesso à Internet ainda não permite aos partidos abrir mão das mídias tradicionais (rádio e televisão) na apresentação de suas propostas.

Em segundo lugar, se as campanhas de mobilização on-line via redes sociais não resultam necessariamente em mudanças de comportamento (p. ex. mobilizações que cheguem às ruas), é pouco provável os candidatos consigam afetar as intenções de voto dos internautas.

Em terceiro, os brasileiros parecem usar a Internet com propósitos mais lúdicos – jogos, diversão, contato com amigos – do que políticos.

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0 (from 0 votes)