<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Tudo 2.0 &#187; oralidade</title>
	<atom:link href="http://www.comunicar.pro.br/tag/oralidade/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.comunicar.pro.br</link>
	<description>porque naveg@r é impreciso</description>
	<lastBuildDate>Fri, 25 Jun 2010 14:11:24 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=</generator>
		<item>
		<title>Twitter é CMC!</title>
		<link>http://www.comunicar.pro.br/2009/07/24/twitter-e-cmc/</link>
		<comments>http://www.comunicar.pro.br/2009/07/24/twitter-e-cmc/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2009 13:47:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Paulo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ferramentas]]></category>
		<category><![CDATA[cmc]]></category>
		<category><![CDATA[discurso]]></category>
		<category><![CDATA[oralidade]]></category>
		<category><![CDATA[twitter]]></category>
		<category><![CDATA[Walter Ong]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.comunicar.pro.br/?p=101</guid>
		<description><![CDATA[Depois que publiquei o post anterior, fiquei pensando durante um bom tempo sobre a proposta de distinguir blog de Twitter em termos de PMC e CMC, respectivamente. Algo começou a sugerir que uma relida do livro do Ong (Oralidade e cultura escrita) poderia trazer mais luz sobre o caso. E trouxe mesmo. Ainda que Ong [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois que publiquei o <a href="http://www.comunicar.pro.br/2009/07/23/twittando/" target="_blank">post anterior</a>, fiquei pensando durante um bom tempo sobre a proposta de distinguir blog de Twitter em termos de PMC e CMC, respectivamente.</p>
<p>Algo começou a sugerir que uma relida do <a href="http://books.google.com.br/books?id=q6qIHSeGgGQC&amp;printsec=frontcover&amp;dq=walter+ong+orality" target="_blank">livro do Ong</a> (Oralidade e cultura escrita) poderia trazer mais luz sobre o caso.</p>
<p>E trouxe mesmo.</p>
<p>Ainda que Ong tenha escrito muito antes de a Internet tornar-se popular, sua exposição sobre cultura oral primária, cultura escrita e cultura oral secundária tem muito a ver com o entendimento do que o Twitter representa enquanto ferramenta de CMC.</p>
<p>A oralidade primária de que fala o autor só é encontrada em culturas que não desenvolveram a escrita, algo cada vez mais raro no mundo contemporâneo, onde a oralidade é necessariamente secundária, isto é, fortemente influenciada pela escrita. Nos contextos de oralidade primária, as palavras, que são apenas faladas, correspondem a verdadeiros eventos, ocorrências que se perdem no tempo porque não podem ser fixadas por meio visual (p. 42). Elas podem até ser reevocadas, mas nunca adquirem status de objetos tal como ocorre em culturas de oralidade secundária.</p>
<p>O Twitter é obviamente uma ferramenta criada dentro da (e para a) cultura escrita, mas as condições de produção e recepção por ela oferecidas (restrição de extensão, sequências de posts de origem diversa e em ordem aleatória) praticamente determinam as características formais dessa produção: textos curtos, provavelmente referenciadores das atividades realizadas pelo autor, e com forte tendência à um registro de oralidade secundária.</p>
<p>É interessante dizer que Ong foi quase profético ao afirmar que &#8220;[...] a tecnologia eletrônica levou-nos à era da &#8216;oralidade secundária&#8217;. Essa nova oralidade tem semelhanças notáveis com a antiga em sua mística participatória, em seu favorecimento de um sentido comunal, em sua concentração no momento presente e até mesmo em seu uso de fórmulas.&#8221; (p. 155)</p>
<p>Uma rede social como o Twitter, mais do que qualquer outra rede (como dito no <a href="http://fr.readwriteweb.com/2009/07/20/analyse/twitter-twitter-twitter/" target="_blank">texto recomendado por Pierre Lévy</a>), permite interlocuções mesmo de participantes que não mantêm vínculos de relacionamento direto.</p>
<p>Minha interpretação de que o Twitter se aproxima da oralidade secundária é reforçada quando relaciono esse potencial de interlocuções com o seguinte trecho de Ong:</p>
<p>&#8220;[...] a oralidade secundária gerou um forte sentimento de grupo, um verdadeiro público, exatamente como a leitura de textos escritos ou impressos os transforma em indivíduos, faz com que eles se voltem para dentro de si. Porém, a oralidade secundária dá sentido a grupos incomensuravelmente mais amplos do que os da cultura oral primária.&#8221; (ibid.)</p>
<p>Supreendentemente, é também possível que o Twitter resgate traços de cultura oral primária, na qual a existência de um interlocutor é essencial e o pensamento fica &#8216;preso&#8217; à comunicação. Vale lembrar o que eu mencionei no post anterior sobre o reconhecimento da dificuldade dos novos entrantes para constituir suas redes sociais no Twitter: quem publica posts sem relevância não é seguido, não forma sua rede social e acaba abandonando a ferramenta, o que reforça a interpretação da primazia da comunicação.</p>
<p><a href="http://www.comunicar.pro.br/2009/07/24/twitter-e-cmc/" rel="bookmark">Twitter é CMC!</a> originally appeared on <a href="http://www.comunicar.pro.br">Tudo 2.0</a> on 24 de Julho de 2009.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.comunicar.pro.br/2009/07/24/twitter-e-cmc/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

