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Redes sociais no III Seminário LingNet

O núcleo de pesquisas em linguagem, educação e tecnologia do Programa Interdisciplinar de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Faculdade de Letras da UFRJ organizou o III Seminário de Estudos em Linguagem, Educação e Tecnologia – III Seminário LingNet, do qual constam atividades a distância (realizadas desde 23 de maio) e presenciais (realizadas em 27 e 28 de maio).

É notável que vários trabalhos (comunicações orais e pôsteres) apresentados no evento discutem o valor das redes sociais no processo de ensino-aprendizagem, incluindo a formação de professores. Que as redes sociais se prestem à aprendizagem informal não é novidade e eu mesmo já fiz alguns posts sobre isso aqui no blog, mas iniciativas de apropriação deliberada dessas redes para formação discente e docente são uma novidade bastante relevante.

O evento contou ainda com um perfil do evento no Twitter, onde foram publicados resumos das falas nas mesas-redondas e palestras. Merece uma visita.

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III Seminário LingNet – Chamada de trabalhos até 22/3

Prezados colegas,

O III Seminário de Estudos em Linguagem, Educação e Tecnologia (Seminário LingNet), organizado pelo núcleo de pesquisas LingNet (www.lingnet.pro.br), do Programa Interdisciplinar de Linguística Aplicada da UFRJ será realizado em 27 e 28 de maio na Faculdade de Letras da UFRJ, tendo também atividades on-line antes, durante e depois da parte presencial do evento.

Com o título “2010: o ano em que faremos contatos”, o III Seminário LingNet receberá propostas de trabalho até 22/03 (segunda-feira), em duas modalidades: comunicação (atividade presencial) e pôster eletrônico (atividade a distância).

Visite o site do evento http://bit.ly/9WAKX3 para obter mais informações e enviar sua proposta de trabalho.

Pedimos sua ajuda para divulgar amplamente o evento e esta chamada de trabalho.

Atenciosamente,
Comissão Organizadora
III Seminário LingNet http://bit.ly/9WAKX3

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Retuitando à moda antiga

Que o Twitter é uma ferramenta aperfeiçoada pelo conjunto de seus usuários ninguém duvida.

Apenas para lembrar, o uso da sintaxe @nome para sinalizar o destinatário de uma mensagem foi uma inovação introduzida pelos usuários e adotada pela ferramenta. O mesmo se pode dizer do uso da forma RT (abreviação de Retweet) para encaminhar uma mensagem recebida aos perfis seguidores.

A questão é que os administradores da ferramenta adotam essas inovações e (aparentemente) tentam aperfeiçoá-las. Isso ocorreu com o RT, cuja função foi assimilada a um discreto botão que fica oculto no site até que se passe o cursor do mouse sobre ele. Surge então a mensagem ‘Retweet to your followers?’. Basta clicar no botão OK para que a mensagem seja encaminhada. Simples assim.

Antes da introdução do botão, o usuário que quisesse encaminhar uma mensagem precisava colar o texto original, adaptá-lo para caber dentro do limite de 140 caracteres exigidos e incluir a sintaxe RT @nome dessa nova mensagem. Não raramente esse processo exigia malabarismos ortográficos para garantir que o sentido fosse preservado. A grande vantagem é que, quando sobravam caracteres, era possível introduzir comentários, indicações do porquê se decidira encaminhar a mensagem etc.

O botão, com seu automatismo, matou a possibilidade de acréscimo de comentários. A simplicidade, portanto, trouxe um custo: a perda do valor social agregado pelo comentário, pela ênfase na relevância do ato de retuitar.

Tudo indica que os usuários se ressentiram dessa perda. Pelo menos é o que sugere o resultado de uma pesquisa de opinião realizada pelo blog Mashable. De 2551 participantes, 64% (1625) declararam perferir o estilo antigo de retuitar com comentários, 27% (27%) declararam preferir o botão e apenas 9% (227) disseram não ter preferência entre uma forma ou outra.

Os administradores do Twitter mantiveram, logo após a introdução do ‘aperfeiçoamento’ proposto, uma pesquisa no site pedindo a opinião dos usuários. A pesquisa não está mais lá, mas o resultado da pesquisa da Mashable pode sugerir que eles já saibam o que os tuiteiros pensam a respeito.

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Antropólogos no YouTube

O vídeo An anthropological introduction to YouTube é a apresentação que Michael Wesch, professor de Antropologia Cultural da Universidade do Estado do Kansas, fez na Biblioteca do Congresso em 23 de junho de 2008 com o propósito de divulgar um campo de pesquisa emergente: a antropologia em redes sociais, mais especificamente na rede de compartilhamento de vídeos YouTube.

Wesch inicia sua apresentação com dados surpreendentes: informa que a quantidade de vídeos publicada no YouTube já superou o que é produzido pelas redes tradicionais de mídia, um fato significativo para o que se convencionou chamar de Web 2.0, contexto em que o conteúdo é produzido e consumido por usuários comuns.

Em seguida, Wesch ressalta que as novas mídias da Web 2.0 se intercomunicam, pois um vídeo publicado no YouTube é comentado em blogs e microblogs, originando o que ele chama de Ambiente de Mídias Integrado (Integrated Mediascape). Essa integração vai além das tecnologias e informações, afetando, inclusive, os relacionamentos humanos.

Wesch caracteriza a pesquisa que vem realizando com seu grupo no YouTube como de natureza etnográfica e ressalta sua base metodológica na observação participante quando declara a importância de vivenciar os fenômenos para compreendê-los.

A partir da observação longitudinal feita por seus alunos, vários fenômenos característicos dessas novas sociedades em rede vêm sendo elucidados:

  • Implosão do Contexto (Context Collapse): A ideia é que ‘todos estão assistindo, mas não tem ninguém lá’, isto é, as pessoas publicam vídeos sem saber em que contexto eles serão considerados. Esses conteúdos podem, inclusive, ser remixados.
  • Autoconsciência Exacerbada (Hyper Self-awareness): O próprio autor poderá se tornar plateia de seu vídeo, o que exacerba o potencial para a autorreflexão.
  • Anonimidade aliada à Distância Física aliada ao Diálogo Raro e Efêmero resulta em Ódio como Performance Pública (demonstração pública de ódio) / liberdade para experimentar ser humano sem medo ou ansiedade. O primeiro aspecto é bastante conhecido como ‘flaming’ em fóruns virtuais. A segunda possibilidade, entretanto, não costuma ser ressaltada em mídias sociais.
  • Arrebatamento Estético (Aesthetic Arrest): A rede permite que as pessoas invistam na observação de outras sem o medo de serem pegas no ato de observação (staring), que é considerado socialmente condenável. Isso traz admiração profunda pelo outro.
  • Enganando o Sistema (Gaming the System): Os usuários aproveitam-se das características/limitações do sistema para conquistar popularidade. Ex. Os thumbnails exibidos na pré-apresentação dos vídeos são obtidos no trecho central do vídeo enviado, portanto quem deseja conquistar público insere nesse ponto imagens de impacto.

O conceito de Autenticidade também é discutido a partir do questionamento sobre a possibilidade de as pessoas representarem personagens que não refletem suas identidades reais. Esse fenômeno é atualmente analisado sob a perspectiva de que a identidade não é monolítica, mas construída contextualmente .

Esse vídeo é fundamental para quem pretende obter uma compreensão do fenômeno das mídias sociais a partir de uma visão ‘de dentro’.

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Senadores que tuítam

Publiquei aqui, há algumas semanas, um texto em que afirmava que nossos políticos estão mais acostumados a se comunicar pelas mídias tradicionais, que exploram o formato um-para-muitos, do que pelas modernas mídias sociais, cuja natureza pede o diálogo aberto e sem limitações.

Pois o Webinsider publicou na semana passada um texto do consultor Alvaro Lins em que se afirma que nossos senadores ainda não acertaram o tom no uso da rede social mais falada do momento: o Twitter.

Fiquei curioso e decidi investigar mais a fundo a questão para saber se, de fato, não teria havido alguma evolução no perfil de uso da rede social por esses representantes do povo. Para isso, analisei o perfil de cada um dos senadores nomeados na matéria do consultor com auxílio do Twitalyzer.

Concentrei-me nos seguintes aspectos avaliados pela ferramenta:

Relação Sinal-Ruído: Tem a ver com a qualidade da informação publicada. Quanto maior essa qualidade, isto é, quanto menos trivial ela for, maior o poder de influência de quem a publica. Leva-se em conta neste aspecto o envio de mensagens a outros usuários, identificado pelo uso do ‘@’; a recomendação de sites que devem ser visitados, identificados por suas URLs; a marcação de palavras-chave por meio de ‘#; o encaminhamento (retuitar) de mensagens de terceiros, identificado pelo uso de RT ou ‘via.

Generosidade: Tem a ver com disposição para recomendar aos seguidores informações consideradas relevantes e de passar ideias adiante. Esse aspecto é assinalado pela relação entre as mensagens retuitadas por um usuário e o total de mensagens por ele enviadas.

Velocidade: É simplesmente a frequência com que o usuário publica novas mensagens.

Acesso: Tem a ver com as chances que o usuário tem de ser citado por outros.

Esses aspectos combinados demonstram o quão influente um usuário pode ser em determinado momento. Como eles são baseados em fatores que podem sofrer alterações, seus valores relativos também variarão com o tempo.

Uma vez que meu objetivo não era avaliar a influência dos senadores que têm perfil no Twitter, mas apenas verificar se estariam fazendo bom uso dessa rede social, atribuí maior importância aos três aspectos iniciais, mas também analisei o último.

Todos os perfis avaliados tiveram um resultado geral comum:

Baixa relação sinal-ruído: Isso quer dizer que nossos representantes (79%) vêm realmente fazendo um mau uso do Twitter, provavelmente publicando notas autopromocionais (‘chapa branca’ no jargão jornalístico), que devem ser publicadas também no Jornal do Senado, e, portanto, têm baixa relevância para o usuário da rede social.

Baixíssima generosidade: Em outras palavras, eles não demonstram que se interessam por seus seguidores, pois não lhes enviam ou encaminham conteúdos que possam ser de interesse.

Lentidão: Eles não parecem se preocupar de manter seus potenciais seguidores supridos de informações frescas, pois publicam infrequentemente.

Baixísimo acesso: Apenas um senador dos pesquisados apresentou índice superior a 50%, o que talvez possa ser avaliado como um indicador de sua confiabilidade perante os usuários do Twitter.

Se levarmos em conta que o usuário dessa rede social é basicamente um formador de opinião, nossos senadores estão perdendo uma enorme oportunidade de ouvir os anseios de parcela relevante de nossa sociedade e, mais importante, de realmente se comunicar com ela.

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