Publiquei aqui, há algumas semanas, um texto em que afirmava que nossos políticos estão mais acostumados a se comunicar pelas mídias tradicionais, que exploram o formato um-para-muitos, do que pelas modernas mídias sociais, cuja natureza pede o diálogo aberto e sem limitações.
Pois o Webinsider publicou na semana passada um texto do consultor Alvaro Lins em que se afirma que nossos senadores ainda não acertaram o tom no uso da rede social mais falada do momento: o Twitter.
Fiquei curioso e decidi investigar mais a fundo a questão para saber se, de fato, não teria havido alguma evolução no perfil de uso da rede social por esses representantes do povo. Para isso, analisei o perfil de cada um dos senadores nomeados na matéria do consultor com auxílio do Twitalyzer.
Concentrei-me nos seguintes aspectos avaliados pela ferramenta:
Relação Sinal-Ruído: Tem a ver com a qualidade da informação publicada. Quanto maior essa qualidade, isto é, quanto menos trivial ela for, maior o poder de influência de quem a publica. Leva-se em conta neste aspecto o envio de mensagens a outros usuários, identificado pelo uso do ‘@’; a recomendação de sites que devem ser visitados, identificados por suas URLs; a marcação de palavras-chave por meio de ‘#; o encaminhamento (retuitar) de mensagens de terceiros, identificado pelo uso de RT ou ‘via.
Generosidade: Tem a ver com disposição para recomendar aos seguidores informações consideradas relevantes e de passar ideias adiante. Esse aspecto é assinalado pela relação entre as mensagens retuitadas por um usuário e o total de mensagens por ele enviadas.
Velocidade: É simplesmente a frequência com que o usuário publica novas mensagens.
Acesso: Tem a ver com as chances que o usuário tem de ser citado por outros.
Esses aspectos combinados demonstram o quão influente um usuário pode ser em determinado momento. Como eles são baseados em fatores que podem sofrer alterações, seus valores relativos também variarão com o tempo.
Uma vez que meu objetivo não era avaliar a influência dos senadores que têm perfil no Twitter, mas apenas verificar se estariam fazendo bom uso dessa rede social, atribuí maior importância aos três aspectos iniciais, mas também analisei o último.
Todos os perfis avaliados tiveram um resultado geral comum:
Baixa relação sinal-ruído: Isso quer dizer que nossos representantes (79%) vêm realmente fazendo um mau uso do Twitter, provavelmente publicando notas autopromocionais (‘chapa branca’ no jargão jornalístico), que devem ser publicadas também no Jornal do Senado, e, portanto, têm baixa relevância para o usuário da rede social.
Baixíssima generosidade: Em outras palavras, eles não demonstram que se interessam por seus seguidores, pois não lhes enviam ou encaminham conteúdos que possam ser de interesse.
Lentidão: Eles não parecem se preocupar de manter seus potenciais seguidores supridos de informações frescas, pois publicam infrequentemente.
Baixísimo acesso: Apenas um senador dos pesquisados apresentou índice superior a 50%, o que talvez possa ser avaliado como um indicador de sua confiabilidade perante os usuários do Twitter.
Se levarmos em conta que o usuário dessa rede social é basicamente um formador de opinião, nossos senadores estão perdendo uma enorme oportunidade de ouvir os anseios de parcela relevante de nossa sociedade e, mais importante, de realmente se comunicar com ela.
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