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Encurtar (URLs) ou não encurtar

Nesses tempos de caracteres escassos (140 no Twitter), os encurtadores de URLs viraram serviços de primeira necessidade.

Sou fã do Bit.ly, que além de ser fácil de usar oferece um rastreamento em tempo real dos cliques. Imagino que outros serviços tenham firulas até melhores, mas a gente se apega ao primeiro encurtador e fica difícil largar.

A questão é que os encurtadores podem representar um risco: já que não se consegue ver o URL real, espertalhões podem muito bem levar o navegador incauto a sites contendo arquivos maliciosos. Mas nada que um bom antivírus e um firewall (alguém, por acaso, não os usa?) não consigam detectar.

Felizmente (será?), parece que o risco não é tão alto quanto o pintam: os usuários acabam não clicando nesses URLs encurtados e sabotam as eventuais más intenções alheias.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. A solução parece ser menos radical: os encurtadores são úteis, não podemos funcionar no Twitter sem eles. Sendo assim, vale o princípio da confiança: se o URL encurtado vem de um usuário conhecido, vale um crédito de confiança.

Mas, como segudo morreu de velho, nada de navegar sem antivírus e firewall!

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O Twitter é uma comunidade?

A resposta não é simples.

O termo ‘comunidade’ aparentemente pressupõe a existência de vínculos fortes entre as pessoas: interesses, necessidades, sonhos comuns. Se analisarmos o Twitter sob esta lente, será difícil dizer que exista uma comunidade, pois há interesses, necessidades, sonhos diversos e muitas vezes conflitantes.

As grandes empresas, por exemplo, podem ter criado perfis para ter um contato mais próximo com seus clientes. Ou podem simplesmente ter contratado consultorias apenas para monitorar o que esses clientes dizem sobre suas marcas. Neste caso, claro, a finalidade é saber o que esses clientes desejam para que elas possam vender mais. De um lado está a comunicação bilateral supostamente benéfica para ambos os lados; de outro, o lucro.

Mas podemos analisar as comunidades também a partir do caldo cultural comum que une seus membros e que é também por eles criado. Analisado sob essa lente, o Twitter pode, sim, ser considerado uma comunidade. E passa no teste com louvor! Basta, para isso, considerarmos que as funcionalidades mais básicas – o uso de ‘@’ para identificar destinatários e de RT para sinalizar encaminhamento – foram criadas pelos usuários e só depois incorporadas pelos gestores ao próprio sistema.

Outro item do caldo cultural que merece ser citado é o Follow Friday, a autêntica tradição de indicar à coletividade os perfis de confiança, de qualidade ou simplesmente que se deseja destacar.

Considerando que existem os dois lados – as tensões conflitantes e o caldo comum – talvez seja mais justo dizer que o Twitter espelha no ‘virtual’ aquilo que vemos no ‘real’/físico: uma supracultura globalizada que permite o surgimento de subculturas locais ou globalizadas ligeiramente diversas da matriz, mas ainda assim submetidas aos seus princípios organizadores.

A metáfora é um tanto precária, admito, mas parece fazer sentido.

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Retuitando à moda antiga

Que o Twitter é uma ferramenta aperfeiçoada pelo conjunto de seus usuários ninguém duvida.

Apenas para lembrar, o uso da sintaxe @nome para sinalizar o destinatário de uma mensagem foi uma inovação introduzida pelos usuários e adotada pela ferramenta. O mesmo se pode dizer do uso da forma RT (abreviação de Retweet) para encaminhar uma mensagem recebida aos perfis seguidores.

A questão é que os administradores da ferramenta adotam essas inovações e (aparentemente) tentam aperfeiçoá-las. Isso ocorreu com o RT, cuja função foi assimilada a um discreto botão que fica oculto no site até que se passe o cursor do mouse sobre ele. Surge então a mensagem ‘Retweet to your followers?’. Basta clicar no botão OK para que a mensagem seja encaminhada. Simples assim.

Antes da introdução do botão, o usuário que quisesse encaminhar uma mensagem precisava colar o texto original, adaptá-lo para caber dentro do limite de 140 caracteres exigidos e incluir a sintaxe RT @nome dessa nova mensagem. Não raramente esse processo exigia malabarismos ortográficos para garantir que o sentido fosse preservado. A grande vantagem é que, quando sobravam caracteres, era possível introduzir comentários, indicações do porquê se decidira encaminhar a mensagem etc.

O botão, com seu automatismo, matou a possibilidade de acréscimo de comentários. A simplicidade, portanto, trouxe um custo: a perda do valor social agregado pelo comentário, pela ênfase na relevância do ato de retuitar.

Tudo indica que os usuários se ressentiram dessa perda. Pelo menos é o que sugere o resultado de uma pesquisa de opinião realizada pelo blog Mashable. De 2551 participantes, 64% (1625) declararam perferir o estilo antigo de retuitar com comentários, 27% (27%) declararam preferir o botão e apenas 9% (227) disseram não ter preferência entre uma forma ou outra.

Os administradores do Twitter mantiveram, logo após a introdução do ‘aperfeiçoamento’ proposto, uma pesquisa no site pedindo a opinião dos usuários. A pesquisa não está mais lá, mas o resultado da pesquisa da Mashable pode sugerir que eles já saibam o que os tuiteiros pensam a respeito.

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Aperfeiçoamento profissional informal no Twitter

O Centre for Learning & Performance Technologies (C4LPT) realiza, desde 2007, uma pesquisa com profissionais da educação (learning professionals) a fim de identificar as 100 ferramentas mais utilizadas no ramo. No ano de 2009, até 3 de outubro, 201 profissionais haviam informado suas ferramentas de preferência, as quais foram listadas em ordem crescente e comparativa em relação aos anos de 2008 e 2007.

Levando em conta a posição relativa das dez ferramentas mais populares em 2009, em comparação com seus respectivos posicionamentos nos anos anteriores, é notável crescimento do Twitter, que saltou da 43ª posição para a 1ª neste ano. Ele tem, inclusive, superado ferramentas mais conhecidas dos educadores como o aplicativo para criação de apresentações MS PowerPoint (8º em 2008 – 14º lugar em 2009) e o sistema de gestão de cursos Moodle (9º em 2008 – 16º lugar em 2009).

O crescimento do Twitter é notável também se considerarmos que ele não foi criado com o propósito explícito de facilitar a aprendizagem.

O site do C4LPT apresenta ainda depoimentos dos educadores que citaram o Twitter como ferramenta preferida. Analisei esses depoimentos a fim de descobrir como essa ferramenta da Web 2.0 auxiliaria processos de aprendizagem que aparentam ser (a) de natureza informal e (b) vinculados ao autodesenvolvimento profissional desses educadores.

Coletei 31 depoimentos disponíveis, que dividi em dois grupos: corpus A (oito depoimentos fornecidos no ano de 2008) e corpus B (23 depoimentos fornecidos no ano de 2009). Esses depoimentos foram extraídos do site do C4LPT, gravados em arquivos de texto puro (TXT) separados e analisados no aplicativo Wordsmith Tools para obtenção de estatísticas das palavras mais frequentes em cada corpus e, em seguida, para obtenção de concordâncias (1) relativas a essas palavras.

Pelo levantamento dos itens lexicais mais frequentes nos depoimentos, eu esperava observar tendências gerais que explicassem como os educadores vinham usando o Twitter em seu autodesenvolvimento profissional. A comparação dos depoimentos feitos por educadores que participaram na pesquisa em dois anos consecutivos (2008 e 2009) também forneceria dados para observação de uma possível variação nas práticas de autodesenvolvimento em um momento no qual a popularidade dessa rede social começava a aumentar.

A análise dos itens lexicais do corpus A demonstrou que os educadores participantes da pesquisa do C4LPT em 2008 ressaltaram mais frequentemente o valor do Twitter como rede de relacionamentos profissionais. É provável que, em decorrência dos relacionamentos estabelecidos na rede social, esses educadores tenham tido acesso a conteúdos relevantes e experiências de aprendizagem de natureza informal. Essa interpretação parecer ser respaldada, ainda que parcialmente, pelo depoimento da educadora Britt: “It is amazing what you can learn from 140 characters”.

Os participantes da pesquisa em 2009, cujos relatos compuseram o corpus B, também valorizaram o Twitter como rede de relacionamentos profissionais, porém o fizeram com mais ênfase do que os participantes do ano anterior. O valor dessa rede para o acesso a informações relevantes também foi mencionado, bem como a possibilidade que ela oferece para a aprendizagem, segundo destacaram os educadores Manish (“It’s been a great learning tool”) e Janet (“once my productivity nemesis, has become a valuable learning tool”).

Três educadores (Barry, Britt e Rodd) participaram da pesquisa em dois anos consecutivos. Isso permitiu uma análise comparativa de suas declarações em busca de possíveis transformações na percepção do valor atribuído à rede social. A comparação foi feita em torno dos temas mais destacados em análises anteriores: (acesso a) informação, (estabelecimento e manutenção de) relacionamentos e (oportunidade de) aprendizagem.

Comprovei que o tema aprendizagem não foi foco nos depoimentos dos educadores destacados, possivelmente porque o tema já estivesse implícito na finalidade pesquisa de que participavam. O tema informação foi recorrente, mas parece ter sido posto em segundo plano mais recentemente em função dos relacionamentos propiciados pela rede social e do valor a eles atribuído pelos depoentes.

A análise dos depoimentos, portanto, demonstrou que os educadores atribuíram grande valor à presença, na rede, de outros educadores e especialistas com os quais poderiam interagir e dos quais obteriam informações relevantes que lhes possibilitariam manter-se atualizados.

Tendo em vista que os sujeitos da pesquisa não pareceram agir orientados por nenhum currículo formal, pode-se concluir que eles têm no Twitter um contexto de aprendizagem informal com potencial para o desenvolvimento na profissão e parecem fazer uso deliberado dos recursos da rede com esse fim.

A gama de usos do Twitter, portanto, parece só aumentar.

 

(1) Listagem de contextos em que itens linguísticos ocorrem.

 

Nota: Os dados dessa pesquisa serão divulgados oportunamente.

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Blogosfera 2009

A pesquisa anual Estado da Blogosfera, feita pela Technorati, apresentou seu sexto relatório no mês passado. Embora os dados abranjam blogs de 50 países, quase a metade dos blogueiros que participaram é dos Estados Unidos.

De qualquer forma, os resultados da pesquisa apontam um amadurecimento da blogosfera mundial e sugerem uma grande familiaridade com a mídia, visto que os participantes relataram ter, em média, três ou quatro blogs.

Blogueiros continuam a apresentar um perfil diferenciado: homens (2/3 do total), adultos (18-44 anos), com nível educacional alto em relação à população geral (40% são pós-graduados). Pode-se dizer que se trata de um público formador de opinião ou, pelo menos, capaz de refletir sobre os fatos. Cerca de 30% são, de fato, capazes de influenciar a opinião dos internautas, pois são de alguma forma relacionados às mídias tradicionais (escritores, repórteres).

A pesquisa propõe uma classificação dos blogueiros em quatro categorias:

  • Blogueiros por Passatempo: Representam a maioria (72%). Diferentemente dos demais, não são remunerados por sua atividade, que realizam por diversão. Costumam publicar semanalmente.
  • Blogueiros em Tempo Parcial: Representam os 15% que têm no blog um complemento de renda. A maioria (75%) quer apenas compartilhar seus conhecimentos.
  • Blogueiros Autônomos: Representam os 9% mais profissionais desse universo, pois são remunerados por sua atividade, a qual é executada em tempo integral em nome de sua própria empresa ou organização. Coincidentemente, são os que mais usam (88%) o Twitter.
  • Blogueiros Profissionais: Representam os 4% que blogam para uma empresa ou organização. A maioria (70%) o faz para compartilhar expertise.

Autoexpressão e compartilhamento de expertise são as razões mais frequentemente apresentadas para serem blogueiros – o que não representa uma mudança em relação às pesquisas anteriores. Os Blogueiros por Passatempo têm maior propensão a discutir os aspectos políticos dos temas que publicam, o que raramente ocorre nas demais categorias.

A emergência de outras mídias (p.ex. Twitter) e redes sociais vem causando impacto na blogosfera, pois os blogueiros que vêm aderindo às novidades relatam que têm atualizado seus blogs com frequência menor. De fato, blogueiros têm maior tendência a usar o Twitter do que o restante da população, e o fazem com propósitos diversos: divulgar seus blogs, destacar links interessantes e descobrir as tendências do momento.

Os blogs têm-se caracterizado por uma crescente sofisticação em termos de informação e suporte tecnológico: a maioria (85%) explora recursos como tags, que facilitam a recuperação de textos; grande número (82%) dos blogueiros usam fotos e vídeos em seus blogs; um número ainda pequeno (20%), mas não desprezível, de blogueiros afirma atualizar seus blogs por meio de dispositivos móveis.

Segundo David Hughes, a maturidade dos blogs os transformou em ferramentas poderosas para ativistas, como se observou neste ano durante os protestos contra as eleições iranianas e durante a campanha presidencial nos Estados Unidos no ano anterior. Os participantes da pesquisa acreditam que o maior impacto da blogosfera ocorra mesmo na política e nos negócios.

A pesquisa conclui que a blogosfera se tornou uma ‘caixa de ressonância’ para identificação de questões que devem merecer atenção da sociedade. Mesmo que os blogs abordem questões locais, é preciso reconhecer que sua platéia pode ser universal, o que amplifica o significado dessas questões (creio que o blog de Yoani Sánchez seja um exemplo perfeito disso). Isso resulta na nova tendência puxada pela blogosfera: a globalização da liberdade de expressão.

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