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Redes sociais no III Seminário LingNet

O núcleo de pesquisas em linguagem, educação e tecnologia do Programa Interdisciplinar de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Faculdade de Letras da UFRJ organizou o III Seminário de Estudos em Linguagem, Educação e Tecnologia – III Seminário LingNet, do qual constam atividades a distância (realizadas desde 23 de maio) e presenciais (realizadas em 27 e 28 de maio).

É notável que vários trabalhos (comunicações orais e pôsteres) apresentados no evento discutem o valor das redes sociais no processo de ensino-aprendizagem, incluindo a formação de professores. Que as redes sociais se prestem à aprendizagem informal não é novidade e eu mesmo já fiz alguns posts sobre isso aqui no blog, mas iniciativas de apropriação deliberada dessas redes para formação discente e docente são uma novidade bastante relevante.

O evento contou ainda com um perfil do evento no Twitter, onde foram publicados resumos das falas nas mesas-redondas e palestras. Merece uma visita.

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Redes sociais: é pra ficar ou sair?

A matéria de capa da revista Época desta semana é sobre as redes sociais.

Mesmo que os temas sejam meio “batidos”, vale uma leitura. Afinal, este é um ano eleitoral e será uma boa prova do poder dessas ferramentas no campo da política nacional.

Momento propício para descobrir se o brasileiro superará os hábitos criados no Orkut (fofoca, maledicência e bisbilhotagem) e de fato começará a tirar proveito das redes para o bem geral.

A conferir.

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Retuitando à moda antiga

Que o Twitter é uma ferramenta aperfeiçoada pelo conjunto de seus usuários ninguém duvida.

Apenas para lembrar, o uso da sintaxe @nome para sinalizar o destinatário de uma mensagem foi uma inovação introduzida pelos usuários e adotada pela ferramenta. O mesmo se pode dizer do uso da forma RT (abreviação de Retweet) para encaminhar uma mensagem recebida aos perfis seguidores.

A questão é que os administradores da ferramenta adotam essas inovações e (aparentemente) tentam aperfeiçoá-las. Isso ocorreu com o RT, cuja função foi assimilada a um discreto botão que fica oculto no site até que se passe o cursor do mouse sobre ele. Surge então a mensagem ‘Retweet to your followers?’. Basta clicar no botão OK para que a mensagem seja encaminhada. Simples assim.

Antes da introdução do botão, o usuário que quisesse encaminhar uma mensagem precisava colar o texto original, adaptá-lo para caber dentro do limite de 140 caracteres exigidos e incluir a sintaxe RT @nome dessa nova mensagem. Não raramente esse processo exigia malabarismos ortográficos para garantir que o sentido fosse preservado. A grande vantagem é que, quando sobravam caracteres, era possível introduzir comentários, indicações do porquê se decidira encaminhar a mensagem etc.

O botão, com seu automatismo, matou a possibilidade de acréscimo de comentários. A simplicidade, portanto, trouxe um custo: a perda do valor social agregado pelo comentário, pela ênfase na relevância do ato de retuitar.

Tudo indica que os usuários se ressentiram dessa perda. Pelo menos é o que sugere o resultado de uma pesquisa de opinião realizada pelo blog Mashable. De 2551 participantes, 64% (1625) declararam perferir o estilo antigo de retuitar com comentários, 27% (27%) declararam preferir o botão e apenas 9% (227) disseram não ter preferência entre uma forma ou outra.

Os administradores do Twitter mantiveram, logo após a introdução do ‘aperfeiçoamento’ proposto, uma pesquisa no site pedindo a opinião dos usuários. A pesquisa não está mais lá, mas o resultado da pesquisa da Mashable pode sugerir que eles já saibam o que os tuiteiros pensam a respeito.

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Aperfeiçoamento profissional informal no Twitter

O Centre for Learning & Performance Technologies (C4LPT) realiza, desde 2007, uma pesquisa com profissionais da educação (learning professionals) a fim de identificar as 100 ferramentas mais utilizadas no ramo. No ano de 2009, até 3 de outubro, 201 profissionais haviam informado suas ferramentas de preferência, as quais foram listadas em ordem crescente e comparativa em relação aos anos de 2008 e 2007.

Levando em conta a posição relativa das dez ferramentas mais populares em 2009, em comparação com seus respectivos posicionamentos nos anos anteriores, é notável crescimento do Twitter, que saltou da 43ª posição para a 1ª neste ano. Ele tem, inclusive, superado ferramentas mais conhecidas dos educadores como o aplicativo para criação de apresentações MS PowerPoint (8º em 2008 – 14º lugar em 2009) e o sistema de gestão de cursos Moodle (9º em 2008 – 16º lugar em 2009).

O crescimento do Twitter é notável também se considerarmos que ele não foi criado com o propósito explícito de facilitar a aprendizagem.

O site do C4LPT apresenta ainda depoimentos dos educadores que citaram o Twitter como ferramenta preferida. Analisei esses depoimentos a fim de descobrir como essa ferramenta da Web 2.0 auxiliaria processos de aprendizagem que aparentam ser (a) de natureza informal e (b) vinculados ao autodesenvolvimento profissional desses educadores.

Coletei 31 depoimentos disponíveis, que dividi em dois grupos: corpus A (oito depoimentos fornecidos no ano de 2008) e corpus B (23 depoimentos fornecidos no ano de 2009). Esses depoimentos foram extraídos do site do C4LPT, gravados em arquivos de texto puro (TXT) separados e analisados no aplicativo Wordsmith Tools para obtenção de estatísticas das palavras mais frequentes em cada corpus e, em seguida, para obtenção de concordâncias (1) relativas a essas palavras.

Pelo levantamento dos itens lexicais mais frequentes nos depoimentos, eu esperava observar tendências gerais que explicassem como os educadores vinham usando o Twitter em seu autodesenvolvimento profissional. A comparação dos depoimentos feitos por educadores que participaram na pesquisa em dois anos consecutivos (2008 e 2009) também forneceria dados para observação de uma possível variação nas práticas de autodesenvolvimento em um momento no qual a popularidade dessa rede social começava a aumentar.

A análise dos itens lexicais do corpus A demonstrou que os educadores participantes da pesquisa do C4LPT em 2008 ressaltaram mais frequentemente o valor do Twitter como rede de relacionamentos profissionais. É provável que, em decorrência dos relacionamentos estabelecidos na rede social, esses educadores tenham tido acesso a conteúdos relevantes e experiências de aprendizagem de natureza informal. Essa interpretação parecer ser respaldada, ainda que parcialmente, pelo depoimento da educadora Britt: “It is amazing what you can learn from 140 characters”.

Os participantes da pesquisa em 2009, cujos relatos compuseram o corpus B, também valorizaram o Twitter como rede de relacionamentos profissionais, porém o fizeram com mais ênfase do que os participantes do ano anterior. O valor dessa rede para o acesso a informações relevantes também foi mencionado, bem como a possibilidade que ela oferece para a aprendizagem, segundo destacaram os educadores Manish (“It’s been a great learning tool”) e Janet (“once my productivity nemesis, has become a valuable learning tool”).

Três educadores (Barry, Britt e Rodd) participaram da pesquisa em dois anos consecutivos. Isso permitiu uma análise comparativa de suas declarações em busca de possíveis transformações na percepção do valor atribuído à rede social. A comparação foi feita em torno dos temas mais destacados em análises anteriores: (acesso a) informação, (estabelecimento e manutenção de) relacionamentos e (oportunidade de) aprendizagem.

Comprovei que o tema aprendizagem não foi foco nos depoimentos dos educadores destacados, possivelmente porque o tema já estivesse implícito na finalidade pesquisa de que participavam. O tema informação foi recorrente, mas parece ter sido posto em segundo plano mais recentemente em função dos relacionamentos propiciados pela rede social e do valor a eles atribuído pelos depoentes.

A análise dos depoimentos, portanto, demonstrou que os educadores atribuíram grande valor à presença, na rede, de outros educadores e especialistas com os quais poderiam interagir e dos quais obteriam informações relevantes que lhes possibilitariam manter-se atualizados.

Tendo em vista que os sujeitos da pesquisa não pareceram agir orientados por nenhum currículo formal, pode-se concluir que eles têm no Twitter um contexto de aprendizagem informal com potencial para o desenvolvimento na profissão e parecem fazer uso deliberado dos recursos da rede com esse fim.

A gama de usos do Twitter, portanto, parece só aumentar.

 

(1) Listagem de contextos em que itens linguísticos ocorrem.

 

Nota: Os dados dessa pesquisa serão divulgados oportunamente.

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Antropólogos no YouTube

O vídeo An anthropological introduction to YouTube é a apresentação que Michael Wesch, professor de Antropologia Cultural da Universidade do Estado do Kansas, fez na Biblioteca do Congresso em 23 de junho de 2008 com o propósito de divulgar um campo de pesquisa emergente: a antropologia em redes sociais, mais especificamente na rede de compartilhamento de vídeos YouTube.

Wesch inicia sua apresentação com dados surpreendentes: informa que a quantidade de vídeos publicada no YouTube já superou o que é produzido pelas redes tradicionais de mídia, um fato significativo para o que se convencionou chamar de Web 2.0, contexto em que o conteúdo é produzido e consumido por usuários comuns.

Em seguida, Wesch ressalta que as novas mídias da Web 2.0 se intercomunicam, pois um vídeo publicado no YouTube é comentado em blogs e microblogs, originando o que ele chama de Ambiente de Mídias Integrado (Integrated Mediascape). Essa integração vai além das tecnologias e informações, afetando, inclusive, os relacionamentos humanos.

Wesch caracteriza a pesquisa que vem realizando com seu grupo no YouTube como de natureza etnográfica e ressalta sua base metodológica na observação participante quando declara a importância de vivenciar os fenômenos para compreendê-los.

A partir da observação longitudinal feita por seus alunos, vários fenômenos característicos dessas novas sociedades em rede vêm sendo elucidados:

  • Implosão do Contexto (Context Collapse): A ideia é que ‘todos estão assistindo, mas não tem ninguém lá’, isto é, as pessoas publicam vídeos sem saber em que contexto eles serão considerados. Esses conteúdos podem, inclusive, ser remixados.
  • Autoconsciência Exacerbada (Hyper Self-awareness): O próprio autor poderá se tornar plateia de seu vídeo, o que exacerba o potencial para a autorreflexão.
  • Anonimidade aliada à Distância Física aliada ao Diálogo Raro e Efêmero resulta em Ódio como Performance Pública (demonstração pública de ódio) / liberdade para experimentar ser humano sem medo ou ansiedade. O primeiro aspecto é bastante conhecido como ‘flaming’ em fóruns virtuais. A segunda possibilidade, entretanto, não costuma ser ressaltada em mídias sociais.
  • Arrebatamento Estético (Aesthetic Arrest): A rede permite que as pessoas invistam na observação de outras sem o medo de serem pegas no ato de observação (staring), que é considerado socialmente condenável. Isso traz admiração profunda pelo outro.
  • Enganando o Sistema (Gaming the System): Os usuários aproveitam-se das características/limitações do sistema para conquistar popularidade. Ex. Os thumbnails exibidos na pré-apresentação dos vídeos são obtidos no trecho central do vídeo enviado, portanto quem deseja conquistar público insere nesse ponto imagens de impacto.

O conceito de Autenticidade também é discutido a partir do questionamento sobre a possibilidade de as pessoas representarem personagens que não refletem suas identidades reais. Esse fenômeno é atualmente analisado sob a perspectiva de que a identidade não é monolítica, mas construída contextualmente .

Esse vídeo é fundamental para quem pretende obter uma compreensão do fenômeno das mídias sociais a partir de uma visão ‘de dentro’.

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