No mapa ainda esparso da blogosfera amazônica – o percentual de usuários com acesso à rede em casa (7% em 2008) ainda está muito aquém do encontrado no Sudeste (25% em 2008) - surgem pioneiros que desafiam a política local (e pagam um preço por isso) e até criam pontes com a cultura pop, atraindo público de regiões onde a blogosfera é mais densamente povoada.
Segundo Fábio Malini, professor da Universidade Federal do Espírito Santo e autor da Cartografia da blogosfera no Brasil (ainda inédita), o fenômeno é recente na região Norte, pois a maioria dos blogueiros começaram a publicar a partir de 2007 – bom lembrar que os blogs já existem há dez anos.
Além de permitir, nas palavras de Malini, a “expressão de uma vontade política adormecida”, os blogs locais vêm rompendo o isolamento informacional que sempre foi imposto à região. E a tendência é que entrem em evidência graças à eventual candidatura de Marina Silva a presidente na eleição de 2010.
A pesquisa que a Faculty Focus fez em julho e agosto deste ano com cerca de 2 mil assinantes e seguidores trouxe revelações interessantes sobre o uso que os educadores fazem da ferramenta de microblogging mais popular do ano: poucos a usam, e os que o fazem declaram desejar ficar em dia com as notícias e tendências e manter o relacionamento (networking) com colegas.
Segundo as respostas obtidas, verificou-se que apenas 30,7% dos participantes, todos professores de ensino superior, usam a ferramenta, principalmente para colaborar com colegas de profissão.
Mas 56,4% declararam nunca tê-la usado, e a explicação pode estar em várias frentes: o Twitter só deslanchou de fato nos primeiros meses deste ano; professores creem que há mais alunos usando o Facebook do que o Twitter; o maior interesse profissional na ferramenta veio de setores como o de marketing de relacionamento etc.
A revelação mais significativa com relação a esse item foi de que um número significativo de educadores (62%) não acredita que a ferramenta tenha utilidade para o ensino superior.
Ainda que a adesão ainda não tenha sido significativa, o quadro ainda pode mudar, pois cerca de 20% dos não-usuários declararam que podem vir a usar a ferramenta para colaborar com colegas de profissão, para se comunicar com alunos e até mesmo como auxiliar à prática de sala de aula.
Na outra ponta estão os 12,9% dos participantes que declararam ter abandonado a ferramenta porque tomava muito tempo ou não viam valor acadêmico, tendo aderido à moda para entender do que se tratava.
Segundo pesquisa sobre hábitos na Internet feita pelo Instituto Informa sob encomenda da agência Binder/FC+M, as diferenças entre as classes sociais no Brasil tendem a se reduzir quando o assunto é uso de mídias sociais pelos jovens.
Dos cerca de 500 rapazes e moças brasileiros de 27 capitais consultados, o uso do Orkut está nos hábitos de 20% da classe A e 15% da classe C, sendo que o site social empata nas duas classes como o mais visitado em 63%, disparado acima do YouTube (A: 8%; C:10%).
Mas as diferenças se insinuam de outras formas:
Uma vez que o Orkut se tornou extremamente popular, a classe média alta começa a migrar para o Facebook a fim de buscar alguma diferenciação;
O significado atribuído pelos jovens ao fato de estarem na rede também varia em função da classe: para a classe A é uma oportunidade de autoexpressão, enquanto que a classe C é uma forma de crescimento pessoal;
A classe A (21%) lê mais na rede do que na C (14%), sendo que os blogs são mais lidos por jovens da região Sudeste (15%).
Fonte: BALBIO, M. Encontro de geração. Revista O Globo. 30 ago. 2009. p. 20-21.
Um estudo recente de Huberman, Romero e Wu traz revelações interessantes sobre a dinâmica das interações no Twitter:
A quantidade de posts de um usuário parece aumentar conforme aumenta o número de seguidores, seguidos e amigos, mas:
eventualmente se estabilizará se o número de seguidores e seguidos continuar aumentando;
não se estabilizará se o número de amigos continuar aumentando.
Uma vez que a quantidade de amigos costuma ser muito menor que a de seguidores e seguidos declarados, a interação regular ocorrerá apenas dentro de um círculo de relacionamento menor do que seria possível supor apenas pela consulta ao número de seguidores/seguidos do perfil de um usuário.
Os pesquisadores sugerem que esses fatos são extremamente relevantes, pois revelam a existência de redes ocultas, provavelmente mantidas por meio de mensagens privadas (Direct Messages), de grande valor na difusão, pelo tradicional boca a boca, de ideias, crenças e tendências .
Acredito, entretanto, que não se possa negligenciar o valor das redes maiores, compostas de grandes números de seguidores e seguidos com os quais não se mantenha interação regular.
Graças à horizontalização permitida pelo Twitter, um usuário pode ter entre seus seguidos (grandes) especialistas em áreas de seu interesse, com os quais não interagirá diretamente, que poderão exercer influência direta em sua forma de pensar e até agir. Isso também pode alimentar o boca a boca nos moldes citados anteriormente.