Mas esse sucesso não desobriga seus gestores de mexer no time que está ganhando – muito pelo contrário! – e uma novidade está para ser implementada na ferramenta: um sistema de edição, feito por editores voluntários experientes, impedirá a publicação de informações imprecisas, falsas ou ofensivas, que poderiam trazer à Wikimedia Foundation danos mais vultosos do que apenas à imagem.
A grita contra o controle editorial da informação em uma ferramenta 2.0 promete ser grande, mas, segundo o pesquisador Ed H. Chi, do Centro de Pesquisa de Palo Alto, a Wikipédia já abrigava editores experientes que restrigiam a publicação por novatos, o que contradiz a frase encontrada na home de seu site: ‘the free encyclopedia that anyone can edit’ (‘a enciclopédia gratuita que qualquer um pode editar’).
Com ou sem resistência às novidades, o que se sabe é que a Wikipédia faz parte do arsenal de ferramentas de consulta dos usuários da Web e precisará encontrar formas de assegurar a confiabilidade da informação publicada, uma responsabilidade reconhecida por Jimmy Wales, um de seus fundadores.
Nielsen afirma que a inclusão das ferramentas, mesmo que encontrando resistência de algumas empresas, é esperado devido à entrada da Geração Y no mercado de trabalho. Os jovens dessa geração já estão acostumados a usar essas ferramentas (YouTube, Wikipedia, Facebook, Twitter, blogs) na vida cotidiana, logo deverão esperar encontrar essas ferramentas também nas empresas onde trabalharem.
Nielsen alerta que o processo não se restringe à adoção de ferramentas – não importa quais -, mas deve ser encarado como a busca de uma solução para uma demanda do negócio e que cada empresa terá necessidade de uma ou/e outra ferramenta, mas não de todas.
Ele relaciona, enfim, alguns fatores interessantes como resultado de uma pesquisa envolvendo 14 empresas, de 6 países, que já têm Intranets 2.0:
A Intranet 2.0 costuma surgir e crescer na empresa como uma iniciativa ‘sem patrocínio’ até que demonstre seu valor à alta hierarquia;
A alta hierarquia raramente tem entre seus membros representantes da Geração Y, portanto são os empregados da ponta os que aderem mais facilmente e ‘levantam a bandeira’;
As comunidades formadas por meio dessas ferramentas costumam ser ‘autopoliciadas’, dispensando medidas de segurança drásticas. Basta que haja algum treinamento sobre a conduta apropriada e que não se permita o anonimato;
A Intranet 2.0 tem a ver com a comunicação, mas também com negócios, portanto é necessário que alguém fique oficialmente responsável por garantir que os produtos dessa comunicação retroalimentem as áreas de negócio;
As ferramentas devem ser integradas de forma natural aos recursos de Intranet já existentes, de forma que os empregados não precisem ter informações duplicadas em diferentes ambientes.
A implantação de uma Intranet 2.0 não é um processo simples nem tampouco rápido e depende muito da cultura da empresa. Naquelas em que os empregados percebem que a informação tem mais valor quando é guardada, uma iniciativa dessa natureza pode resultar em fracasso.