Posts tagged: reflexão

Redes sociais: é pra ficar ou sair?

A matéria de capa da revista Época desta semana é sobre as redes sociais.

Mesmo que os temas sejam meio “batidos”, vale uma leitura. Afinal, este é um ano eleitoral e será uma boa prova do poder dessas ferramentas no campo da política nacional.

Momento propício para descobrir se o brasileiro superará os hábitos criados no Orkut (fofoca, maledicência e bisbilhotagem) e de fato começará a tirar proveito das redes para o bem geral.

A conferir.

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III Seminário LingNet – Chamada de trabalhos até 22/3

Prezados colegas,

O III Seminário de Estudos em Linguagem, Educação e Tecnologia (Seminário LingNet), organizado pelo núcleo de pesquisas LingNet (www.lingnet.pro.br), do Programa Interdisciplinar de Linguística Aplicada da UFRJ será realizado em 27 e 28 de maio na Faculdade de Letras da UFRJ, tendo também atividades on-line antes, durante e depois da parte presencial do evento.

Com o título “2010: o ano em que faremos contatos”, o III Seminário LingNet receberá propostas de trabalho até 22/03 (segunda-feira), em duas modalidades: comunicação (atividade presencial) e pôster eletrônico (atividade a distância).

Visite o site do evento http://bit.ly/9WAKX3 para obter mais informações e enviar sua proposta de trabalho.

Pedimos sua ajuda para divulgar amplamente o evento e esta chamada de trabalho.

Atenciosamente,
Comissão Organizadora
III Seminário LingNet http://bit.ly/9WAKX3

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O Twitter é uma comunidade?

A resposta não é simples.

O termo ‘comunidade’ aparentemente pressupõe a existência de vínculos fortes entre as pessoas: interesses, necessidades, sonhos comuns. Se analisarmos o Twitter sob esta lente, será difícil dizer que exista uma comunidade, pois há interesses, necessidades, sonhos diversos e muitas vezes conflitantes.

As grandes empresas, por exemplo, podem ter criado perfis para ter um contato mais próximo com seus clientes. Ou podem simplesmente ter contratado consultorias apenas para monitorar o que esses clientes dizem sobre suas marcas. Neste caso, claro, a finalidade é saber o que esses clientes desejam para que elas possam vender mais. De um lado está a comunicação bilateral supostamente benéfica para ambos os lados; de outro, o lucro.

Mas podemos analisar as comunidades também a partir do caldo cultural comum que une seus membros e que é também por eles criado. Analisado sob essa lente, o Twitter pode, sim, ser considerado uma comunidade. E passa no teste com louvor! Basta, para isso, considerarmos que as funcionalidades mais básicas – o uso de ‘@’ para identificar destinatários e de RT para sinalizar encaminhamento – foram criadas pelos usuários e só depois incorporadas pelos gestores ao próprio sistema.

Outro item do caldo cultural que merece ser citado é o Follow Friday, a autêntica tradição de indicar à coletividade os perfis de confiança, de qualidade ou simplesmente que se deseja destacar.

Considerando que existem os dois lados – as tensões conflitantes e o caldo comum – talvez seja mais justo dizer que o Twitter espelha no ‘virtual’ aquilo que vemos no ‘real’/físico: uma supracultura globalizada que permite o surgimento de subculturas locais ou globalizadas ligeiramente diversas da matriz, mas ainda assim submetidas aos seus princípios organizadores.

A metáfora é um tanto precária, admito, mas parece fazer sentido.

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Educação 2.0

No artigo From Knowledgeable to Knowledge-able: Learning in New Media Environments, Michael Wesch, professor da Universidade do Kansas, apresenta neste artigo uma reflexão sobre a educação que ainda predomina em grande parte das escolas e que se fundamenta nos pressupostos de que aprender é acumular conhecimentos valiosos que são transmitidos dentro de uma estrutura social na qual se destaca a autoridade do professor.

Para o autor, essa educação vem sendo ameaçada pelas novas tecnologias de informação e comunicação, que há algum tempo vêm instaurando novas formas de interação, discurso, sociabilidade e colaboração. E as novas gerações parecem cada vez mais familiarizadas com essa verdadeira revolução tecnológica e social.

Wesch assinala dentre os marcos dessa revolução: a popularização dos blogs, que deram aos usuários o poder de se transformar em produtores de informação e não mais meros consumidores como nas décadas anteriores; a Wikipedia, que provou que conteúdo produzido por usuários pode ter qualidade compatível com a de obras produzidas por especialistas; e as novas formas de organizar coletivamente o aparente caos da Web, tais como as tags (etiquetas).

Nesse novo contexto de mídias, ele afirma, chega-se ao ponto em que o usuário não mais precisará buscar a informação, pois ela poderá chegar até ele.

Ao ignorar essa realidade, a educação acaba por gerar o fenômeno que wesch chama de ‘crise da significância’, pela qual os alunos lutam para encontrar sentido naquilo que a escola lhes impõe e quando não o encontram demonstram comportamentos disruptivos – desatenção, confrontação e até agressividade.

A solução para Wesch está na aceitação de que a informação no mundo atual não mais se encontra em um lugar privilegiado (a escola) nem tampouco nas mãos de um ser privilegiado (o professor). Ela está em todos os lugares, acessível por diversas tecnologias que os próprios alunos já dominam. O que falta é lançar o foco sobre o porquê aprender (a significância para o aluno), facilitar o como aprender (dando-lhe recursos que a tecnologia não garante) e deixar que a aprendizagem ocorra naturalmente.

O ‘como’ é para Wesch de vital importância. Na educação que vimos fazendo até então, simplesmente organizávamos o conhecimento a ser transmitido em disciplinas estanques (língua portuguesa não tem a ver com matemática, que não tem a ver com geografia etc.). Na educação verdadeiramente contemporânea, wesch defende que o foco seja deslocado para as subjetividades, isto é, para as formas de abordar, compreender e interagir com o mundo.

Ensinar com foco em subjetividades implica criar instabilidade, desafiar os pressupostos que todos os seres humanos têm arraigados dentro de si. Isso é desafiador e só ocorre onde há respeito mútuo entre professor e aluno. Cabe ao professor, nesse contexto, instilar no aluno a confiança necessária de que ele precisará para enfrentar o desafio de questionar tudo, inclusive a si mesmo.

Wesch não tem respostas sobre a forma certa de enfrentar esse desafio, que ele chama de ‘antiensino’. Na verdade, ele aponta as dificuldades inerentes ao processo a partir de sua própria prática no ensino superior – p.ex. a necessidade de cumprir exigências institucionais para avaliação de aprendizagem.

O que ele destaca, entretanto, também a partir de sua experiência, é que o antiensino permite criar ambientes efetivamente favoráveis à aprendizagem significativa para o aluno.

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Facebookicídio?

Duas matérias recentes sobre o Facebook chamaram minha atenção.

Na primeira, publicada no New York Times, fala-se em um pequeno, mas significativo, ‘êxodo’ de usuários, não obstante os 87,7 milhões de visitantes que a rede social recebeu nos Estados Unidos apenas em julho. A razão, segundo a matéria, está na constatação de que há interesses comerciais por trás da ferramenta.

Eu pergunto: mas isso não é óbvio? Todas as mídias 2.0 que hoje permitem acesso gratuito estão em busca de um modelo de negócios que lhes dê retorno. Assim é com o YouTube e assim também será com o Facebook. A questão é que deve haver um contrato claro que ofereça aos usuários garantias de que sua privacidade seja preservada quando eles assim o desejarem.

O que eu chamo de ‘Facebookicídio’ já ocorreu há alguns anos com o Google no Brasil, mas por razões diferentes, como descrevi em um artigo.

A segunda matéria, publicada no Wall Street Journal, explica por que o Facebook ‘mata’ as amizades. Segundo Liz Bernstein, as pessoas hoje dizem que estão muito ocupadas para encontrar os amigos e mesmo para pegar o telefone e ligar para eles, mas dedicam horas às mídias sociais. Além disso, elas parecem estar alheias ao fato de que nem tudo o que publicam nas redes será do interesse dos amigos ou será interpretado corretamente ou de forma positiva.

Muito embora tudo o que Liz afirma possa ser verdade, não culparia o Facebook nem qualquer outras tecnologia. Da mesma forma que não culparia os carros potentes pelos desastres nas estradas. O uso – e o abuso – das ferramentas é praticado pelas pessoas, portanto a decisão de manter os relacionamentos saudáveis também deve ser delas.

A questão é muito mais complexa do que se apresenta.

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