Posts tagged: opinião

Ainda o Blog do Planalto

A polêmica sobre o Blog do Planalto frequentou as redes sociais e noticiários esta semana.

A principal crítica feita pelos especialistas e veteranos das mídias sociais foi a respeito da unidirecionalidade adotada na ferramenta, isto é, da impossibilidade de os leitores comentarem as informações publicadas.

Trata-se de uma decisão tomada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), gestora da ferramenta, que a apresenta como “o novo canal de comunicação do governo com a sociedade” e “um primeiro passo para estabelecermos um diálogo cada vez mais próximo e informal entre governo e sociedade”.

Se essas declarações de propósitos devem ser levadas ao pé da letra, as críticas têm fundamento, pois só se estabelece comunicação dialógica quando o canal está aberto dos dois lados, emissor e receptor, dando ao receptor a possibilidade de também assumir o papel de emissor.

Mas o mesmo texto declaratório informa que o blog será para “compartilhar [...] informações sobre o cotidiano da Presidência da República”, isto é, será (também) uma ferramenta de informação.

Dessa forma, uma vez que a vertente de comunicação ainda não está habilitada, pode-se considerar que o Blog do Planalto é apenas uma ferramenta de informação (ou PMC), no tradicional estilo ‘broadcasting’, isto é, de um para muitos.

Quando a comunicação estiver, enfim, habilitada, o “boa leitura!” da frase final poderá ser atualizado para “vamos conversar!”.

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0 (from 0 votes)

Culto do amador

Depois de ler o livro do Hewitt, tive de ler o do Keen para ter os dois pontos vista sobre as tecnologias 2.0.

Dito assim, até parece que os pontos de vista são radicalmente opostos. E quase que são mesmo.

Keen investe sete capítulos de oito para descrever, com dados e referências, por que “blogs, MySpace, YouTube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, culturas e valores” (são palavras dele, não minhas, fique claro).

Mas Keen não é um neoludita, como deixa claro (apenas) no último capítulo, quando enxerga saídas para que as novas tecnologias convivam de forma saudável com as mídias tradicionais.

Ainda que sob o risco de simplificar excessivamente a interpretação da obra de Keen, diria que ele parece pôr toda a culpa nas tecnologias, demonizando-as como se tivessem um poder oculto de despertar os nossos piores instintos/pecados: mentira, luxúria, cobiça.

Mas nós sabemos que os vícios supostamente estimulados pelas tecnologias 2.0 sempre estiveram aí, muito antes mesmo de a Internet se tornar popular. Afinal, antes que se pudesse copiar ilegalmente os CDs para distribuição nas redes P2P, já se copiavam ilegalmente os LPs por meio de fitas magnéticas, não é verdade?

O que ocorreu de fato foi um aumento de volume das práticas ilegais, mas, se elas sempre estiveram presentes de alguma forma e não conseguiram destruir nossa economia, cultura e valores, por que as tecnologias atuais conseguiriam fazê-lo?

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0 (from 0 votes)